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terça-feira, 29 de setembro de 2015

História do Cais do Pharoux

Não costumo citar a Wiki, mas desta vez é mais simples. Apesar de ser conhecido como Cais Pharoux, seu nome inicial correto era Cais do Pharoux, do caso, do sr. Pharoux, construtor do primeiro hotel decente no Rio de Janeiro Imperial.

O EMPREENDEDOR

"Acostumados ao requinte e sofisticação próprios do Velho Mundo, a Corte Lusitana tivera de aguardar dois anos até que desembarcasse no Rio de Janeiro Louis Pharoux, o herói de Marselha, que lutara ao lado de Napoleão até que terminou por exilar-se nos trópicos para começar vida nova." (Bruno Accioly)

É bom lembrarmos que as primeiras décadas do século 19 foram consolidadoras da escravatura urbana no Rio de Janeiro e Louis Pharoux era proprietário de escravos. Ele sai do Brasil antes da difusão da fotografia.



Hotel Pharoux 2
Hotel Pharoux, 1860 - Foto de R. H. Klumb (clique para ver maior)

O HOTEL

“Quando Mr. Pharoux chegou ao Rio de Janeiro, em 1816, era ainda bem moço. Vinha de França. Muito a esse Mr. Pharoux devemos. Muito. Devemos-lhe, por exemplo, a ideia da criação do primeiro hotel, com certo aspeto de grandeza e decoro, instalado entre nós, o erguido no prédio que existia no ângulo da Rua Clapp com a Praça Quinze, e que, em 1901, mostrava, em letras colossais, sobre a fachada, este letreiro: Casa de Saúde do Dr. Cata Preta. Era um imóvel de proporções avantajadas, olhando para o mar. Logrou Mr. Pharoux, entre nós, notável simpatia e larga popularidade. Rico e cansado, muito tempo, depois, vendeu o seu hotel. E foi morrer em França, isso pelo ano de 1868.” O nome do cais deve-se a este francês. (EDMUNDO, Luiz. O Rio de Janeiro do Meu Tempo. 2ª Edição, 1º Volume. Rio de Janeiro: Conquista. 1957)

desenho-do-hotel-pharoux
Desenho Hotel Pharoux, ainda não consegui atribuir a autoria, mas é ligeiramente diferente da construção verdadeira.

Pela foto, podemos ver que no térreo havia cabines para banhistas com dísticos “banhos” em várias línguas. Uma série de anúncios comerciais de venda, desde barcos até batatas coloca como referência de localização, “em frente a casa” ou “hotel do sr. Pharoux”.

Hotel Pharoux
Adolphe D´Hastrel - Praia D. Manuel Cais Pharoux 1841 -  Litogravura Coleção Geyer/ Museu Imperial de Petrópolis, publicado na web por Renata Jardim em Fragmentos-Arqueologia Histórica no Rio de Janeiro (clique no link para conhecer o trabalho dela com mais detalhes sobre o hotel, e na foto para ver maior)

A localização do hotel, inaugurado em 1825 na Rua da Quitanda e transferido para Rua Fresca em 1838, fazia muito sentido, pois os viajantes podiam sair das longas viagens nos veleiros e ir descansar em terra firme logo ali na esquina. É uma época em que o Largo do Paço (Praça XV) era com piso de terra e lama. Defronte à este hotel e para a sua direita, havia uma praia de areia, denominada Praia Dom Manuel, cuja existência ainda é citada em documentos da capitania do portos em 1847. À esquerda havia a Praia do Peixe já tradicional entreposto de comércio de pescados.

O chafariz do Mestre Valentim, que existe até hoje (sem água) foi colocado ali, para oferecer abastecimento de água gratuito não só aos trabalhadores do cais como às próprias embarcações.

1918 RIO DE JANEIRO CAES PHAROUX
O Cais do Pharoux, área de passageiros em 1918, podendo-se ver as pequenas lanchas que faziam o transbordo. Cartão postal colorizado no original.

