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segunda-feira, 11 de junho de 2018

EXCLUSIVO: RUA HONÓRIO DE BARROS, NO RJ, VENCE O CONCURSO DE DECORAÇÃO PARA A COPA 2018 !!!

por José Roitberg

Estamos há 3 dias do início da Copa da RússiA e é com uma alegria safada minha comemoração do título atribuído por mim mesmo, pois nenhum jornal ou emissora de TV nem de rádio ousaram lançar concurso este ano.

Mas lá está a pequena Honório de Barros, na dúbia fronteira entre Flamengo e Botafogo, com seu único curto quarteirão, uma ruazinha absolutamente residencial na qual a cegonha me largou com dois meses de idade e os urubus me deram um pé no traseiro 28 anos depois. Vivi ali mais de um quarto de século.

E nas copas de 1966 e 1970 eu fui um dos garotos da rua colando as bandeirinhas do Brasil nos barbantes para os mais velhos pendurarem. Estas bandeirolas eram montadas nos postes pelos garotos mais velhos, já com 15 ou 16 anos. Enquanto os de 18 aos vinte e poucos se encarregavam de tarefas mais pesadas como grandes bandeiras utilizando cordas mais grossas e mais altas. Os mais velhos também não nos deixavam pegar nas tintas. Eles mesmos queriam fazer a bagunça.

Creio que apenas uma vez pintamos os paralelepípedos, mas depois da chegada do asfalto ele sempre levou tinta. Não tanto quando este ano.

Desde a Copa de 1962, pelo que me contaram, esta decoração era montada com o crowdfunding analógico tradicional: a molecada passando de apartamento em apartamento perturbando o moradores para contribuir com grana e intimidadoramente anotando, num caderno, quanto cada um deu Sempre funcionou.

A diferença entre o prêmio de hoje e outros recebidos pela rua, principalmente do saudoso e rosinha Jornal dos Sports, é que a Honório de Barros concorria com dezenas ou centenas de outras ruas residenciais da cidade. No prêmio de hoje não houve concorrentes.

Antigamente não havia uma só transversal do Flamengo ou da Tijuca deixando de se engalanar para as Copas. Hoje, apenas uma.

Nesta decoração de 2018, uma larga faixa verde e amarela no asfalto de uma ponta a outra da rua. Bandeiras dos principais times cariocas e das seleções participantes da Copa, além de uma curiosa bandeira do Brasil feita de tirinhas de plástico. Deve ter dado um trabalhão. Além das bandeirinhas de papel e plástico em barbantes é claro.

Fico imaginando o prejuízo, até o momento, do comércio que se abasteceu com bandeiras, bandeirinhas, cornetas, tintas tecidos, camisetas etc.

Nunca saiu de minha memória de guri com 9 anos de idade, o momento quando todos os moradores da rua se amontoaram na esquina da avenida Oswaldo Cru. para presenciar os caminhões de bombeiros trazendo a Seleção Canarinho de 1970 em desfile pela cidade, com o capitão Carlos Alberto Torres incansável segurando a furtada taça Jules Rimet, Lá no alto para todos verem.

Esbarrei com uma equipe da TV Câmara, lá pelo mesmo motivo. Acabei sendo entrevistado e deve ir ao ar. O crédito mais correto deveria ser 'José Roitberg - Jornalista e ex-morador dinossauro'. Mas não será assim.

Quis saber do reporter quantas ruas eles tinham conseguido filmar hoje, pois a equipe começou a trabalhar às 10 da manhã e eram três e meia da tarde. Aí veio a constatação. "Só essa. Rodamos horas e não encontramos mais nenhuma. Quando escurecer vamos até a Rua do Lavradio. Os donos dos restaurantes e bares fizeram uma decoração noturna que disseram estar bonita. Vamos conferir."

Enquanto estávamos lá, a produtora recebeu um zap informando que de fato não tinha nada na Tijuca e não precisava ir lá.

A entrevista foi aquele tipo povo-fala vapt-vupt com três perguntinhas. Na terceira fui questionado se imaginava o motivo de não haver decorações pela cidade, sequer bandeiras nas janelas. Espero que a TV Câmara colooque minha resposta no ar: "Falta de patriotismo. Falta de patriotismo, apenas isso."

quarta-feira, 20 de março de 2013

Projeto original do Maracanã

Maracanã tinha judeu no projeto? Você sabia? Agora que estamos prestes a ver uma quarta fase do Maracanã inaugurada mas não finalizada, que tal resgatar os autores da obra original, jamais concluída? Em 1947 a prefeitura do Rio de Janeiro abriu concorrência pública para o projeto arquitetônico do estádio. O projeto vencedor foi de autoria da equipe de arquitetos formada por Waldir Ramos, Raphael Galvão, Miguel Feldman, Oscar Valdetaro, Orlando Azevedo, Pedro Paulo Bernardes Bastos e Antônio Dias Carneiro. A sua construção teve início dia 2 de agosto de 1948, na administração do prefeito Ângelo Mendes de Morais. Trabalharam na obra 1.500 homens, e nos meses finais este número elevou-se para 3.500. O engenheiro que iniciou os trabalhos foi Paulo Pinheiro Guedes. A Copa do Mundo de 1950 foi realizada com as obras ainda não concluídas. A rigor, estas só terminaram em 1965, mas longe da configuração do projeto. O parque aquático anexo a um estádio descoberto para tênis e o Estádio Célio de Barros, que também previa uma concha acústica para outros eventos nunca assumiram a configuração do projeto inicial que já determinava a demolição do Museu do Índio, não presente do canto esquerdo superior da maquete oficial. Quanto ao obelisco, nunca saberemos o que iria representar. Todo este complexo foi construído onde funcionou por décadas, o Derby Clube, a principal pista para corridas de cavalos na Capital Federal dos Estados Unidos do Brasil. Na foto temos os arquitetos Miguel Feldman (esq) e Antônio D. Carneiro diante da maquete do Maracanã, em 16/junho/1949. Foto da coleção de Branca Feldman.

Estadio-Municipal-Do-Rio-De-Janeiro-RPPC-Maxi-Postcard-1950-PROJETO-QUE-NUNCA-FOI-EXECUTADO

No final das contas, o parque aquático Maria Lenk foi construído no local da previsão original e o Célio de Barros, também, mas ambos fugindo totalmente as linhas harmoniosas do projeto original. Bem, hoje ambos foram destruídos. Abaixo, configuração do Google Earth em 2009 ou 2010, antes das obras para as Copas de 2013-14.

MARACANA 2010