sábado, 7 de dezembro de 2013

1914-1918 - A Guerra Dos Judeus

Primeira Guerra Mundial? Onde estavam os judeus? O que fizeram? Combateram? Foram perseguidos? Para quem se interessa pelo Holocausto, a resposta está na ponta da língua: dos 500 mil judeus alemães, 100 mil participaram da Primeira Guerra Mundial e 12.000 morreram. E se dissermos que estes 100.000 judeus alemães não significaram nem 20% dos judeus que combateram pelas Potências Centrais (Império Austro-Húngaro, Alemanha, Bulgária, Império Turco-Otomano)? E se mostrarmos que 1.500.000 (um milhão e meio) de judeus estiveram em armas naquele período, receberam treinamento, participaram de combates e ações militares? Onde estavam os europeus deste contingente, 22 anos depois, quando a força das armas e o treinamento militar poderiam ter feito a diferença ao se depararem com a sanha nazista?


A grande decepção reside no fato dos que querem estudar o tema ou conhece-lo mais, nada encontrarem sobre o assunto nos livros didáticos ou históricos. Não há livros escritos pelos ex-combatentes de nenhum país. Não há quase nada na internet. Não há livros escritos pelos comandantes judeus na Primeira Guerra Mundial. Os que combateram e imigraram depois, deixaram de lado sua formação e o combate. A Primeira Guerra Mundial foi tão terrível que praticamente todos decidiram não contar nada. Os poucos relatos fiéis existentes são os das citações oficias das medalhas, em todos os países, pois resumem a ação heroica que levou à sua concessão. Na imprensa judaica carioca não há uma linha sequer sobre os judeus que combateram na Primeira Guerra Mundial e sobre os imigrantes ex-combatentes posteriores. Na imprensa geral há material sobre os judeus e sobre os brasileiros envolvidos: uma outra história mais complexa.



 AJEX - Association of Jewish ex-Service Men and Women Inglaterra.
Foto de Ronaldo Gomlevsky

Os ex-combatentes judeus na América Latina, não formaram associações. Na Inglaterra, EUA, Canadá e Alemanha, formaram, mantém museus (menos na Alemanha) e tem sua história preservada. É exatamente de um jornalista judeu norte-americano, chamado Bernard Postal, quem vem os dados a seguir. Este homem assinou uma matéria sobre o assunto, publicada no Canadian Jewish Chronicle,  já impresso quando aconteceu a "Noite dos Vidros Quebrados" em 9 de novembro de 1938. Para o dia seguinte, estavam marcadas comemorações em toda a Europa, pela derrota alemã de 20 anos antes. A "Noite dos Vidros Quebrados" também foi uma arma da propaganda nazista para mostrar ao mundo a força do regime e varrer as comemorações tão antecipadas e programadas em todas as capitais aliadas. Funcionou de fato. Postal levou alguns anos recolhendo e classificando dados oficiais para podermos, hoje, reescrever a história. Ao longo de sua vida, Postal teve vários cargos importantes, como o de diretor de relações públicas da B'nai Brith americana ao longo de toda a Segunda Guerra Mundial e outros.


Em 1938 Postal derrubou uma noção arraigada de que os judeus do século 19 e início do 20, não pegavam em armas e pegar em armas seria um reflexo da necessidade da luta sionista pela existência e manutenção de judeus na Palestina e depois, do Estado de Israel. Em alguns países das Potências Centrais os judeus não podiam chegar ao oficialato. Na Rússia ainda estava em vigor o serviço militar obrigatório de seis anos para os primogênitos judeus. A saber, antes, era de 25 anos - uma sentença de morte ao completar 18 anos de idade. Por outro lado havia clubes de tiro e esgrima judaicos a ponto das medalhistas de ouro e prata da esgrima na Olimpíada de 1936 em Berlim, terem sido duas judias: uma húngara e outra alemã.


 AJEX - Coronel Cohen. Foto de Ronaldo Gomlevsky

A Primeira Guerra Mundial mobilizou 65 milhões de homens de 16 países. Um milhão e meio eram judeus! Praticamente 10,7% do total da população judaica do mundo. Se reduzirmos isso somente aos homens, teremos 20% da população masculina. Se adotarmos uma pirâmide populacional normal e genérica onde uns 35% da população masculina estava em idade para serviço militar, então o número fica assustador: em torno 57% dos homens judeus em idade militar participaram da Primeira Guerra Mundial. Então, como é que fica na história e na memória, que os judeus não estavam lá? De cada grupo de 10 judeus entre 18 e 40 anos de idade, mais de 5 estavam em farda e armas!

“Culto Judaico no Campo - Rabino de Campo Dr Sondeling de Hamburgo - Autorizado pelo Comando de Sua Majestade o Kaiser Alemão - em 29/30 de setembro de 1914” É um cartão postal alemão que mostra oficiais e soldados judeus alemães na cerimônia de Rosh Hashaná de 1914


Logo após os primeiros combates em 1914, os imigrantes não naturalizados no Brasil, que eram reservistas, foram rapidamente para seus países na Europa. Entre 1915 e 1918, várias levas de reservistas naturalizados e de voluntários brasileiros descendentes de cada país envolvido foram combater na Europa, inclusive judeus franceses e provavelmente judeus alemães. Até o fechamento desta edição a embaixada da Alemanha no Brasil ainda não havia conseguido entregar dados corretos sobre os brasileiros que combateram pela Alemanha. O arquivo da associação dos ex-combatentes franceses, foi destruído no mesmo desabamento de edifício que destruiu a nossa biblioteca Hatchia em 1957, mas o mausoléu dos cariocas mortos em farda francesa está lá no cemitério São João Batista, a e lista de nomes judeus é significativa. Não havia imigrantes norte-americanos no Brasil, exceto um ou outro comerciante e os ingleses já estavam há mais de 100 anos Brasil e eram apenas brasileiros. O governo do Catete nunca interferiu na ida destes reservistas, naturalizados ou não, para o combate na Europa.


No mausoléu da AFAC - Associação Francesa dos Ex-Combatentes, no cemitério São João Batista no RJ temos a lista de franceses que foram do Brasil combater na Europa e de brasileiros da Legião Estrangeira que tombaram na Primeira Guerra Mundial. Todos receberam a Legião de Honra postumamente. Os judeus com nomes óbvios listados são: Artur BLOCH, Pierre BLOCH, Marcel BLOCH, Jaques FRANKFORT, Isaac MARX, Emile SCHUSTER, René SCHUSTER, Manuel LIPPMANN, André ROSENTHAL, Leon CIESIEELSKI, e Richard SASSO.