CAIS E ESTAÇÃO DAS BARCAS

"O primeiro cais da cidade do Rio de Janeiro foi construído em 1779 pelo vice-rei D. Luis de Vasconcelos. O chafariz denominado de Mestre Valentim, construído no século XVIII, ficava à beira d’água para fornecer aos embarcados água doce, limpa e fresca. Escadarias paralelas, ao lado do chafariz, eram os locais de embarque e desembarque. Durante o século XIX, com a grande exportação de café brasileiro, o porto do Rio de Janeiro teve que adequar-se à mudanças necessárias ao aumento da carga brasileira que ia em direção a diversos países. Várias ilhotas e enseadas, comuns na costa do Rio de Janeiro, deram lugar, no início do século XX, a um porto mais moderno. O cais tomou o nome de Pharoux depois de ter sido chamado Cais da Praça do Carmo, quando ali se instalou o Hotel Pharoux.O dono do Hotel era um francês bonapartista que para o Rio de Janeiro emigrou. Os móveis franceses, os espelhos florentinos e a alvura das suas toalhas brancas faziam o estabelecimento do francês ser diferenciado dentro de uma cidade ainda desorganizada e suja, e o nome do Hotel passou a ser a denominação do local, que conhecemos por Praça XV." (Heloisa Meirelles - FIGUEIREDO, Cláudio. SANTOS, Núbia M. e LENZI, Maria Isabel. (org.)O Porto e a Cidade: o Rio de Janeiro entre 1565 e 1910.Rio de Janeiro: Casa da Palavra Produção Editorial, 2005.)

1907-Rio-de-Janeiro-Caes-Pharoux-A-RIBEIRO
Vista do Cais do Pharoux, área de passageiros em 1907. Pode-se ver o largo arruamento no que viria a ser a Praça XV para acesso de pessoas e bagagens. A iluminação deveria deixar o lugar bucólico a noite. Foto de A. Ribeiro.

"Da fusão da Companhia das Barcas Ferry com a Empresa de Obras Públicas do Brasil, organizou-se, em 1º de outubro de 1889, a Companhia Cantareira e Viação Fluminense, que passou a explorar o abastecimento d’água de Niterói, o serviço de bondes na mesma cidade (tração animal) e a navegação a vapor entre o Rio de Janeiro e a capital fluminense. Na administração do Visconde de Moraes (1903 a 1908), realizou a Cantareira grandes melhoramentos, como a construção de novos flutuantes para facilitar o embarque e desembarque dos passageiros; substituição das velhas barcas por outras mais rápidas e mais confortáveis; construção das novas estações do Cais Pharoux e da Praça Martim Afonso; eletrificação dos bondes de Niterói, etc." (DUNLOP, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo e Gráfica Laemmert Ltda. 1963)

1911-07-29-0030-FONFON-CAIS-PHAROUX-EM-DIA-DE-PARTIDA-PARA-A-EUROPAParentes, amigos e curiosos, lotam a praça do Cais do Pharoux, para a partida de um transatlântico para a Europa. Publicado pela Fon-Fon em 29/jul/1911 em página dupla central.

O edital para a construção do inicialmente denominado Cais do Paço foi publicada no Diário de Rio de Janeiro em 7 de julho de 1842. Este novo cais seria construído sobre toda a linha do litoral ali da região, da Praia Dom Manuel à do Peixe, passando pelo Paço. O hotel ficaria mais ou menos no meio.

gragoata-cais-do-pharouxNesta foto oda barca Gragoatá vemos a indicação Cais do Pharoux abaixo do nome da embarcação.

Numa das fotos deste post, podemos observar que a linha da barca era para o "Cais do Pharoux" e não para a Praça XV. Durante décadas este cais, praticamente todo ele uma simples calçada de granito com cerca e escadas de granito indo até a água era a porta de entrada e saída de passageiros da cidade do Rio de Janeiro. Os navios ficavam ao largo e passageiros, bagagens e cargas faziam o transbordo em pequenas embarcações. Isto foi bastante documentado e podemos ver fotos de época.

RIO-DE-JANEIRO-EMBARQUE-NO-CAES-PHAROUXUma barcaça com sacas espera para ser descarregada enquanto um barco menor recebe baús de viagem de passageiros oceânicos na área de carga do Cais do Pharoux Cartão postal.

Atualmente a única pequena parte do Cais do Pharoux restante fica à esquerda da estação das barcas que ao longo dos anos foi ocupando cada vez mais a frente de toda a Praça XV, mas na praça Marechal Âncora, à direita da estação das barcas ainda existe uma grande extensão de cais, da mesma época histórica, com as escadas, os pontos de amarração dos barcos em ferro e sem cerca, pois era uma área destinada à carga.

USO MILITAR

No relatório anual do Ministério da Guerra de 1938 dá-se conta de um serviço de transporte militar denominado "Maruja", feito por lanchas com reboques, que duas vezes por dia saía do Cais Pharoux, uma para as Fortalezas de São João e Ilha da Lage, e a outra para a Fortaleza de Santa Cruz e Forte de São Luiz. Esse serviço Maruja também era responsável pela barca de transporte de água Marechal Hermes, também fazendo duas viagens diárias. No ano anterior, transportou 24.745 toneladas de água para estas unidades militares. Foi do Cais do Pharoux que partiram com despedidas emocionadas os brasileiros voluntários e estrangeiros reservistas que foram combater por seus países, ou pelos países de seus familiares logo no início da Primeira Guerra Mundial.

