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domingo, 13 de maio de 2018

Até um artigo positivo sobre os 70 anos de Israel perpetua um erro perverso contra o sionismo

por José Roitberg

Inexiste algo mais importante politicamente que controlar o passado para controlar o futuro. Não importa o que aconteceu. Importa a narrativa histórica aceita pelo público.

No sábado a Globo e o G1 publicaram um longo artigo sobre os 70 anos de Israel e sua independência. Historicamente correto e um dos raros momentos em que as paginas da Globo em anos recentes não recorreu ao viés demonizador de Israel.

Eu pensei muito antes de escrever este post. Deveria eu atribuir o tal erro perverso, à propaganda antissemita? Deveria eu atribuir o tal erro perverso à ignorância? Quem me acompanha sabe: eu sempre vou para o lado da propaganda partidária emblemática. Mas neste caso, num artigo de um monte de parágrafos absolutamente corretos, apenas um ponto, que eu atribuo ao SUCESSO de décadas de propaganda racista contra Israel pelos detratores dos judeus e do Estado dos Judeus, aliado a uma VITÓRIA PALESTINA em controlar o passado, deixando a perversidade introjetada no pensamento até de gente bem intencionada quanto à questão.

"David Ben Gurion assinou documento do Museu de Arte de Tel Aviv em cerimônia de 32 minutos, perante apenas 200 pessoas, às 16 horas de 14 de maio de 1948. Divisão da Palestina, aprovada pela ONU, nunca foi aceita por líderes árabes; guerra teve início no dia seguinte", é o olho do artigo, o texto para chamar a atenção do leitor após o titulo. Onde está o erro?

Talvez boa parte dos leitores já tenha lido duas ou três vezes e não encontrou erro nenhum. Alguns talvez digam: 'Ah, parece que  Israel é quem começou a guerra...', mas ao longo do texto o início da guerra com o ataque árabe está bem pautado e esclarecido.

O erro que meus amigos e leitores podem não ter encontrado está em "DIVISÃO DA PALESTINA". Isto está conceitualmente errado e ainda assim os líderes políticos e religiosos judaicos dentro e fora de Israel continuam cometendo-o, e com isso dando o CONTROLE DO PASSADO ao Hamas, à Autoridade Palestina, a OLP, ao Irã, à Síria e a tantos outros. Mesmo os sionistas do século 19 e início do 20 falavam "Palestina", por falta de outro designativo adequado, mas falavam de uma futura Palestina Judaica e não de uma Palestina Árabe existente.

A ONU promoveu a Partilha da Palestina do Mandado Britânico, este era o nome. Não havia um país chamado 'Palestina' e a área britânica do mandado era composta por várias divisões administrativas com outros nomes adotados pelo Império Turco-Otomano entre 1475 e 1917. Neste período que podemos chamar de 'moderno' nunca houve um país lá, mas DEZ províncias administrativas (NO MAPA). É fundamental saber que o Império Turco-Otomano (muçulmano sunita) nunca denominou nenhuma das regiões administrativas como 'Palestina'.

Antes disso, retornando ao Imperador Adriano (Hadrian 76-138 DC)  no século 2, também nunca houve um país lá. Adriano, o primeiro grande genocida de judeus, matando mais de meio milhão, segundo Cassius Dio (156-235 DC) historiador oficial romano que publicou 80 volumes sobre a história do Império Romano, é quem removeu dos mapas o nome JUDEIA que existia até então e criou o no Syria Palaestina, mas não como um país, e sim como um província romana.

No mesmo momento Adriano riscou o nome de Jerusalém dos mapas e redenominou a cidade de Aelia Capitolina. Um nome incompreensível para a maioria, mas bem simples: Capital de Aelius, ele mesmo, cujo nome completo de nascimento era Publius Aelius Hadrianus. A tradução literal de capitolina é capitólio.

Pela verdade, em 1947, a ONU chamou oficialmente a região de Palestina, pura e simplesmente.

Eu tenho a compreensão de que os líderes políticos e religiosos judeus, os líderes sionistas judeus e evangélicos tinham PREGUIÇA de falar Palestina do Mandado Britânico após 1920, e diziam apenas Palestina. Não podiam imaginar como seus textos e discursos seriam utilizados contra eles no futuro, no controle do Passado, coisa que os governos de Israel desprezam desde o início afirmando que não vale a pena disputar a guerra da informação, apenas a guerra real. Erro grave, pois há muitos anos os inimigos de Israel já venceram a guerra da retórica e a cada ano que passa, mais pessoas bem intencionadas aprendem os conceitos históricos errados. Este Adriano que matou meio milhão de judeus entrou para a história ocidental como um dos "5 imperadores romanos justos de bondosos".

Desta forma no texto positivo da Globo temos a existência de um local ou país, chamado Palestina, que foi divido e parte dele usurpado pelos judeus.

quarta-feira, 28 de março de 2018

NESTA SEXTA-FEIRA OS PALESTINOS PODEM DAR O PASSO A FRENTE ESPERADO HÁ DÉCADAS E CRIAR UM PROBLEMA MUITO GRANDE PARA ISRAEL.

sniper-idf

por José Roitberg

Nesta sexta-feira temos Pessach e a Sexta-Feira Santa. Eu detesto o termo empregado normalmente pelos judeus de Pessach ser a Páscoa Judaica, para fazer os não judeus tentarem entender do que se trata. Em primeiro lugar, Pessach e Páscoa são momentos religiosos completamente diferentes e dissociados e se há alguma interação histórica, é a Páscoa que se trataria de um Pessach Católico, pois a Última Ceia de Jesus e seus apóstolos foi de fato um jantar de Pessach, já que todos lá eram absolutamente judeus.

O que isto tem a ver com os palestinos? Nada. Apenas uma data sensível, ótima para importunar os judeus.

O que está amplamente anunciado pelo Hamas para esta sexta-feira a a movimentação de um enorme número de palestinos da Faixa de Gaza para o seu lado da cerca na fronteira com Israel, para o início de seis semanas, anunciadas previamente, de protestos contra a inauguração da Embaixada dos EUA em Jerusalém, marcada para o dia 14 de maio.

QUAL SERIA O PROBLEMA DE MILHARES DE PALESTINOS VINCULADOS AO HAMAS EM GAZA ANDAREM ATÉ SEU PRÓPRIO LADO DA CERCA?

Em princípio nenhum problema. Podem ir lá com cartazes, com carros de som, gritar e cantar, protestar à vontade, pois estão no território deles.

Acontece que também é PRERROGATIVA EXCLUSIVA DOS PALESTINOS, criar um cenário de pesadelo há muito projetado: atravessar a cerca. Milhares de civis dispostos a morrer por Allah e alcançar o Paraíso que lhes é prometido através do martírio desde a mais tenra idade. Milhares de civis com seus filhos dispostos a derramar seu sangue por Jerusalém como lhes é ensinado nas escolas palestinas patrocinadas pela ONU há mais de 35 anos.