Na Segunda Guerra Mundial temos apenas sete franceses neste mausoléu, e dois judeus Georges SCHTINBERG e Michel WIEDMANN.




Os jornais de época sempre faziam matérias com os que voltavam da frente de batalha de licença, e depois retornavam à carnificina que empolgava a maioria do mundo. Além dos oficiais da Marinha e do Exército brasileiro que participaram como adidos aos diversos comandos na Europa, tivemos diversos oficiais que comandaram tropas, e combateram nas trincheiras, e até mesmo nos céus. Ainda contaremos melhor a história de vários destes homens que representavam nossas forças armadas e chegaram a postos de comando. Vários dos voluntários brasileiros chegaram ao oficialato, como um rapaz italiano do Rio de Janeiro, que ganhou suas divisas de tenente nas batalhas e depois foi transferido para a força aérea italiana, combatendo os aviões austríacos.


15-agosto-1914 - Reservistas franceses no Cais Pharoux (ao lado da Estação das Barcas na Praça XV, embarcando para a França no navio La Plata. Os jornais não publicaram nomes, mas é possível que alguns dos judeus e alguns dos mortos em combate estejam nesta foto publicada pela Revista da Semana (do Jornal do Brasil).


Dos 65 milhões de homens, as Potências Aliadas mobilizaram 42 milhões e as Potências Centrais mobilizaram 23 milhões. Vestiam uniformes representando uma população de 1 bilhão de pessoas. A população judaica no início da guerra era estimada em 14 milhões. E até o final dela, 13.500.000 viviam nos países envolvidos. Perto da metade destes judeus ficou presa na Europa Oriental onde os exércitos ficaram engajados durante todo o conflito. Naquele momento, havia 2 milhões de judeus na Polônia russa, 1 milhão de judeus na Galícia austríaca e nada menos que 3.500.000 de judeus nas quinze províncias russas que compunham o Pale of Jewish Settlement, ou Zona de Assentamento Judaico, criada pelo Império Russo, como zona-tampão entre suas terras principais e o Império Austro-Húngaro. Onde os combates aconteceram na frente oriental.

Mlawa, Polônia, oficiais e soldados judeus do exército russo pouco antes da WW1


Considera-se que o sofrimento destes 6.500.000 milhões de judeus não foi diferente do sofrimento da população em geral nas áreas ocupadas pelas Potências Centrais na Polônia, Bélgica e na França. As populações civis ficaram a mercê de furtos, roubos, agressões, deportações, assassinatos sem motivo e estupro pelos invasores e algumas vezes por exércitos aliados de etnias diferentes.



Os judeus russos e poloneses sofreram nas mãos das tropas alemães e austríacas. Os judeus da Galícia austríaca sofreram nas botas do soldados russos. Mas há um agravante, um sinal que não foi compreendido e é ignorado até hoje. Durante a Guerra houve pogroms (ataques contra vilas, cidades e bairros judeus organizados pela população civil ou por tropas, com ou sem apoio de soldados e policiais locais) especificamente dirigidos contra os judeus na Europa Oriental - um prelúdio da matança que se iniciaria em 1941. Estima-se que 50.000 civis judeus foram massacrados em centenas de ações violentas e nem é possível estimar o número de feridos e de estupros. Outros 100.000 judeus da Europa Central morreram em consequência da falta de alimentos e de doenças durante a guerra. Os números não são nem exatos nem definitivos: são os números oficiais divulgados em 1938 e para os quais ninguém liga. Nunca foram divulgados ou pesquisados os números de civis judeus mortos na Europa Ocidental durante a Guerra. Esse é um cenário que compõe a necessidade dos judeus saírem da Europa e Rússia após a guerra criando uma fortíssima onda de imigração nas Américas. Também não há contabilização dos mortos na sequência guerra, na Gripe Espanhola.

Entre os 42 milhões de soldados Aliados, 1.055.600 foram judeus, ou seja 2,5% do total entre uma população onde os judeus somavam apenas 1% da totalidade. As Potências Centrais mobilizaram 450.500 judeus, 350.000 a mais que aquele conhecido "número 100" da Alemanha. Entre os judeus mobilizados por países aliados, temos: Rússia 650 mil (inclui Polônia e todos os países do Pale), Estados Unidos 250 mil, França 55 mil, Império Britânico 50 mil, Romênia 38 mil, Itália 6 mil, Bélgica mil, Sérvia e Grécia 1.200 cada. No Japão e Montenegro não havia judeus e os poucos judeus de Portugal não foram recrutados, apesar de alguns voluntários terem servido como oficiais.

No Brasil não encontramos registro de militares judeus brasileiros participando da WW1.

Nas Potências Centrais os judeus convocados se dividiram em: Áustria-Hungria 320 mil, Alemanha 100.000, Turquia 18.000 e Bulgária 12.500. Em termos percentuais, as potências centrais, que temos como "inimigas", recrutaram judeus e não judeus na mesma proporção da sociedade. Já os aliados, os "amigos" recrutaram judeus com uma proporção entre 30% e 90% maior que a sociedade em geral, mas as maiores porcentagens são as dos países que recrutaram menos judeus. Nos EUA, o índice de judeus é ligeiramente maior, pois houve uma enorme quantidade de voluntários.

Pessach de 1919 em Jerusalém. Estes são soldados judeus do exército inglês que lutaram no Oriente Médio em 1917-1918. O fotógrafo escreveu a assinatura dele em hebraico à direita e no barrete turco do soldado em primeiro plano "Pessach Israelitas", também em hebraico.

Na morte, as coisas foram mais igualitárias e o número de judeus mortos é impressionante: 11% entre os Aliados e 12% entre as Potências centrais. Só entre os russos foram 100 mil militares judeus mortos (número que inclui os combates da revolução comunista de 1917), outros 9.500 entre os franceses, 2.400 britânicos, 500 italianos, 3.400 americanos, 900 romenos, 250 sérvios, 125 belgas e 300 gregos. Um total de 117.375 soldados judeus mortos. Nas Potências Centrais, foram 12 mil alemães, 40 mil austro-húngaros, mil turcos e mil búlgaros, um total de 54.00 judeus mortos. Somando os civis contabilizados, chegamos a cerca de 322.000 judeus mortos na Primeira Guerra Mundial, com uma estimativa baixa. Não há dados sobre o número de feridos nem os que morreram depois em consequência de ferimentos.