1914---08---15---00026---revista-da-semana---RJ---RESERVISTAS-FRANCESES-EMBARCAM-PARA-WW1-NO-CAIS-PHAROUX
Uma foto tradicional de embarque para as famílias que podiam pagar era tirada na descida das escadas do Cais do Pharoux. Esta mostra um grupo de reservistas franceses que embarcou para o campo de batalha logo no início da Grande Guerra em agosto de 1914. Nenhum deles foi identificado na foto, em matéria ou posteriormente. Não sabemos seus nomes, nem o que fizeram, nem quais deles morreram ou voltaram ao Brasil. Publicado na Revista da Semana de 17/ago/1914.

A GRANDE AVENIDA LITORÂNEA QUE NUNCA EXISTIU

"O Governo do Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914), sendo Ministro da Viação e Obras Públicas o Dr. Barbosa Gonçalves, pensou em dar complemento ao Cais com outro rumo: O prolongamento se faria pelo canal da Ilha das Cobras, Doca da Alfândega, Pharoux, até Ponta do Calabouço, extremidade oriental do antigo Arsenal de Guerra; o Arsenal de Marinha passaria para a Ilha das Cobras, aumentada de 60.000 m2; a Avenida do Cais emendaria, assim, com a Avenida Beira mar, em Santa Luzia, oferecendo um passeio de 12 km., desde Botafogo até a Ponta do Caju." (ROSA, Ferreira da. Rio de Janeiro em 1922-1924. Coleção Memória do Rio. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.)

O TÚNEL PARA NITERÓI QUE NUNCA EXISTIU

Ainda em 1876, o engenheiro inglês Hamilton Bucknall veio ao Rio e encantou a corte imperial com um projeto espetacular: um túnel para trens ligando o Rio a Niterói. No projeto, a entrada seria exatamente no Cais do Pharoux desembocando em Gragoatá, em Niterói.

PRAÇA MARECHAL ÂNCORA

Com as obras da derrubada da Perimetral a Praça Marechal Âncora foi transformada em um imenso estacionamento público. Esta área de carga do Cais do Pharoux ficou largada desde que desativada o que a preservou.

PRAÇA MARECHAL ÂNCORA

Nas fotos podemos ver as escadas de acesso aos barcos com os degraus completamente desgastados por décadas de utilização.

PRAÇA MARECHAL ÂNCORA

É o único ponto da cidade onde houve a intenção de preservar o ultimo piso original de paralelepípdeos com os trilhos do bonde que contornava a Marechal Câmara junto ao cais.

PRAÇA MARECHAL ÂNCORATrilhos de bonde originais entre a Marechal Âncora e a Estação das Barcas. Fotos de José Roitberg 10/ago/2013

© 2015 - José Roitberg - jornalista e pesquisador

domingo, 19 de julho de 2015

História do Cemitério Israelita do Caju

O Rio Judeu Que o Povo Esqueceu

por José Roitberg - jornalista, pesquisador e Membro da ABEC

A Comunal Israelita é a instituição beneficente que gerencia três dos cemitérios israelitas no Rio de Janeiro. É encarregada do Cemitério Israelita de Inhaúma (Polacas) a partir de alguns anos após o falecimento da última membro da ABFRI - Associação Beneficente Israelita do Rio de Janeiro. Apesar de arcar com os custos da limpeza, conservação, reforma dos túmulos, recolocação de nomes que haviam desaparecido ao longo do tempo e da manutenção atual, a Comunal está impedida na justiça de realizar novos sepultamentos em Inhaúma devido a uma ação impetrada por uma parte. Em Inhaúma há 770 túmulos e local para outros 700, no mínimo. É um cemitério de muito fácil acesso atualmente.

caju
imagem Google Street View

O Cemitério Comunal Israelita foi inaugurado em 1955, praticamente no centro do Rio de Janeiro, como uma alternativa à longa jornada de trem necessária para se chegar á Vila Rosali. As ruas de acesso à Vila Rosali somente foram asfaltadas em 1963. A prefeitura dos anos 1960 foi sensível à demanda por um segundo cemitério israelita no município, entendendo que o da ABFRI não era considerado um cemitério adequado pela maior parte da comunidade judaica, devido ao sepultamento de prostitutas e cafetões. O primeiro pleito por um segundo cemitério no município foi feito em 1918. A área dos cemitérios do Caju já se encontrava urbanizada antes de 1850, com fácil acesso, inclusive bonde na porta.