O cenário de pesadelo para Israel são civis, com suas camisetas brancas, ultrapassando a fronteira e andando Israel adentro.

O QUE FAZER?

Conversando com conhecidos ao longo dos anos eu sempre ouço uma resposta imediata: "mandar bala em todo mundo". Eu retruco: "Como? Você acha que se pode disparar contra milhares de civis e matá-los na frente de centenas de câmeras? Quantos soldados do IDF iriam se recusar a disparar?"

INFELIZMENTE, na minha visão militar e geopolítica, não há resposta satisfatória e no momento em que os Palestinos decidirem dar este passo além da cerca, a realidade do Oriente Médio irá mudar.

A Ética Judaica pode terminar na sexta-feira se o IDF atirar deliberadamente contra civis. Já receberam a ordem. Deixando claro: o tenente-general Gadi Eizenkot, chefe do Estado Maior do IDF ordenou o posicionamento de tropas dentro de Israel e a disposição de 100 snipers, atiradores de elite. As palavras exatas do general comandante, publicadas como citação dele na mídia israelense, são:

"Nós não vamos permitir a infiltração em massa dentro de Israel e danos à cerca, e certamente eles não irão chegar até nossas comunidades. As instruções são usar muita força. Nós colocamos no terreno mais de 100 snipers que foram movidos de todas as unidades militares, principalmente das forças especiais. No caso de perigo mortal, eles tem autorização para abrir fogo." O general também pediu que os manifestantes mantenham-se há 100 metros de distância da cerca.

NÃO SE PODE ASSUSTAR OU INTIMIDAR QUEM QUER MORRER

Por vezes eu penso que sou um imbecil por acreditar no Islã e no culto jihadista de martírio para aceder ao Paraíso. Mas eu apenas acredito no que os fundamentalistas islâmicos praticam abertamente na frente de todos. Eu apenas acredito no que eles publicam nas mídias deles. Eu apenas acredito nos discursos e práticas dos incentivadores dos martírios e também nas confissões dos mártires que não morreram e estão na prisão.

Da mesma forma que tomei pedradas virtuais ao defender que Israel não pode adotar a pena de morte para os terroristas que não morrerem em ação de matar israelenses, pois isto apenas completaria a missão de martírio deles, eu PRECISO GRITAR AQUI que abater civis palestinos que invadam Israel na sexta-feira É FAZER EXATAMENTE O QUE O HAMAS ESPERARIA QUE O IDF FIZESSE e é tornar o plano de martírio o mais bem sucedido da história.

Ninguém da Faixa de Gaza com até 40 anos de idade, que foi educado abertamente para o martírio pode ser intimidado com a perspectiva de tomar um tiro de fuzil se atravessar a cerca. Vão fazer isto de livre e espontânea vontade, com fervor religioso (coisa que o Ocidente não acredita apesar de todos os filmes e documentários produzidos e divulgados, como Sementes do Ódio, ainda numa época que nem existia DVD, ou Obsession).

EU NÃO QUERO VER O MUNDO MUDAR NA SEXTA-FEIRA

Eu não quero que a visão radical entre o Povo Judeu prevaleça neste caso. Eu não quero que por falta absoluta de outras alternativas, que não seja a do gatilho os judeus no mundo inteiro passem a ser condenados. Eu não quero que os palestino muçulmanos sunitas se imolem nas balas disparadas por judeus para derrotar os judeus.

Eu quero que mandem muito gás lacrimogêneo, muito spray de pimenta ou aquele spray fedorento que o IDF usa e ninguém suporta o cheiro, muito jato d'água e tinta, mas que não se dispare contra os palestinos civis que cruzem a cerca deliberadamente.

VAI ACONTECER SÓ NA FAIXA DE GAZA?

Se o planejamento foi inteligente, irá acontecer em frentes múltiplas, em Jerusalém, na altura de Natânia, e em outros pontos vulneráveis de Israel. O IDF já havia anunciado na semana passada que não iria permitir o acesso de homens em idade militar á Esplanada das Mesquitas nesta sexta-feira.

É preciso contar também com a certeza de que vão estar entre os civis, soldados armados do Hamas não só para proteger seu próprio povo como também para, deliberadamente através de ordens ou de ação individual inciar um tiroteio que levaria as tropas do IDF a responder.

Nos últimos dias houve incidentes intencionais de infiltração pelo Hamas, com características de martírio. No mais recente, três soldados do Hamas atravessaram a cerca durante a noite, armados com fuzis e granadas. Uma patrulha do IDF descobriu as pegadas deles e foi atrás. O combate rápido onde os três foram abatidos aconteceu há 20 km dentro do território israelense. A impressão que se tem é de que esta era a missão deles, pois atacar comunidades em território israelense já poderia ser feito a partir de 400 ou 500 metros da cerca apenas.

Quando os judeus brasileiros começaram a se preparar para o jantar de Pessach desta sexta-feira, tudo já terá a acontecido. Vamos torcer para que os palestinos mantenham o seu recorde serem os que nunca perdem a chance de perder uma chance e que o protesto seja muito visível, muito divulgado no mundo inteiro, mas todo do lado deles da cerca.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

TRUMP DIZ QUE ONU VAI FAZER OS EUA ECONOMIZAREM UMA BOA GRANA



por José Roitberg

Após vetar ontem a resolução do Conselho de Segurança da ONU contra Israel ser a capital de Israel, uma nova batalha será travada nesta quinta-feira na Assembleia Geral da ONU.

A Donald Trump não está nem aí para os roteiros de séries como House of Cards ou Designated Survivor. Para ele, política-real é algo diferente, e poder é para ser utilizado abertamente.

Assim, o presidente dos Estados Unidos, declarou há algumas horas atrás algo que jamais esperaríamos escutar de qualquer presidente, menos do Putin.

"Deixe eles votarem contra nós. Vamos economizar um bocado", ao avisar que poderá cortar as ajudas de custo e financiamentos a todos os países que apoiarem a resolução que não é contra Israel e sim contra os Estados Unidos, pretendendo alguns países anular a decisão que só cabe aos Estados Unidos.

Se você acha que votos capitaneados por adversários vão fazer os Estados Unidos, voltarem atrás numa decisão feita há 22 anos por seu Congresso e implementada por seu presidente, bem, você seria muito naif.

É óbvio que é antissemitismo negar aos judeus o direito de escolher a capital de seu país. É óbvio que é antissemitismo negar aos judeus o direito de manter fronteiras conquistadas em guerras como TODOS OS PAÍSES DO MUNDO o fizeram, talvez menos a Austrália... É óbvio que é antissemitismo quando o Patriarca Católico Ortodoxo de Jerusalém vai à Ramallah pedir ajuda aos palestinos muçulmanos sunitas, contra a "judaização de Jerusalém", após Trump decidir mudar a embaixada americana para a Cidade Santa.