9 de AV 5678 - 28/jul/1918 - Soldados ingleses judeus no recém libertado Kotel (Muro das Lamentações) em Jerusalém. Os poucos judeus sentados no chão indicam que a situação estava longe de ser normal. A Batalha de Jerusalém ocorreu entre 17 de novembro e 30 de dezembro de 1917. Tropas inglesas, australianas, indianas e neozelandesas derrotaram tropas turcas e alemãs. No total, a luta pela Palestina vitimou 18.000 Aliados de 25.000 homens das Potências Centrais. Praticamente nenhum ocidental compreende que os muçulmanos venceram as Cruzadas e que o Catolicismo Vaticano perdeu. Jerusalém ficou sob domínio muçulmano ininterrupto de 1500 a dezembro de 1917, quando católicos anglicanos britânicos comandados pelo General Allemby, expulsaram os muçulmanos sunitas de lá.

Cemitério Militar da Primeira Guerra Mundial no Monte Scopus em Jerusalém


ESTADOS UNIDOS


Para finalizar, alguns dados americanos impressionantes: 30% dos judeus se alistaram para os Fuzileiros Navais (Marines), quando se anunciou que seria a tropa de primeiro combate e 3,4% dos fuzileiros eram judeus, dos quais 100 eram oficiais, inclusive seu comandante, o brigadeiro-general H. Lauchheimer. 7% da Força Aérea era composta por judeus. No total os americanos tiveram 6 generais judeus, mais de 100 coronéis, mais de 500 majores, 1.500 capitães e 6.000 tenentes. Na marinha foram mais 900 oficiais judeus. Não menos de 1.100 medalhas de valor foram entregues a judeus americanos: 723 pelos americanos, 287 por franceses, 33 pela Inglaterra além de outras 46. A maior comenda americana, a Medalha de Honra do Congresso foi dada a 6 judeus e a Cruz de Serviços Distintos, a 150. A Medalha Militar Francesa (sua maior honraria) foi concedida a 4 judeus americanos e Cruz de Guerra, a outros 174.


INGLATERRA


A Inglaterra teve 1.140 oficiais judeus. Nos domínios britânicos (diversas áreas coloniais menores) viviam 17.000 judeus e 2.000 deles foram para a guerra. Na Austrália havia 80.000 judeus e 6.000 foram para a guerra. Da Índia serviram 100 judeus. Os judeus britânicos deixaram no campo de batalha 334 oficiais e 2.091 soldados mortos. Outros 6.800 foram feridos.

Dois ativistas sionistas, cujos nomes são hoje bem conhecidos e identificados com a “direita judaica”, Joseph Trumpeldor e Vladimir (Ze'ev) Jabotinsky, foram decisivos na criação de unidades de combate apenas de judeus nos exércitos britânicos. A primeira foi o Corpo de Mulas Zion (de transporte) em 1915, que serviu na batalha de Galipoli, contra os turcos. Depois, Jabotinsky conseguiu a criação dos batalhões 38th, 39th e 40th do Fuzileiros Reais. Foram coletivamente chamados de Legião Judaica. Na foto, Jabotinsky é o terceiro da direita para a esquerda na fila central com os braço cruzados. Esta é uma foto 16th Pelotão  do Batalhão de Londres, durante treinamento em 1917. Iriam se juntar ao 38th. A bandeira com duas estrelas de Davi e a Union Jack no centro era normal para os batalhões de judeus britânicos.



FRANÇA


Nos exércitos franceses, havia 40.000 judeus da Europa e outros 15.000 das colônias: Argélia, Tunísia e Marrocos. Mas na França, residiam 30.000 judeus russos, romenos e turcos e 12.000 deles foram voluntários na Legião Estrangeira, lutando contras seus próprios países de origem: 2.000 morreram. Estes são alguns dos números oficiais de uma guerra mundial onde judeus combateram em todos os países, mataram-se nacionalisticamente e com orgulho, mas tiveram sua memória varrida da história, dando a impressão de que os judeus nunca estiveram lá.

OS ARGENTINOS DESAPARECIDOS



Mas em 9 de outubro de 1918, chegaram ao Rio, de passagem, 52 voluntários judeus uniformizados do 52o Batalhão de Caçadores do exército argentino. Só que a Argentina nunca declarou guerra à Alemanha e não se sabe o que foi feito destes homens. É provável que tenham ido para a Legião Estrangeira francesa. O jornal "A Epoca" é contundente: "Foi de uma imponência fóra do commum a manifestação de carinho promovida pela colonia israelita aos voluntários seus patrícios vindos de Buenos Aires... A Associação Sionista do Rio de Janeiro preparou uma acolhida digna aos destemidos voluntários que desembarcaram em meio das mais vivas acclamações." Foi uma recepção que surpreendeu a cidade.

Existe o mito da pobreza dos imigrantes, mas não desta leva da primeira década, tanto que a comunidade compareceu no porto com 132 automóveis, próprios e de aluguel (seria sem precedentes até mesmo nos dias de hoje) "muitos com bandeiras dos alliados e outros com as de sociedades israelitas." Levaram os soldados judeus do Cais do Porto para a sinagoga Tiferet Sion, dirigida pelo emblemático David José Perez. No salão da sinagoga foram recebidos por parte da comunidade, cantaram "Hatikva" (letra antiga) em conjunto. Em nome dos judeus árabes do RJ, discursou em árabe o "sírio sr Aron Atia" que cantou com todos o "Hymno Israelita" (não sabemos o que possa ser).

Os jornais nos deixam conhecer os nomes de alguns destes judeus. Falaram pelos voluntários argentinos o soldado Gustavo Adolpho Buhler, o tenente Wladmir Herman e um jornalista judeu chamado D. M. Menchez, engajado como soldado. Também falaram os outros membros da diretoria da Tiferet Zion: Jacob Schneider, Sinnai Faingold, Boris Tcholrnei e Tuli Sensler. 

Após o Brasil sair da neutralidade houve várias campanhas de arrecadação de fundos para a Cruz Vermelha. A Companhia Israelita de teatro de H. Starr promoveu eventos beneficentes. A Sociedade Beneficente e Funerária Israelita (das Polacas) e a União Israelita levantaram fundos entre a comunidade e os enviaram à Cruz Vermelha.


DUAS HISTÓRIAS PESSOAIS

Nos anos 1970-1980 conheci Mordka Fuks. Grande sujeito, já um adorável avozinho judeu no RJ. Quando eu ainda estava no Exército Brasileiro, ele me pegou num canto e veio conversar sobre ele ter sido cabo, na Primeira Guerra Mundial. Foi um dos soldados judeus poloneses. A Polônia é um dos campos de batalha esquecidos da WW1, pois o ocidente se concentra no que o correu na França e na Turquia. Pois bem, o jovem Mordka, já tendo serviço militar estava no primeiro grupo de reservistas recrutados e como era um pouco mais velho que os recrutas, foi promovido a cabo. Nem só de frente de combate vive-se numa guerra. Morka Fuks comandou uma pequena guarnição de polícia militar polonesa encarregada da segurança de uma estação de trem no meio do país. Quatro anos de serviço de guarda.