CAJUO-AEREA

O terreno cedido fazia parte da área de indigentes do São Francisco Xavier que foi limpa e teve seu nível de terra rebaixado em vários metros. Atualmente a área de indigentes começa logo após o muro de trás do cemitério israelita que também é utilizado para gavetas do Caju. No início de 2015, foi realizado um contrato com a Santa Casa, para a expansão do Cemitério Israelita, novamente sobre a área de indigentes, mas com a posse da área sendo agora da empresa privada PAX, o acordo ainda não foi implementado.

vista do caju por trás
Cemitério Comunal Israelita do Caju, vista por trás a partir da quadra de indigentes do cemitério São Francisco Xavier, foto do autor

Inaugurado em 1955, o Cemitério Israelita do Caju possui mais de 6.500 sepulturas, inclusive vários mausoléus familiares ao longo de seu muro do lado direito. É um campo já quase totalmente ocupado, onde várias sepulturas são utilizadas em camadas para familiares, algo permitido no judaísmo. Recentemente até mesmo o andar térreo do prédio da administração foi removido para dar lugar a mais sepulturas. Sem o acordo de expansão este cemitério poderá ser encerrado.

cajuo acesso central coberto
Caminho central coberto do Cemitério Comunal Israelita do Caju, foto do autor

O comunal israelita optou por túmulos de média altura sem qualquer lápide vertical, na tentativa de criar um ambiente menos opressivo. Em 1975 foi inaugurado um Memorial do Holocausto, composto por seis grandes pedras trazidas de um rio de Teresópolis, simbolizando os seis milhões de judeus mortos pelos nazistas. O memorial está logo à entrada ao lado da capela.

caju memorial do holocausto
Memorial do Holocausto do Cemitério Comunal Israelita do Caju, foto do autor

NILÓPOLIS

nilopolis entrada

A comunidade judaica de Nilópolis começou a ser criada em 1920 com a chegada dos primeiros imigrantes europeus para aquele município, principalmente judeus alemães, e poloneses das regiões de fala alemã. Em seu auge, esta comunidade tinha apenas 300 família e muitos nasceram, viveram e morreram neste município vizinho ao Rio de Janeiro, hoje parte do Grande Rio.

nilopolis-aerea

O Cemitério Comunal Israelita de Nilópolis também foi criado no alto da colina, na área de indigentes do cemitério municipal com o qual compartilha seu muro dos fundos. Foi inaugurado em 1934 e o primeiro sepultamento ocorreu no ano seguinte.

cemitério comunal israelita de nilópolis grande número de túmulos recuperados
Vista parcial do Cemitério Comunal Israelita na Nilópolis, foto do autor

Nos últimos anos foi totalmente reformado e vem sendo uma opção de baixo custo para a comunidade judaica e é o local utilizado para os sepultamentos gratuitos de quem de fato não tem como arcar com as despesas. Há pouco mais de 1.000 sepulturas e espaço para alguns milhares de túmulos.

cemitério comunal israelita de nilópolis quadras vazias
Mais de 3/4 do Cemitério Comunal Israelita na Nilópolis ainda não foram utilizados, foto do autor

Este cemitério possui o que era a única Guenizá (túmulo para rolos de Torá danificados e outros objetos litúrgicos e livros religiosos), até a criação da segunda no Cemitério Israelita de Vilar dos Teles nos anos 1990. Assim todos os sepultamentos litúrgicos a partir de 1934 ocorreram neste local. Foi construído com espaço de 9 metros cúbicos.

gueniza de nilopolis
Guenizá do Cemitério Comunal Israelita na Nilópolis estabelecida em 1935 com exterior reformado em 2009, foto do autor, ainda não foi localizada foto da instalação original.

O cemitério fica totalmente cercado por uma Comunidade local, que em 2015 se encontrava tomada pelo tráfico, dificultando sua utilização e tornando pouco segura a ida lá. O cemitério municipal passa por dificuldades ainda maiores, pois os criminosos violam túmulos e os utilizam para esconder armas e drogas. Durante a reforma do cemitério Israelita, a Comunal asfaltou todas as ruas do acesso e entorno do cemitério melhorando a vida de toda a Comunidade.

nilopolis placa

O maior problema para o uso deste cemitério é o acesso feito pela Avenida Brasil que pode demandar uma viagem de mais de duas horas entre a Praça da Bandeira e o cemitério, em dias não muito complicados.

A Comunal Israelita também faz a manutenção dos mais de 2.000 túmulos judaicos da quadra de acatólicos do Cemitério São Francisco Xavier, seu vizinho de muro. Quando o Israelita do Caju foi fundado um número considerável de sepulturas judaicas foram exumadas e  transferidas por familiares do Caju católico para o Caju israelita.

Vídeo oficial produzido pela Comunal Israelita em 2011 sobre os três cemitérios.

© 2014 José Roitberg - jornalista e pesquisador
ABEC - Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Carro do Google StreetView no Brasil

Você já viu um carro do StreetView fazendo o levantamento fotográfico de nossas ruas? Este passou por Botafogo, no dia 17 de junho de 2012.

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