Todas as religiões são absolutamente livres numa Jerusalém capital do Estado Judeu, coisa que nunca aconteceu sob o domínio muçulmano, mas os católicos ortodoxos sempre odiaram muito mais os judeus que os muçulmanos.

"Eles recebem bilhões de dólares e votam contra nós. Bem, vamos observar estes votos. Deixe eles votarem contra nós. Nós vamos economizar muito. Eu não me importo." Disse Trump e prosseguiu: "As pessoas estão cansadas dos Estados Unidos - as pessoas que vivem aqui, nossos grandes cidadãos que amam este país - estão cansadas de estarem levando vantagens sobre nós, e não vão mais se aproveitar de nós."

A PIADA DO DIA PARA QUEM ESQUECE A HISTÓRIA.

O ministro palestino das relações exteriores Ryad al-Malki, afirmou que "Washington está ameaçando os países membros da Assembleia Geral da ONU por seus votos". Qua coisa bizarra. Logo um membro antigo da OLP que passou a década de 1970 ameaçando todos os países do mundo com sucessivos sequestros de avões com todos os seus passageiros. Uma OLP que desde 1963, não só ameaça, mas efetivamente assassina judeus em Israel não gosta quando é ameaçada... Ah... Vão catar tâmaras....

ENQUANTO ISTO NO BRASIL...

Nas mídias sociais, tolos judeus companheiros meus cobram da CONIB (Confederação Israelita do Brasil) uma posição firme diante do governo Temer (logo agora?). Cobram isto, porque a CONIB desfraldou suas bandeirolas elogiando a posse de Aloysio Nunes Ferreira como ministro das relações exteriores, mesmo ele tendo sido comunista de carteirinha e participante da luta armada contra o povo brasileiro nos anos 1960 e 1970. Sobre o ministro há duas coisas: a CONIB o chama de amigo; e os entendidos em política dizem que ele abandonou o comunismo faz muito tempo.

Ao contrário da maioria de meus amigos eu acredito que as pessoas mudam, que pesem os erros do passado e trilhem novos caminhos. Mas ficarei positivamente surpreso se Aloysio votar a favor dos Estados Unidos amanhã. E se votar será pelos interesses do Brasil e manter os braços dados com os EUA e não por interesses do Brasil com Israel ou influência perpendicular da CONIB.

UM FINAL ENGRAÇADO.

Tem gente que acha que pode vencer o Trump em negociações... Tadinhos...

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

EMBAIXADA DOS EUA EM JERUSALÉM. O QUE ISTO PODE SIGNIFICAR?

por José Roitberg

Possivelmente você não deve saber que o Congresso Norte-Americano, aprovou uma decisão vinculante (que precisa ser cumprida pelo Presidente), afirmando que a capital de Israel é Jerusalém, em 1995, no segundo ano do primeiro mandato de Bill Clinton (Democrata). Tal resolução tinha uma cláusula de que o Presidente poderia procrastinar a aceitação por seis meses. Eu nunca li o texto e dificilmente nos EUA se faz algo ilegal quando há lei. Assim, desde 1995, portando há 22 anos, a cada seis meses o presidente em questão empurra a implementação da decisão do Congresso, legalmente, para frente.

Não há nenhuma embaixada em Jerusalém apesar de lá estar a sede do governo de Israel, o Parlamento (Knesset), a Suprema Corte e os ministérios.

O mundo católico-cristão (os políticos, não especificamente as pessoas), de fato não suporta a ideia de judeus controlarem Jerusalém e darem liberdade lá a todas as religiões. Isto é muito recente na história humana e tem apenas 50 anos. De 1480 até 1967 Jerusalém esteve sobre controle muçulmano, com a proibição de culto e peregrinação de judeus, católicos romanos e cristãos. Apenas a Igreja Católica Ortodoxa é que operava lá, mas sob o estatuto de Dhimi, com os católicos ortodoxos como cidadãos de segunda classe. E as lideranças ortodoxos, que acham que a vida foi sempre assim por quase meio milênio, continuam apoiando esta solução, que preferem, à liberdade sob o 'jugo dos judeus'.

E o mundo muçulmano? Não é mera coincidência Trump telefonar para vários líderes da região e anunciar o que vai fazer neste momento. Certamente Trump deve ter dito que os americanos fazem o que bem entendem com sua política e que nenhum país irá definir onde os EUA podem ou não podem ter suas embaixadas, ainda mais por haver a decisão do Congresso de 1995.

Estamos num momento em que TODOS os países árabes estão boicotando o Qatar, que se mantém a única nação árabe a apoiar o Hamas. O curioso é serem ambos sunitas. Para exercer pressão constante sobre Israel, o Irã xiita não árabe, que está em guerra aberta com os árabes sunitas também mantém seu apoio ao Hamas, enquanto tenta posicionar tropas o mais próximo possível da fronteira de Israel na Síria, já tendo suas bases sido bombardeadas pela aviação de Israel por dois dias seguidos.

O alinhamento da Arábia Saudita com reformas duríssimas pretendo sair do Islã Radical para o Islã Moderado, liderando uma coalizão militar que envolve o Egito, Marrocos, Jordânia, UAE e Barhein, além da aproximação com Israel, indica que o acordo de reconhecimento de Israel está muito próximo e o passo norte-americano faz parte do bojo deste acordo.

As pessoas podem não acreditar, mas estamos há seis anos dentro de uma da mais fatais e extensas guerras entre sunitas e xiitas que o mundo já presenciou e as potências mundiais estão engajadas ativamente nelas. Tem gente que faz questão de não entender que a Rússia combate ao lado dos xiitas, e os EUA e Israel ao lado dos sunitas. E isso vai aumentar de proporção. Não perca de vista que os xiitas representam apenas menos de 20% da população muçulmana mundial.

E os palestinos? Vão continuar fazendo o que vem fazendo desde 1947: matar judeus. Não é uma questão política ou territorial, mas uma questão racista teológica. Obviamente vão usar a embaixada como pretexto, pois são ótimos com isso, e mobilizar mais de seus jovens para se matar em nome de Deus, levando junto quantos judeus puderem, coisa que a esquerda mundial, inclusive a judaica faz questão de não ver, De fato, para Israel, não há diferença nos palestinos manterem seus ataques homicidas-suicidas ou por foguetes com ou sem embaixada. Não precisou existir o pretexto da embaixada anteriormente para os judeus serem vítimas desta teologia do martírio por Allah.