Ao publicar esta matéria surgiu a interessante história do avô de Marcia Salomão. Ele foi enfermeiro de combate no exército russo. Foi ferido duas vezes, seus familiares mantém as medalhas recebidas pelos ferimentos e também por bravura sob fogo inimigo. Por vezes imaginamos que as potentes balas de fuzil da Primeira Guerra Mundial eram fatais. Mas nosso enfermeiro russo, primeiro tomou um tiro no peito eu lhe atravessou um pulmão. Foi resgatado levado a um hospital de combate onde foi operado e perdeu o pulmão. Depois de se recuperar voltou à linha de frente para continuar socorrendo seus companheiros russos e acabou por levar um segundo tiro, desta vez, no joelho, o que o impediu de voltar ao combate uma terceira vez. Ao imigrar para o Brasil, inventou uma história para amigos e parentes, para sua nova família. Que se saiba, nunca apareceu em público sem camisa, pois o ferimento no peito, nas costas, e a cirurgia em hospital de campanha Devem ter deixado marcas profundas.

Quanto ao joelho, afirmava que era manco por um defeito de nascença. Viveu uma longa, feliz e profícua vida e contou a história ao seu filho, apenas pouco antes de falecer, ocasião em que lhe passou as medalhas. É um exemplo claro de um herói judeu da Primeira Guerra Mundial, que combateu sem armas, arriscando a vida o tempo todo para resgatar seus companheiros atingidos e tendo tanto patriotismo que voltou ao campo de batalha após um ferimento gravíssimo. Mas como podemos cobrar deste cabo enfermeiro que não tenha contato o que viu? Você pode imaginar o que ele viu? Seus companheiros morrendo o tempo todo, seus companheiros aos pedaços, sua luta diária para conseguir manter este ou aquele amigo vivos até chegar ao hospital de campanha. E os horrores do atendimento médico feito sem higiene, em meio à lama, os gritos, os suspiros de morte, o cansaço terrível? Não há de fato como contar e apenas pessoas muito especiais podem sobreviver à batalha e depois aos pesadelos da guerra.

OUTRAS FOTOS DE MILITARES JUDEUS NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL


 Herman Struck primeiro-tenente alemão, judeu na WW1

 
 1917 - quarto dia de chanucá para um grupo de soldados judeus norte-americanos em algum lugar na França, WW1

1918, antes de Pessach, enorme carregamento de matzá para os militares judeus
da Divisão 77 da Força Expedicionária Americana.


 Cartaz de mobilização civil da principal associação beneficente judaica dos EUA. "Quando nós passamos por tudo isto, precisamos da ajuda e conforto que vocês puderem nos dar". Curiosamente esta campanha estava marcada para ser iniciada no dia em que a guerra acabou, 11 de novembro de 1918.

Num posto de comando de campo do subsolo de trincheira alemã, o oficial ao telefone é o filósofo e teólogo judeu Franz Rosenzweig (1886-1929), um dos mais importantes intelectuais judeus do pós WW1.


 
Ao centro com talit branco e atrás de uma pequena mesa, está um rabino capelão judeu do exército austro-húngaro, celebrando um serviço religioso para prisioneiros russos judeus.


1916, sétimo dia de Chanucá celebrado por um enorme número de judeus, oficiais, sargentos e soldados alemães na Polônia.

Oficiais e soldados judeus alemães numa IGREJA para o Yom Kippur de 1914 na França. Podemos ver vários deles com talit sobre os uniformes e dois deles segurando rolos de Torá pequenos, muito normais como 'portáteis' para uso de tropas em combate, junto a mesa onde está o rabino capelão. Na coluna da igreja vemos um pano típico de ficar na frente de um aron a kodesh, o armário onde ficam os rolos da Torá. Note que a cerimônia não está sendo realizada no púlpito. Acima, à direita, a janela destruída pela artilharia dá o tom de foto de guerra real.

Yom Kippur de 1915 para oficias e soldados judeus alemães numa sinagoga em Bruxelas, na Bélgica. Em destaque o rabino capelão Stellv Baum, de Colônia.

 Hans Loevinson, judeu alemão foi convocado para a WW1 e se tornou médico de combate. De 1920 até a proibição dos judeus no teatro, por Hitler,
foi um dos principais atores judeus alemães.

 Ao centro na segunda fila, baixinho e de barba, está o capelão rabino Arnold Taenzer. Quatro oficias seus companheiros do exército alemão estão sentados dois de cada lado. Um terceiro oficial, está de pé, vestido com um casaco militar de couro. Pode-se notar à direita um jovem soldado segurando um paninho branco que parece esconder algo de pequenas dimensões. De fato o soldado está segurando a matzá utilizada para o Pessach de 1915, celebrado por este grupo de soldados judeus alemães, em campanha na Bielorrúsia, mais exatamente na cidade de Pinsk.

Rudolf Menzel (1889-1972) em seu uniforme de oficial do exército austro-húngaro aos 17 anos de idade. Depois da WW1 estudou medicina na Universidade de Viena, tornou-se médico, sionista e entendeu que as coisas estavam péssimas para os judeus na Europa com a ascensão de Hitler. Em 1935 imigrou para a Palestina do Mandato Britânico com sua esposa. Atuou como médico na Palestina e depois em Israel, até sua morte em Haifa.


Cerimônia religiosa para soldados judeus franceses,
por um capelão rabino francês durante a WW1

Cartaz israelense de 1918, homenageando os soldados
da Brigada Judaica do exército britânico.

Cerimônia religiosa judaica em campo de prisioneiros da Alemanha. Todos na foto, inclusive o rabino são soldados americanos prisioneiros. É notável como lhes foi permitido conservarem seus talitim, que os levam para o combate.

Cinco capelães rabinos norte-americanos cujo nome não consta na foto original. Foto tirada durante treinamento em solo americano. WW1.

 Dois rabinos alemães não militares, conduzem cerimônia religiosa sob os olhares especificamente atentos de prisioneiros judeus russos num campo alemão. WW1.

Entrada do Memorial ANZAC (da Força Expedicionária Britânica), em Jerusalém, que derrotou as tropas turco-otomanas, apoiadas por austríacos e alemães no Oriente Médio e libertou Jerusalém do jugo muçulmano, pela primeira vez, em mais de 400 anos, em novembro de 1917.

No inverno de 1918, a WW1 havia acabado já há algumas semanas antes. Nesta foto curiosa, após uma fortíssima nevasca em Jerusalém, um sargento e um soldado judeus do exército britânico contemplam o Kotel, o Muro das Lamentações.