E os judeus de esquerda norte-americanos? Estão alucinados. As notícias de hoje mostram as principais instituições da esquerda judaica, como a 'J Street' (Rua J) e o senador judeu democrata antissemita Bernie Sanders, acusando os republicanos de destruir as possibilidades de paz no Oriente Médio. Para estes, enviamos um solene: vão se danar! É um bando enorme de gente que jamais se preocupou com o assassinato de judeus em Israel, ou com a expulsão dos judeus dos países árabes. Sua plataforma político-burrológica é pretender a Solução de Um Estado para a região, defendendo um Estado Laico, sem religião, onde convivam os árabes e os judeus que bem entenderem. Essa gente patética faz a absoluta questão de não compreender que o Islã é uma religião onde ele for minoria e é um sistema político onde ele for a maioria. Jamais, palestinos aceitariam um Estado Laico.

A esquerda-judaica faria um papel histórico mais digno, se dialogasse com os palestinos que defendem, para que os palestinos aceitem a Solução dos Dois Estados.

E Jerusalém indivisível? Volto a afirmar o que quase todos os meus amigos judeus odeiam ouvir. Jerusalém, nos últimos dois mil anos sempre foi uma cidade dividida e o é hoje. Só não acredita na indivisibilidade da cidade quem não esteve lá ou olha os prédios e ruas com olhos de fé e não de realidade. Dentro dos muros da Cidade Velha os bairros são divididos. Fora dos muros, na cidade nova os bairros são divididos e há uma clara linha entre o lado árabe e o lado israelense. Então como pode-se clamara por uma Jerusalém Indivisível, se ela é dividida hoje?

O que é uma cidade dividida? Você pode ir a todos os bairros e comunidades do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Belo Horizonte, de Brasília e outras? Não pode né. Nossas cidades são divididas e fazemos questão de imaginar que não são.

Eu, pessoalmente, não vejo problema algum em que Jerusalém Ocidental seja a capital de Israel e que Jerusalém Oriental seja a capital de um futuro e necessário Estado Palestino. A capital da Autoridade Palestina é Ramallah, cidade que fica ao norte de Jerusalém. Até mesmo no Brasil temos cidades fronteiriças parte e um país, parte em outro e não há problemas com isso, apenas soluções.

Se alguém se der ao trabalho de olhar no Google Earth ou Maps, vai constatar que não existe mais solução de continuidade entre Jerusalém e Ramallah. As duas cidades, e o que tem entre elas, cresceram tanto que hoje são uma coisa só, como São Paulo e as cidades da Grande São Paulo. Apesar de existir uma divisão nominal e política nos mapas, Jerusalém e Ramallah estão unidas e isso tende a aumentar. Forçando a barra, poderíamos dizer que a capital palestina já faz parte de Jerusalém.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Senador do PT usa propaganda anti-Israel e questiona EL-AL no Brasil

João Pedro defende movimento internacional pela criação da Palestina

(07-ago-2009) O senador João Pedro (PT-AM) defendeu em Plenário, nesta sexta-feira (7), a organização de um movimento internacional pela criação do Estado palestino. Também propôs a realização de audiências públicas para debater essa questão e o comportamento das autoridades de imigração no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) em relação a pessoas que saem do Brasil com destino a Israel.

- Não haverá paz no Oriente Médio enquanto houver opressão nos territórios ocupados - afirmou.

As considerações do parlamentar sobre a causa palestina foram apresentadas em relato de viagem feita à Cisjordânia no final de julho. João Pedro conheceu a região a convite da Associação Árabe do Amazonas e, lá, foi recebido por integrantes do governo da Autoridade Nacional Palestina, como o chefe de gabinete do presidente Mahmoud Abbas, Rafiq Husseini. A ele, entregou carta de apoio à luta do povo palestino enviada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Se o Brasil respaldou a criação do Estado de Israel junto à Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948, agora é hora, conforme avaliou João Pedro, "de olhar com certa solidariedade e humanismo para o povo palestino e apoiar a criação do seu Estado". Ao mesmo tempo em que se afirmou como um defensor da causa palestina, o representante do Amazonas não poupou críticas à conduta do Exército de Israel no controle não só da circulação de pessoas nos territórios ocupados, mas da própria água que abastece sua população.

Em relação à conduta das autoridades de imigração em Guarulhos, comentou episódios de agressão e humilhação envolvendo passageiros que viajavam para Israel e Palestina. O parlamentar também disse ter presenciado tratamento degradante a viajantes no Aeroporto de Tel Aviv, em Israel.

Discurso do Senador João Pedro (PT – AM)

http://www.senado.gov.br/sf/atividade/pronunciamento/detTexto.asp?t=380460

O SR. JOÃO PEDRO (Bloco/PT ¿ AM. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) ¿ Presidente Mão Santa, Srªs e Srs. Senadores, farei, nesta manhã de sexta-feira, um balanço da viagem que fiz agora, no período do recesso parlamentar, à Palestina, à Cisjordânia. É um relato do que vi, do que senti, do meu sentimento, e meu pronunciamento vai na construção, Presidente Mão Santa, de apoiarmos a criação do Estado da Palestina.

É com a expressão salaamu alaykum, que em nossa língua quer dizer ¿a paz esteja contigo¿, que o povo palestino, mais do que saudar o próximo, manifesta sua mensagem de paz, seu desejo por liberdade e sua repulsa à violência. A violência, Senador Mão Santa, Senador Paim, Senador Mário Couto, desencadeada e levada a efeito há mais de 60 anos pelo governo israelense; a violência e a covardia expressa através do uso da força; da construção de muros descomunais e de assentamentos, com luxuosas casas, no território palestino. Merece registro também a ostensiva presença militar de Israel nos check points, onde todos são minuciosamente revistados e desautorizados, ou não, a adentrarem nas regiões ocupadas.

Em julho deste ano, deixei de ser apenas um defensor da causa palestina, um espectador à distância dessa barbárie, para conhecer in loco essa realidade que golpeia não somente a paz e a liberdade, mas agride, sobremaneira, a independência, a soberania nacional e o desenvolvimento social do povo da Palestina.

Atendendo ao convite da Associação Árabe do Amazonas, presidida por Mamun Yacub e integrada pelos palestinos e amigos da causa democrática em meu Estado ¿ e destaco, aqui: Issa Yacub, Abdel Latif, Ismael Monassa, Walid Monassa, Abdel Al Salam Monassa, Mahmoud Yacoub, Ata Yacoub, Khalid Zakri, Yussef Yacub e Kaled Yacoub ¿, ingressei em Amã, capital da Jordânia, no dia 21 último, onde fui recebido pelo Embaixador brasileiro naquele País, Fernando José Marrone, e o Conselheiro Henrique Luiz Jenné, que, em rápidas palavras, narraram as dificuldades que por certo encontraria para entrar e conhecer a Cisjordânia.