E esta foto, acaba por ser mais curiosa ainda, pois apenas 3 anos antes, quem estava no mesmo local, orando no Kotel, Muro das Lamentações, colocando seus pedidos ou apenas sentado em contemplação eram oficiais judeus do exército austríaco.

© 2013-2017 José Roitberg - jornalista e pesquisador
Fotos da AJAX são de Ronaldo Gomlevsky
Texto publicado na Revista Menorah 650 de novembro de 2013

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Samsung NX1000–Algumas coisas que vc precisa saber

É uma máquina fotográfica espetacular e eu a recomendo por ser a mais barata com sensor APS-C que faz toda a diferença em termos de nitidez e tamanho dos detalhes. Você verá em algumas fotos neste post.

Foi um sucesso desde o lançamento, mas nos EUA já está no modelo NX300 (enquanto este é na realidade o NX100 e não 1000). Nos EUA é preciso ter atenção pois várias lojas vendem a câmera numa embalagem sem o flash e sem o carregador de bateria, o que é algo inadmissível. Apesar de não constar nas infos técnicas dos sites de venda no Brasil, nosso kit vem com flash e com carregador de bateria. A câmera não carrega pela USB.




Não é uma máquina pequena que possa ser levada no bolso, ou num canto da bolsa. Ela precisa de um estojo de proteção e lamentavelmente não há nenhum a venda no Brasil. Nos EUA há vários na faixa dos 25 dólares. Também não são oferecidas baterias extras no Brasil e isso é algo sem sentido algum. Os sites de vendas tinham a obrigação de oferecer as baterias. Nos EUA há kits de duas baterias com 20% a mais de carga que a da Samsung por 24 dólares o que é um valor ridículo e vc deve tentar comprar, pois a durabilidade da bateria da NX1000 é pequena, principalmente no modo SMART onde a lente fica tentando focar o tempo todo.




Por outro lado, o flash tem carga muito veloz e não é necessário esperar para tirar fotos em sequência. Aliás, o flash tem função SMART também e é um flash de “completamento” lançando apenas a luz necessária para iluminar. Possui 7 modos diferentes e é bom ler o manual para tirar o melhor proveito. A sapata do flash pode receber vários equipamentos (nenhum oferecido no Brasil) como um visor ocular e um GPS. O GPS deve ter dado problemas pois sumiu do mercado americano. Nesta foto de divulgação antiga, uma das únicas que achei dava para ver que ele era enorme e desajeitado



 

QUAIS SÃO SEUS MAIORES PROBLEMAS?


1) Ela é uma câmera com sistema operacional próprio. Os modelos produzidos após a NX1000 tem Android 4.1, e o sistema não é 100%. No meu caso, constantemente a compensação de abertura, no modo Manual, quando chega em -3, fica presa e não volta. É preciso resetar o sistema lá nas configurações.

No software que acompanha a máquina há como atualizar o firmware, muitas faqs dizem que tem que fazer, mas eu ainda não fiz.

2) Outro bug é o da orientação automática de tela. Para exibir corretamente as imagens verticais, é preciso DESLIGAR a opção nas configurações, e não, ligar.

3) Apesar de todo o "smart" do sistema, a opção escolhida pela Samsung para abertura do diafragma é a pior possível. No modo Smart ou nos outros (menos no A), a câmera sempre opta pela quase maior abertura, ou seja 5 ou 5,6 (a maior é 4) oferecendo pouca profundidade de campo que pode ser muito desejável em retratos, mas pouco desejável nas outras situações. A lente começa a ter boa profundidade de campo, a partir de 7,1 e pode ir até incrível f 22, para uma máquina deste tamanho. Mas não é tão simples. Como qualquer zoom, a abertura varia. Então, ao optar por 20 mm, você tem uma abertura 3,5 levando a marca de 5,6 para uma posição confortável. Mas ao especificar 50 mm, o que você irá usar para os retratos, a abertura mínima é de 5,6 - o que pode ficar na risca entre foco e não foco. Só dá para tentar controlar mesmo a profundidade de campo no modo A (Prioridade de Abertura) e é bom vc fazer alguns testes para entender como funciona tecnicamente e quais resultados você pode conseguir.


Em todos os modos, ao pressionar o botão Fn na traseira, abrem-se todas as regulagens possíveis para aquele modo. Aprenda a utilizar.

4) Outro ponto complicado é que no modo Smart Auto os arquivos RAW não estão disponíveis. E na maioria das vezes vc não quer fotografar tudo em RAW, mas apenas algumas tomadas. Assim entre no Menu Personalizado 2 / Mapeamento de Chaves (na verdade botões) e escolha RAW com um toque, para o botão da "lixeira". Assim nos modos programados, basta vc clicar na lixeira e a próxima foto será em RAW+JPEG.


ATUALIZAÇÕES DE SOFTWARE


O firmware de minha máquina adquirida em outubro/2013 é o 1.12 e das lentes é o 1.0 - Em 2 de abril já saiu o 1.15 que muda muita coisa. No 1.14 todo o sistema de conexão wifi eu digo mais abaixo que não funciona foi substituído. Há um manual novo em pdf também acompanhando as mudanças.


Link da Samsung na Inglaterra para as atualizações http://www.samsung.com/uk/support/model/EV-NX1000BABGB

 

LENTE SEM ESTABILIZADOR MECÂNICO


A lente que vem com o modelo brasileiro não tem estabilizador mecânico de imagem, mas ainda não senti a falta. Atualmente há uns 12 modelos de lentes para a linha NX inteira (nenhuma oferecida no Brasil). A lente 20-50 mm é baioneta e as definições da Samsung para a equivalência com câmeras antigas me parece incorreta: 26-105 mm. A grande angular, no caso “20” é bem mais aberta que 26 mm, estando provavelmente abaixo dos 24 mm, como vc pode ver nesta foto, onde o prédio inteiro de 9 andares, com folga foi clicado há uns 20 metros de distância apenas. É uma lente ÓTIMA.



A lente possui um anel de foco multifunção. Não só foca a imagem mas também, em conjunto com o botão na lateral da lente, troca rapidamente ISO, velocidade, abertura, compensação de exposição e outros, em frações não encontradas em outras câmeras, permitindo um ajuste personalizado perfeito para o que se quiser fazer. Dependendo do modo de operação e do modo de cena escolhido, são abertos os grupos de funções. Pode parecer complicado mas usando vc se adequa. No fim das contas é um treco estranho pois ao girar o anel de foco, por vezes se percorre as regulagens em uma ou outra direção girando para o mesmo lado. Não é um sistema que permita uma regulagem rápida e precisa.





A câmera foi feita para brilhar em situações de pouca luz, mas as fotos de pessoas com flash e identificador de face são espetaculares, com faces em foco e fundo desfocado, cortesia de algum sistema Smart.





ARQUIVOS RAW EM FORMATO PROPRIETÁRIO


A NX1000 tem um sensor APS-C de 20.3 megapixels gerando imagens em jpg high (equivalente à qualidade 12 do Photoshop) com pouco mais de 4 MB por foto. Mas também pode gravar em RAW (formato SRW), e cada arquivo descomprimido terá 40 MB. Portanto, se for usar RAW, e explorar toda a capacidade de detalhes deste sensor espetacular, arrume cartões de 64 GB classe 10, no mínimo, pois há muitos dados a serem escritos. 22 fotos em RAW já ocupam 1 GB. Vc pode regular se é só JPG, só RAW ou uma combinação de RAW com jpg (inclusive apenas rascunho de baixa resolução) que é o que todo mundo que usa RAW faz.

Em relação aos cartões classe 10 de alta capacidade, tenho notado que eles são mais lentos ao serem inseridos em computadores, pois parece que a leitura de uma tabela de alocação de arquivos é mais demorada. Em alguns testes, sem precisão alguma, cartões de 4 GB ficam disponíveis mais rapidamente, cartões de 16 GB são mais lentos e os de 64 GB são muito lentos: no computador, não na máquina. A porta USB da NX1000 não tem velocidade 2.0, o que faz se perder um bom tempo passando 4 GB de arquivos RAW (100 fotos). Ao usar um leitor USB externo 2.0 esse problema se reduz.

Os arquivos RAW são no sistema SRW que não são lidos pelo Adobe Câmera RAW, mas são utilizados por vários fabricantes. Felizmente, no site da Adobe existe uma atualização rápida que passa aceitar o SRW e outros formatos também. O software que vem com a câmera é EXCELENTE e se você não usa Photoshop, passe a usar o software da Samsung. Uma de suas características mais curiosas é poder aplicar, no computador, qualquer regulagem da câmera posteriormente a foto tirada. É algo impressionante e olha que eu uso Photoshop desde de a versão 1.


São muitos modos manuais e poucos modos de cena, comparados a máquinas bem inferiores. Um modo de cena que faz falta é o modo “museu”, onde a máquina tira algumas fotos quando vc clica com pouca luz a as combina para ter a melhor imagem possível. Mas há 3 memórias de modos de cena vazias onde vc pode preparar os seus modos particulares, tendo todas as regulagens da câmera à disposição. Mas vai precisar cair dentro do manual para usar direito.

Se quiser, largue no modo Smart e deixe a câmera decidir por vc. Dificilmente perderá uma foto.


USE SEMPRE A MENOR ISO POSSÍVEL


Sempre que falo sobre câmeras digitais, lembro a quem me lê que vc sempre deve selecionar o menor número de ISO possível para uma foto, pois quanto maior for, pior será a qualidade e nitidez da imagem. Tente trabalhar sempre com ISO 100 e no máximo 200 par a luz do dia e 400 para interiores. Esqueça aqueles ISO de 800 a 3.200 (use apenas em situações com pouquíssima luz). Em várias regulagens esta câmera não lhe dá ISO menor que 200.


FOTOS PANORÂMICAS


É a melhor que já utilizei. Apenas pressione o disparador e mova a câmera na direção desejada até "encher" o indicador. Funciona em qualquer direção.



FILMANDO


Tem opção full hd, mas não é lá grande coisa não. Para filmar só tem duas opções de foco: manual ou automático constante. Em externas à luz do sol você não consegue ver a imagem no visor para fazer um foco manual correto, mesmo com o auxiliar de foco. Nas mesmas situações o foco automático varia muito, pois ele foca nas regiões mais claras da imagem e é lento. Assim se você está filmando na rua e passa um ônibus branco, o foco sai do que vc está filmando, vai para o ônibus e depois volta, perdendo-se a filmagem. Portanto, foco automático para coisas dentro de casa, locais onde o movimento é controlado. Na rua, simplesmente não funciona.

WIFI? SERÁ QUE É MESMO?


A Smart teoricamente se conecta com a rede WiFi e tem aplicativos internos para publicar no Facebook, Youtube, Instagram e Flickr. Se você acha que vai funcionar tranquilamente como um smartphone Samsung, esqueça e não conte com isso. Antes de eu comprar a câmera já havia lido que há muitos problemas, mas eu não me importava. Eu nunca tentei conectar a NX1000 numa rede wifi aberta até hoje, mas nas fechadas, simplesmente a coisa não funciona. Ao contrário dos telefone que identificam as redes em segundos e se metem sozinhos nelas, pedindo apenas login e senha, a câmera usa outra lógica (burra) e exige também o “pin” da rede, um terceiro parâmetro. E eu sei lá qual é o pin das redes que uso… Mais nenhum outro equipamento precisa dele, do pin. Assim, nunca consegui conectar a câmera numa rede wifi, mesmo que ela identifique as redes corretamente. O PIN é encontrado entrando na interface de gerenciamento do roteador pelo computador, ou seja, vc não vai encontrar, principalmente se não estiver na sua casa, quando o sistema da máquina seria o mais útil. 

Teoricamente enviaria para o Facebook, por email, para o Skydrive. Oferece também a possibilidade de ver a imagem em smart tv por wifi e usar tvs e telefones como visor remoto da câmera, mas eu não sei se faz isso de fato.

Ela possui até um botão para entrar direto no modo "link" onde máquina e celular Samsung estariam conectados. Não consegui usar.

Como a lente é manual, vc pode alterar os planos durante a filmagem sem maiores dificuldades e as imagens full hd são perfeitas. Há um botão de acionamento imediato da gravação então não precisa entrar em “modo vídeo”. Isso é algo perfeito.

SEM OCULAR É COMPLICADO NO SOL

Como qualquer câmera sem ocular, tirar fotos sob sol forte ou filmar sob estas condições de luz é complicado. Geralmente há boa regulagem de luminosidade da tela, mas neste caso a regulagem é apenas de 2 pontos para lá e para cá e mesmo no máximo, não resolve a questão. Assim, fica muito complicado usar o foco manual debaixo do sol.


PARA TIRAR FOTOS, SE VC TIVER TEMPO


Mas não é uma câmera rápida para entrar em funcionamento, pois é preciso tirar do estojo de proteção, tirar a tampa da lente e colocar em local seguro, destravar a lente e ligar a câmera. Para quem precisa sacar uma câmera e tirar uma foto rapidamente, não é uma boa solução, mas praticamente nenhuma câmera mirrorless é diferente disto e as câmeras grandes profissionais também não. Não é uma câmera que eu largaria numa bolsa sem estojo.