Cumpridas, finalmente, as formalidades impostas pelas autoridades israelenses para entrar na Cisjordânia, lá ingressei em companhia do Secretário da Embaixada brasileira na Palestina, o Sr. Cláudio Leopoldino ¿ e quero dizer da minha alegria em constatar um escritório do Itamaraty lá na Palestina, na cidade de Ramallah. Como dizia, no dia 23, entrei, então, na Cisjordânia, ao tempo em que me dirigi à cidade de Bani Nain (Bani Nain quer dizer filhos de Nain), na região de Hebron, onde estava sendo esperado por irmãos palestinos, entre os quais figuravam vários filhos de Bani Nain que moram e labutam no Estado do Amazonas. Eles são palestinos, filhos de Bani Nain, uma cidade de 25 mil habitantes, que, por conta dos conflitos, migraram para o Brasil, moram em Manaus, trabalham em Manaus e voltam quase todos os anos para passarem o período de suas férias lá na Palestina.

Afigura-se importante registrar, Sr. Presidente, que foi em Bani Nain que presenciei uma das mais absurdas expressões do holocausto que se abateu sobre o povo palestino. Se não fosse pouco o confisco de terras, a destruição de lavouras e toda sorte de humilhação em nome do sionismo, Israel controla 80% da camada freática da Cisjordânia ¿ controla a água onde vivem os palestinos ¿ e, via de consequência, este recurso natural, que deveria abastecer a população e os setores agrícolas, comercial e industrial, é cotidianamente controlado. Soma-se a esse quadro já alarmante a crise no tratamento da água, que também é limitado por Israel. Inobstante o alerta da Organização Mundial de Saúde de que o esgotamento e a deterioração das camadas subterrâneas palestinas são muito maiores em decorrência da destruição das estruturas hídricas e das redes de saneamento pelos bombardeios ocorridos em diversas regiões do país.

Fazendo o contraponto com essa realidade, temos, em Bani Nain, um povo feliz, um povo corajoso, esperançoso, que ainda chora seus mortos, a exemplo do Sr. Abu Nabi Manasrah, que teve seu filho, de tenra idade, aos 16 anos, executado pelo exército israelense, quando o mesmo encontrava-se em companhia de um amigo na área externa de sua residência. Esses dois jovens, Srªs e Srs. Senadores, foram mortos, assassinados, a partir de um helicóptero, localizado a 20 metros de altura.

Surpreendeu-me, naquela cidade, o poder de superação e resistência dos homens, mulheres e crianças que ali vivem, das autoridades que labutam na construção e reconstrução do seu espaço, com vistas à criação do democrático Estado Palestino. Ilustro dita afirmação com o que vislumbrei nas visitas às obras de prédios públicos de Bani Nain, acompanhado do prefeito da cidade, o Sr. Radwan Manassra.

Mas minha curiosidade em conhecer a Palestina e ¿ confesso ¿ minha crescente indignação com o controle da região pelo exército de Israel levaram-me além de Bani Nain, para mensurar, inclusive, os limites dessa conduta institucional (para nós, brasileiros, inconstitucional), que viola o direito de ir e vir dos palestinos. E foi com surpresa, Srªs e Srs. Senadores, em que pese tudo o que já havia escutado, que testemunhei inúmeros bloqueios de estradas na Cisjordânia, os quais consistem ora em cerca de metal, montes de terra e barricadas de concreto, ora em check points militares, guarnecidos por soldados fortemente armados que monitoram as estradas que correm apenas dentro da Cisjordânia, impedindo o seu povo, os palestinos, de ingressarem, por exemplo, em Jerusalém. Ademais, trajetos que, no passado, eram realizados por palestinos em 20 minutos, atualmente, por conta dos check points, levam quase duas horas. Os postos de controle de Nablus Jenin, e os de todas as cidades na Palestina, como o de Ramallah são exemplos desse absurdo.

Ou seja: para você entrar nas cidades palestinas, você tem que passar pelo rigor, pela humilhação da fiscalização feita nos postos militares instalados em todas as cidades da Palestina.

Em visita a Ramallah, nos dias 26 e 27, fui recebido na Universidade de Birzeit, onde, entre as diversas ações no campo do ensino, pesquisa e extensão, são desenvolvidos projetos de ajuda aos estudantes oprimidos no Oriente Médio, inclusive com apoio jurídico aos acadêmicos ilegalmente privados da liberdade, tendo em vista as prisões administrativas existentes naquele país, que autorizam a detenção de universitários considerados subversivos por até seis meses prorrogáveis.

Na oportunidade, fora denunciada a prisão de estudantes há mais de três anos sem acusação formal, restando sem êxito a adoção de medidas judiciais por obstarem o prosseguimento das mesmas a falta de representação das famílias dos presos para o início da ação, por temor às represálias do governo israelense.

Na verdade, a Palestina, Srs. Senadores, lamentavelmente, é uma grande prisão. Pasmem! Existem, hoje, naquela região, 11 mil presos, dos quais 3.500 cumprem prisão perpétua e 450 são adolescentes de 16 a 17 anos.

Não tenho dúvidas em afirmar que não haverá paz no Oriente Médio enquanto houver opressão nos territórios ocupados, enquanto não for garantida aos palestinos a liberdade para transitar em suas ruas.

Presidente Mão Santa, fugindo do discurso que procurei elaborar para retratar a dura realidade do povo palestino, eu quero dizer que nós precisamos, os partidos políticos comprometidos com a democracia, os intelectuais, os jornalistas, organizar um movimento internacional pela criação do Estado palestino. É inconcebível, é inaceitável que, em pleno século XXI, uma população histórica, que faz parte da história do mundo, o povo palestino, 6 milhões de palestinos não tenham um Estado. E, mais grave do que não ter o seu Estado, não ter a sua fronteira, é a presença de Israel, que tem o seu Estado criado pela ONU em 1948, inclusive com o voto do Brasil no Conselho de Segurança. Israel tem o seu Estado. Está ali às margens do Mar Mediterrâneo, mas controla, escraviza, aprisiona o povo palestino. É inaceitável!

O Brasil, como referência na América Latina e no mundo, com muita solidariedade, com muito humanismo, com muito compromisso com o futuro do povo palestino, precisa articular um movimento na ONU.

A ONU não pode se omitir, Presidente Mão Santa, de fazer uma sessão para criar o Estado Palestino. Israel deve cuidar do seu Estado e não ter uma presença, como nos dias atuais, controlando de forma abusiva o povo palestino.

No desiderato de colocar o mandato à disposição dessa causa que reputo nobre, justa, patriótica e soberana, no dia 28 de junho dirigi-me ao escritório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), onde contei com a atenção do Sr. Nasser Faqih, responsável pelo programa de apoio às famílias palestinas, programa esse que atende quatro mil famílias de um universo de sessenta mil, que hoje dependem de ajuda humanitária naquela região.

Outro ponto visitado por mim foi a sede do governo da Autoridade Nacional Palestina, onde fui recebido pelo chanceler da ANP, Dr. Riad Malki, pelo chefe do gabinete do Presidente, Dr. Rafik Husseini, e pelo Ministro da Agricultura da Palestina, Sr. Ismail Daiq, ocasião em que o chanceler Malki destacou a importância da atuação da comunidade internacional como intermediária junto a Israel para que sejam reiniciadas as negociações de paz.

Acolhendo sempre com muito interesse as exposições formuladas pelas autoridades palestinas, entreguei ao Dr. Rafik Husseini, para que fossem repassadas às mãos do Presidente Mahmoud Abbas, cartas de apoio à luta do povo palestino enviadas pelo Senador Eduardo Azeredo, Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, bem como do Deputado Ricardo Berzoini, Presidente Nacional do Partido dos Trabalhadores.

Em conversa com o Ministro da Agricultura da Palestina, Sr. Ismail Daiq, S. Exª resgatou a existência de dois projetos de cooperação em andamento, entre o Brasil e a Palestina, nas áreas de piscicultura e recuperação de pastagens, no valor de US$12 milhões. Mencionou, ademais, o interesse em buscar formas possíveis de aumento da oferta de ração animal no mercado palestino, da qual a atividade pecuária local (ovinos e caprinos) é dependente, tendo em vista a aridez do clima e a consequente escassez dos pastos naturais. De igual modo, destacou o interesse do governo palestino em facilitar a importação de carne bovina brasileira, contribuindo para a redução dos elevados preços que o produto alcança no mercado palestino.

Por oportuno, aventei a possibilidade de buscarmos, Brasil e Palestina, canais de cooperação entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Raba, seu homólogo palestino, com vistas a permitir o intercâmbio e o treinamento de técnicos dos dois órgãos.

Não podemos olvidar, no campo dos projetos de cooperação, a atuação do Brasil, da África do Sul e da Índia, que, em parceria, vêm financiando um projeto importante de construção de um complexo esportivo e escolas na Palestina. E o Brasil acaba de colaborar com a doação de uma praça no centro de Ramallah.

Para finalizar, Sr. Presidente, não poderia encerrar minha viagem e tampouco este discurso sem mencionar minha ida ao túmulo do líder Yasser Arafat. Yasser Arafat é, inexoravelmente, uma das personalidades políticas mais conhecidas e publicitadas da segunda metade do século passado. O seu nome identifica-se com a luta do povo palestino, por sua condição de grande e maior interlocutor da causa de sua gente. Sendo um homem extremamente afável no seu trato pessoal, deu provas de sua firmeza exemplar quanto às suas convicções e de um impressionante valor moral e físico. Por ter sido um homem de coragem e de princípios, ele tem hoje um lugar inapagável na história. Os seus últimos anos, praticamente até a morte, foram de indomável resistência, arriscando a vida a cada hora, a cada minuto, no seu último refúgio, que foi a sede do Governo da Autoridade Palestina em Ramallah.

Yasser Arafat tornou-se um ícone para o seu povo, um ícone que perdurará incontornável enquanto houver Palestina. E não tenho dúvida, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, pela força e coragem do povo palestino que conheci, que a Palestina sobreviverá para sempre.
Presidente Paim, que tem mandatos no Congresso Nacional em defesa dos direitos humanos e compromisso de vida com os direitos humanos, quero chamar a atenção de V. Exª para a dura realidade da vida do povo palestino. E, como V. Exª tem uma presença na Comissão de Direitos Humanos do Senado da República ¿ é grave o que vou dizer aqui, Sr. Presidente e Srs. Senadores ¿, gostaria que pudéssemos fazer uma audiência pública aqui no Senado. Quero propor duas audiências públicas: uma no âmbito da Comissão de Direitos Humanos, para averiguarmos, junto às autoridades do Aeroporto de Guarulhos, de que forma são tratados os passageiros que saem do Brasil, por São Paulo para Tel Aviv, para Israel. A humilhação, Sr. Presidente, imposta a brasileiros e a palestinos que vivem no Brasil. A comunidade palestina no Brasil é grande. No Rio Grande do Sul, estão os árabes, assim como em Santa Catarina, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no meu Estado, o Amazonas. Esses cidadãos são submetidos a constrangimentos absurdos aqui no Brasil.

O Brasil não é Tel Aviv. O Brasil não é Israel. Nós não podemos aceitar essa humilhação, Presidente Paim. Estou colocando isso para que V. Exª... Vou formular um requerimento, mas precisamos ouvir a todos e, quem sabe, fazer uma visita in loco ao Aeroporto de Guarulhos para presenciarmos o tratamento dispensado às pessoas do Brasil que se deslocam para Israel, que se deslocam para a Palestina.

Porque lá em Israel é humilhante. V. Exª não imagina o que as autoridades alfandegárias e militares fazem contra as pessoas que viajam a Israel. Presenciei. Fiz essa viagem acompanhado da minha esposa e presenciei o tratamento dispensado, no Aeroporto de Tel Aviv, às pessoas que chegam e às pessoas que saem. É humilhante a fiscalização.
Há poucos dias, agora, na minha viagem, telefonei para um cidadão que estava na Palestina e que viajou. Colocaram esse brasileiro despido, nu, no Aeroporto de Tel Aviv. Presidente Paim, a comunidade internacional não pode fechar os olhos e os ouvidos para essa realidade da Palestina, do Oriente Médio.

A outra audiência pública que vou propor é com a presença do Chanceler Celso Amorim e de autoridades brasileiras, para começarmos, aqui nesta Casa, que tem compromissos com a democracia, uma articulação para apoiarmos a criação do Estado Palestino. Nós temos que virar esta página da nossa história.

Israel, já disse aqui, tem seu Estado desde 1948, desde o pós-Segunda Guerra Mundial. E como é que fica o povo palestino? Crianças, jovens, seis milhões de seres humanos, sem um estado, sem um país, sem uma fronteira, com esse agravante, que é a presença militar de Israel dentro da Palestina?

Presidente Paulo Paim, os palestinos estão proibidos de visitar sua capital, Jerusalém. Eles não podem adentrar, não podem visitar Jerusalém. Imagine o brasileiro ser proibido de visitar Brasília. Imagine! Imagine o gaúcho ser proibido de visitar Brasília. Só entram em Jerusalém palestinos que morem em Jerusalém. O restante daquela imensa população não entra em Jerusalém desde a Guerra de 1967.

Eu quero fazer desta fala, nesta manhã de sexta-feira no Senado, não só um relato da minha viagem, mas denúncias acerca desse holocausto. Israel e o povo judeu que não perdoa, até hoje, o que aconteceu com eles na Segunda Guerra Mundial, o sofrimento, os assassinatos, que nós repudiamos, que nós condenamos. E como é que faz igual? Como é que faz a mesma coisa? Como é que proíbe esse direito de ir e vir? Todos que vivem na Palestina, a qualquer hora, Presidente Paulo Paim, chegando um tanque em frente à sua residência, podem ser revistados e presos, sem um mandado judicial ¿ sem um mandado judicial!