Se você é uma pessoa que não lê manuais e não quer ler um manual bem grosso, essa câmera não é para vc.

Se você quer uma câmera de dimensões reduzidas capaz de uma precisão e nitidez incríveis, esta câmera é para vc, ainda mais se tiver a possibilidade de comprar lentes fora do Brasil pois há desde teles de 500 mm a olhos-de-peixe, zooms de uso geral e lentes grande angulares estreitas de altíssima luminosidade, com abertura de 1.4. Infelizmente, no Brasil ficamos a fotografar navios bem de longe, sem termos acesso a qualquer zoom.

No álbum https://www.flickr.com/photos/roitberg/sets/72157644056582123 você encontra várias fotos de temas diferentes tiradas com a NX1000, em resolução total para vc avaliar o CCD e a qualidade de imagem.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Tamanho ideal das unidades de alocação no Windows

Algumas contas interessantes. Como peguei um disco novo, um Seagate Slim de 500 GB resolvi fazer umas experiências. Já havia lido que o tamanho da "unidade de alocação de arquivos", parâmetro que vc deve indicar ao formatar um HD influenciam tanto na velocidade de acesso, quanto no número de arquivos que podem ser guardados no HD. Por vezes temos HDs muito "ocupados", mas não encontramos os arquivos enormes que os ocupam. Talvez, culpa de uma definição errada das unidades de alocação.
Considere o seguinte: entenda a unidade de alocação como uma caixa de papelão onde você só pode colocar um objeto. Quanto menor a caixa, menor será o objeto que cabe. Se a caixa for muito grande um objeto pequeno ficará sozinho lá dentro e o resto do espaço da caixa não será utilizado. Mas como tratamos de arquivos, cada arquivo será espalhado pelo número mínimo de caixas onde ele couber por inteiro, preenchendo 100% de cada uma, menos da última.
Antigamente, quando tínhamos arquivos muito pequenos, hds que hoje parecem piada, com 30 MB somente, era comum fixarmos as unidades de alocação no menor tamanho possível. Era ridículo um arquivo de texto de 1 kb ocupar uma unidade de alocação inteira de 16 kb. Perdia-se 15 kb. Hoje a maioria dos arquivos é enorme e as unidades de alocação não cresceram. Se você tem muitos arquivos pequenos, terá seu HD cheio de espaço vazio marcado como ocupado.
No sistema padrão do Windows, o NTFS há apenas cinco opções básicas e a maior é de 8 kb. A padrão é de 4 kb. Imagine então uma fotinho digital de 4 MB, que irá usar 1.000 unidades de alocação de 4 kb... No sistema exFAT (compatível com PC e MAC ao mesmo tempo, funciona nos dois sistemas) o tamanho máximo é de 32 kb.
Parece resolvido! Coloco no tamanho máximo e tudo será ótimo... Não, não, não! Eu li por aí que quanto MENOR forem as unidades de alocação, MAIS VELOZ será a velocidade de acesso. Ilógico, como diria o sr Spock, mas parcialmente verdadeiro.
Testei o disco da Seagate com as diversas formatações e o resultado foi surpreendente. Os testes foram feitos copiando uma pasta de fotos de mais de 3GB com 1.300 arquivos, do HD interno para o externo via USB 3.0.
Com NTFS:
unidade de alocação de 16 bytes (a mínima), a velocidade média foi de 68 MB/s
unidade de alocação de 128 bytes, a velocidade média foi de 70 MB/s
unidade de alocação de 4096 bytes (4 kb, a padrão do Windows 7/8), a velocidade média foi de 70 MB/s
unidade de alocação de 8192 bytes (8 kb, a máxima), a velocidade média foi de 60 MB/s
Com exFAT:
unidade de alocação de 32 Kbytes (a mínima), a velocidade média foi de 46 MB/s
unidade de alocação de 128 Kbytes, a velocidade média foi de 40 MB/s
unidade de alocação de 4096 bytes (4 kb, a padrão do Windows 7/8), a velocidade média foi de 45 MB/s
unidade de alocação de 32768 bytes (32 MB a máxima), a velocidade média foi de 30 MB/s
O resultado me surpreendeu. Vemos que no sistema de arquivos NTFS o tamanho da unidade de alocação tem influência na velocidade, mas entre a unidade mínima e a unidade padrão a variação é bem pequena. Já a unidade de tamanho máximo  teve uma redução considerável de velocidade da cópia.
O sistema exFAT me decepcionou. A funcionalidade de poder usar o mesmo HD externo num PC e num MAC tem um preço e é muito caro: a velocidade da gravação dos dados que variou de apenas uns 45% a 58% da velocidade com um gerenciamento NTFS.
A velocidade de gravação pode ainda variar de acordo com a região do HD onde os dados são gravados. Existe uma região rápida, onde teoricamente ficam gravados programas e arquivos de sistemas com prioridade, um região norma (a maior) e uma região lenta (a última a ser preenchida), motivo pelo qual um disco muito cheio fica mais lento, já que os arquivos que vc mais usa, são os últimos que vc gravou e eles foram para a área lenta. Não há como controlar isso. Outro fator: uma arquivo de 3 GB grava com uma velocidade muito maior que 1.000 arquivos de 3 MB.

Então leve em consideração o que é melhor para vc, tendo dados verdadeiros para auxiliar em sua decisão. Ainda assim 30 MB/s pela USB 3.0 é 10 vezes mais veloz do que vc consegue pela USB 1.0  mas a mesma velocidade da uma USB 2.0… A leitura de dados de um disco DVD em bom estado, gira entre 15 a 16 MB/s.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Lar da Criança Israelita

1939-agosto-30 - O Globo - Inauguração do Lar da Criança Israelita. Na legenda:
"O Lar da Criança Israelita - com o lema de fazer de cada criança desamparada um bom brasileiro, foi fundado à rua General Canabarro 303. A nova instituição foi instalada em magnífico prédio que se vê no clichê, que ilustra este registro, abrigará as crianças necessitadas, que ali terão educação, conforto em ambiente brasileiro. Por estas finalidades a nova fundação é merecedora de todo o amparo da sociedade carioca."

A instituição continua em atividade em uma grande instalação á Rua José Higino.

© 2013 – José Roitberg – jornalista e historiador
todos os direitos reservados nos termos da lei 
30-de-Agosto-de-1939,-globo-5-lar-da-criança-israelita

Formatando PenDrive ou HD externo para PC e MAC ao mesmo tempo

Se você trabalha com vídeo e fotos pode ter que enviar material de uma plataforma para outra ou receber material criado em outra plataforma e não é tão simples quanto parece.