Então, são as denúncias que faço. Mas há também as duas propostas para que nós, aqui no Senado, possamos realizar duas audiências públicas: uma para debatermos a construção e esse direito de o povo palestino ter o seu Estado; a outra com relação ao comportamento das autoridades no Aeroporto de Guarulhos para com as pessoas que saem do Brasil para Israel.

Sr. Presidente, era o que tinha a dizer.
Muito obrigado.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ahmadinejad deve ser bem recebido no Brasil

Estou dando minha cara a tapa para um monte de gente, mas após dois dias de convívio na ONU aqui no Rio de Janeiro com jornalistas e políticos israelenses, palestinos, turcos russos brasileiros antissemitas abertos, árabes brasileiros mais moderados que O Globo, embaixadores etc, passei a ver as coisas de uma outra forma e convido você a fazer uma reflexão não emocional.

Relações internacionais e diplomacia são jogos de cachorro grande. Não há respostas verdadeiras para as perguntas. Não há certezas. Não há nada simples. Não há nada preto e branco. As coisas na maior parte das vezes não são o que parecem, ou pior, são ditas mas não são publicadas, como ocorreu com a cobertura extremamente parcial e ignorante da grande mídia à este evento.

Tudo que os participantes falaram contra Israel (judeus e não judeus) foi publicado basicamente. Tudo que palestinos falaram contra palestinos e contra o Hamas, não foi publicado. Os comentários do ministro Celso Amorim foram pinçados e tirados do contexto. Ele falou por 34 minutos e as matérias apontam para quatro ou cinco linhas de coluna de jornal. Lamentável.

Nosso ministro das relações exteriores foi abertamente claro sobre a posição brasileira em relação ao Oriente Médio. Claro e público, mas não publicado. A frase que vimos hoje nos jornais foi mais ou menos: o muro construído nas áreas palestinas é insuportável... mas ele continuou e isso não foi impresso, "essa foi minha primeira impressão. Depois de alguns dias você se acostuma,,,"

Tudo que foi dito nestes dois dias sobre Ahmadinejad vindo ao Brasil ou lá em Teerã foi varrido do papel jornal, como se o que aconteceu não tivesse acontecido: negação da verdade, revisionismo do dia anterior. O representante da Turquia no evento foi enfático na ameaça nuclear do Irã à Turquia, à Jordânia, à Arábia Saudita, ao Egito e é claro à Israel. Disse que pela primeira vez desde sua independência um dirigente saudita foi à Turquia. O rei Faiçal foi duas vezes lá este ano e não foi para comprar tapetes. Lembre que Turquia e Israel possuem um acordo de cooperação militar válido e ativo.

Ahmadinejad deve ser recebido bem no Brasil porque somos brasileiros e tratamos bem as pessoas. Ahmadinejad não é inimigo do Brasil e é um falastrão no poder no Irã. Ele, pessoalmente, nada pode fazer para ditar a política de seu país. O Irã e seus projetos de conquista do mundo, de transformação de cada um de nós em muçulmanos é um sonho retórico, uma utopia islâmica irrealizavél de Estado e não de uma pessoa. Do Conselho de Aiatolás, não de um em especial.

Além disso para o estado Xiita dominar o mundo precisa eliminar os Sunitas, que são a maioria e o poder nos outros 53 países muçulmamos e encarar
de frente a Al Qaeda, sua inimiga mortal. Se você fosse o líder do Irã e tivesse que escolher onde jogar a bomba, jogava em Israel matando judeus, cristãos, católicos e palestinos (isso não é problema pois são sunitas) ou jogava na cabeça da monarquia sunita que controla Meca e a Kaaba não permitindo a peregrinação obrigatória dos xiitas iranianos? O que é mais importante para um estado muçulmano conquistar? Jerusalém ou Meca? Saddam tentou. E também tentou varrer o Xiitas iranianos do mapa, numa guerra de 10 anos com 1 milhão de mortos. Quem tem o poder de resistir e retaliar: Jerusalém ou Meca?

Alguém em sã consciência sabendo da quantidade de mísseis norte-coreanos que foram levados de navio para o Iraque e para o Irã acha que os xiitas precisam perder tempo enriquecendo urânio para fazer sua própria bomba? Um país que fornece os foguetes tem as bombas. Se vende uns, vende outros.

Há uma avaliação de dois pontos sobre o terrorismo internacional: (1) se obtiverem arma química, radiológica, bacteriológica ou nuclear, vão usar e, (2) se usarem o mundo, todas as leis, sistemas de transporte, todas as relações internacionais e comerciais mudam e ninguém sabe para que lado - um ataque e a civilização atual muda para a nova realidade - talvez por isso ainda não tenham feito pois o grau de imprevisibilidade é total. Uma bomba hoje não destrói uma cidade: ela redefine a civilização, por menor que ela seja.

Por traz de Ahmadinejad há um sistema. Há diversos escalões políticos e operacionais para baixo e escalões religiosos para cima. Ahmadinejad não controla a Guarda Revolucionária e nem o Hezbollah iraniano ou libanês. Ele está no meio disso e é o porta-voz do que lhe dizem para falar. Testa de ferro para os conspiradores.

Ainda fico impresisonado com o alinhamento automático ocidental a favor dos rivais eleitorais de Ahamadinejad, ainda mais quando a menina de 16 anos morreu baleada numa das manifestações. Todas as outras mortes são irrelevantes e se opta por tornar algo emblemático porque alguém gravou. As outras mortes foram mais confortáveis para as vítimas ou seus parentes? Mas aquela oposição a ele é exatamente do partido que governava, planejou e executou os ataques contra a Embaixada de Israel e contra a Amia! Vou eu ter um segundo de consideração com este grupo político porque ele é contra o grupo de Ahmadinejad? Eles que se danem! Eles JÁ FIZERAM! Eles JÁ NOS MATARAM! Eles mandaram seus filhos e netos marchar sobre campos minados iraquianos para poupar seus soldados adultos. E fizeram isso tudo quietos! O Ahamdinejad fala para caramba. Suas primeiras declarações de negação do Holocausto fizeram o barril do petróleo disparar; A insistência, concursos, convenções mantiveram a alta. De uns meses para cá o que ele fala não afeta mais o preço do petróleo.

É complicado para os brasileiros entenderem que confirmadas as imensas reservas do pré-sal, o Brasil passa a ter a maior reserva mundial de petróleo (tirando o Alasca) num momento em que os países produtores tradicionais estão vindo rapidamente ladeira abaixo no gráfico de suas reservas. Nos anos 1970 tinha-se a certeza de que a essa altura já não haveria mais petróleo. Não há nada mais na região do Golfo Pérsico além do que existe neste momento. Aqui estamos começando e as empresas árabes, iranianas, americanas, inglesas, francesas, holandesas, japonesas, venezuelana e chinesas vão explorar petróleo aqui. Não imaginem por um minuto que isso não vai acontecer. O Brasil não dá conta sozinho nem do investimento nem da escala de produção. Vai ser um petróleo caro numa era de escasses. A balança do poder mundial vai mudar rápido, isso sem levar em conta o etanol brasileiro.

Ahmadinejad é fruto de um país, de uma ideologia. Se você quer reclamar, se você não concordar com o que o Irã é, proteste contra o Irã. Não proteste contra o porta-voz do Irã. Aquilo lá não é uma ditadura como alguns de seus aliados. Possui todas as instituições para o bem e para o mal. Para a nossa realidade e para a realidade deles. Não compre esse discurso de que Ahmadinejad é Hitler porque nega o Holocausto. Hitler foi Hitler por que realizou o Holocausto. Todos os líderes nacionalistas e panarabistas falaram a mesma coisa: Gamal Adbel Nasser, Saddam Hussein e até mesmo Anuar Sadat que atacou no Kippur, assinou a paz alguns anos depois e foi assassinado pelo embrião da Al Qaeda, um grupo egípcio radical islâmico onde estava Mohamed Al Zahawiri o atual número 1 ou 2 dessa excrescência taliban. A banalização de quem é um hitler de uns anos para cá já tirou até o significado do nome: o outro é um hitler, eu não.

Em português "radicais" já foram apelidados de xiitas, e depois de talibans. Hoje hitlers são lançados à direita, à esquerda e ao centro, dependendo de quem os joga.

O ministro Celso Amorim deixou bem claro que um dos pontos da visita recente de Lieberman o amado por poucos e odiado por muitos, ministro das relações exteriores israelense, foi o de pedir ao Brasil como um interlocutor aceito por Israel, pelo Irã, Síria, palestinos, Líbia e outros árabes, que mostre ao Irã que o caminho correto é o uso pacífico da energia nuclear, até por que eles precisam se preparar para o fim do petróleo deles enquanto podem. Não sei se você sabe mas a eletricidade no Irã é quase toda fornecida em usinas que queimam petróleo e o país nunca teve a visão para construir sequer uma refinaria: precisa importar todo seu combustível e milhares de derivados de petróleo, até para fabricar plásticos e asfalto. Todo o gás que tinha foi queimado e está queimando nos respiros dos poços. A matriz energética por lá é quase inexistente.

A idéia geral não é se preocupar com quem o Irã enforca ou deixa de enforcar segundo suas leis, mas impedir que Israel e outros países sejam atacados por uma arma nuclear, ou pior: que tenham que atacar o Irã e nunca saberemos se havia ou não arma nuclear envolvida. Conhecemos essa história com o Iraque. O necessário é impedir uma guerra de consequências imprevisíveis e não protestar contra violação de direitos humanos no Irã. Há 1 bilhão de muçulmanos para fazer isso, mas no fim das contas não fazem por que vítimas e algozes são xiitas iranianos enquanto os outros são em quase sua totalidade sunitas, logo, os xiitas que se danem, estando no poder ou na ponta da corda...

A interlocução do Brasil pode surtir efeito para levar o Irã ao uso pacífico da energia nuclear. Precisamos apoiar isso. Precisamos enxergar a geopolítica e não notícias picadas que nos levam a cometer graves erros de julgamento.

Na época das outras manifestações contra a vinda de Ahmadinejad ao Brasil eu não participei. Agora resolvi ser mais enfático pois já estou vendo circular aquelas bobagens de "vote na enquete..." A vitória cantada em verso e prosa foi qual mesmo? Alguém acha que o cancelamento da viagem teve algo a ver com as manifestações? Israel se pauta por um punhado de radicais brasileiros nas ruas gritando palavras de ordem? O Irã vai se pautar por um punhado de cidadãos brasileiros reclamando de sua política? Além disso, enquanto se davam tapinhas nas costas, toda a missão comercial iraniana já estava no Brasil - chegou antes. Todos os acordos foram assinados e a visita transcorreu sem nenhum incidente, protesto ou exposição na mídia. Mas, ELE não veio...

Amigo e amiga: a questão é a bomba não o burro.

José Roitberg - jornalista

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Hamas repete programa infantil que defende homens-bomba

clipping - TV do Hamas volta a colocar no ar: A menina então vê uma reportagem sobre o bombardeio suicida e canta "Só agora eu entendo o que era mais importante do que a gente".
 

RIO - Era para ser um programa infantil, mas o "Jovens Pioneiros", exibido pela televisão Al-Aqsa, do Hamas, é conhecido por forçar os limites do que a maioria das pessoas considera um conteúdo apropriado para crianças.

Um episódio do programa que gerou polêmica e que foi ao ar há dois anos retratava duas crianças palestinas assistindo a imagens na TV de sua mãe se preparando para a execução de um bombardeio suicida. O programa foi repetido recentemente, desta vez com plateia no estúdio.

O jovem âncora desafia: "E aqui nós dizemos ao ocupante (Israel) que vamos seguir a doutrina, a doutrina da mártir mujahida (guerreira sagrada) Reem Riyashi, até que libertemos nossa terra natal de suas mãos ilegítimas". Reem Riyashi matou quatro israelenses em um ataque na fronteira entre Gaza e Israel, em 2004.

No vídeo, uma atriz, interpretando o papel da mãe, prepara os explosivos para sua missão, enquanto ignora as perguntas de seus filhos sobre o que está fazendo. "Mamãe, o que você tem nas mãos: um brinquedo ou um presente para mim?", diz a filha.

A menina então vê uma reportagem sobre o bombardeio suicida e canta "Só agora eu entendo o que era mais importante do que a gente".

O grupo israelense de monitoramento Palestinian Media Watch condenou publicamente o programa quando ele foi exibido pela primeira vez.

Dr. Eyed Sarraj, um conhecido psiquiatra palestino que vive em Gaza, preocupa-se com o impacto da glorificação dos homens-bomba para as crianças. Segundo ele, as crianças em Gaza foram tão traumatizados pela violência entre Israel e Palestina que sua percepção de vida e morte é deformada.

A maioria da população na região pode assistir à TV Al-Aqsa se tiver o receptor de sinal certo, mas não é possível precisar quantos de fato sintonizam o canal ou quantos viram essas imagens. Como o produto é realizado pelo Hamas, é provável que a audiência seja mais restrita aos afiliados políticos do grupo.

Há dois anos, a emissora criou um personagem no estilo de Mickey Mouse que encorajava a "resistência violenta" contra Israel e simulava o uso de uma AK-47 e granadas.