É comum receber um pendrive, uma memória flash, um HD SSD ou um HD externo USB cujos dirvers se instalam corretamente mas o dispositivo não parece listado como um disco d:e: g: pi k:, por exemplo.

Ocorre o seguinte, principalmente com os HDs. Eles são formatados na máquina original. Se for PC, o formato do disco deverá ser NTFS e se for MAC, o formato será GTP.  SÃO INCOMPATÍVEIS. Um disco formatado num sistema não abre no outro e não existe ferramenta de conversão.

Para a coisa dar certo existe uma formatação chamada exFAT (Extended FAT – Tabela de Alocação de Arguivos  Extendida) criada para ser a cross-platform, a plataforma cruzada cujo disco abre nos dois sistemas operacionais diferentes.

Somente discos externos via USB ou entrada de cartão podem ser formatados em exFAT e não há motivo algum, nem permissão dos sistemas operacionais para vc formatar um hd interno assim. Não insista.

Então, para o transporte de arquivos enormes de vídeo, cada vez mais comuns nos hds externos, esqueça o material que está nele e está dando errado: volte ao computador de origem seja ele MAC ou PC, se for caso copie os arquivos de volta para o disco rígido do computador, formate o hd externo em exFAT e copie os arquivos a serem transportados novamente para ele. A partir disto, este hd externo vai funcionar nos MACs e em qualquer PC com Windows VISTA para cima (Vista, 7 e 8)

Se vc usar pendrives para este tipo de transporte sugiro a formatação exFAT também, só para garantir. Se alguém quiser saber o motivo, é porque geralmente vem formatadas com FAT32 que permitem arquivos únicos de até apenas 4GB o que está ficando bem curto para vídeo em alta resolução. A exFAT não tem limite para tamanho de arquivo. Como qualquer formatação, esta também é destrutiva: faça em discos novos ou se vc for jogar fora os arquivos que estiverem nele.

Tem um tutorialzinho simples em inglês mostrando como formatar em exFAT. Conheça isso pois pode lhe salvar horas de aborrecimento.

Como converter USB drive ou hd para exFAT

domingo, 15 de setembro de 2013

Yom Kippur 1915–Rio de Janeiro

Na foto vemos 18 Polacas (prostitutas judias) visitando o túmulo de “Lili das Joias”
1915-09-17-A-NOITE-ROSH-HASHANA-NO-S-FCO-XAVIER-POLACAS
Cada comunidade em cada país, ou cidade, ou aldeia, em cada momento histórico de liberdade, de restrições ou de perseguições, tinha seus costumes, sempre variando um pouco em torno do mesmo tema.

Um dos hábitos que havia no Rio de Janeiro das últimas décadas do século19 até lá pelos anos quarenta do século 20, era visitar os cemitérios (um até 1916, dois até 1920 e três em seguida, até 1956 quando foi inaugurado o Cemitério Israelita do Cajú) na manhã de erev Rosh Hashaná, ou seja: seria na manhã de hoje. Como a visitação era maciça, aproveitava-se para inaugurar as matzeivot (a parte construída, artística do túmulo - matzeiva significa monumento) de todos os falecimentos do ano anterior (na verdade são bem poucos a cada ano). Uma ação comunitária conjunta de fato, numa comunidade que beirava apenas umas 2.000 pessoas (de todas as idades), quando a foto abaixo foi tirada.

Ela é de Rosh Hashaná 5676, setembro de 1915, há 98 anos atrás. Nela, vemos 18 polacas em torno do túmulo de "Lili das jóias", cujo nome era Rosa Schwartz za'l. Rosa foi uma polaca, prostituta dos primeiros anos do século 20. De alguma forma que não ficou registrada ela se livrou de seu caften (cafetão) e passou a seu uma "klienteltshnik" (prestamista) vendendo joias, que comprava ou que recebia em consignação de negociantes.

Conta a crônica policial de 8 de outubro de 1914, ela foi morta no dia 7, que Rosa fez relativa fortuna e se dedicava a tentar liberar (talvez comprando) as moças judias mais novas envolvidas na prostituição. Era abertamente uma inimiga dos caftens. No dia 7 "Lili" foi encontrada morta, degolada à navalha, em sua própria cama, na pensão onde morava à rua das Marrecas 28. O mostruário de joias tinha sumido. Este é apenas mais um dos crimes de assassinatos de polacas que jamais foi resolvido. O assassino deixou a navalha no local. A polícia arrolou amantes, namorados, clientes devedores, caftens e até estrangeiros e nunca encontrou o autor.

A contradição que temos na foto é simples: está na história que as pessoas preferem conhecer e acreditar, que as polacas eram mantidas em regime semi-escravo, que os caftens as ameaçavam de morte, que não podiam sair dos prostíbulos. É isso que você provavelmente sabe. Mas essa é uma das várias provas documentais e fotográficas de que elas tinham toda a liberdade de circular, praticavam o judaísmo em sua própria sinagoga, com seus próprios rabinos assalariados, frequentavam a mídia constantemente, abriram seu próprio cemitério em 1916 e também continuaram a usar o S. Fco. Xavier, mesmo depois, com sepultamentos pela halachá ortodoxa (como podemos depreender em vários, mas não todos, de seus túmulos).

A liberdade era tanta que podiam posar para os foto-jornalistas no túmulo da Rosa Schwartz za'l, inimiga declarada dos caftens, amiga e benfeitora das que continuavam a ser polacas, sem temer qualquer tipo de retaliação de seus próprios caftens verdadeiros ou apenas no imaginário racista coletivo.

Associação Religiosa Israelita da legenda não é ARI, e sim ABFRI - Associação Beneficente Funerária Israelita, fundada em 1906, mas atuante já alguns anos antes.

© 2013 – José Roitberg – jornalista e historiador
todos os direitos reservados nos termos da lei 

Rosh Hashaná 5700 (1939)–Rio de Janeiro

Na foto de O Globo, na parte inferior os judeus na entrada do Grande Templo, acima, lendo a torah, talvez no Grande Templo e à esquerda, um Aron Hakodesh enorme, que me parece ser o antigo do Sidom. Mas eu devo estar errado. Se alguém souber, acerte. (obs: o material digitalizado pelo O Globo está todo nestas condições ruins, pois foi trabalhado a partir de microfilmes já ruins e não dos jornais em papel. É o que tem.)

© 2013 – José Roitberg – jornalista e historiador
todos os direitos reservados nos termos da lei 

23-de-Setembro-de-1939,-GLOBO-RJ