Governo de Israel divulga amplo estudo sobre a prostituição em Israel. Leia o artigo completo.
Publicado por Portal Menorah em Terça, 8 de março de 2016
Considerações sobre História do Rio de Janeiro e dos Judeus no Rio de Janeiro, edição em vídeo, informática, fotografia e outras tralhas
terça-feira, 8 de março de 2016
As Novas Polacas - Dia Internacional da Mulher 2016
domingo, 8 de novembro de 2015
Túmulo número 3 da Acatólicos do Caju
Nova jornada para ampliar a compreensão sobre os mais de 2.000 túmulos de judeus no Cemitério de São Francisco Xavier. Desta vez a quadra mais antiga foi totalmente fotografada. Todos os túmulos estão documentados e detalhes considerados à parte. Na foto, eu estou no centro da área destinada às crianças. Como se pode ver, ela se estende ainda por mais algumas fileiras até aqueles dois túmulos semelhantes no centro lá atrás.
Um destaque ruim desta área é a falta quase em 70% dos túmulos de qualquer identificação exceto o número da sepultura. Sabemos que existe uma lista em poder da Comunal, e que há uma intenção de identificar ou identificar pela primeira vez, todos os túmulos com problemas neste cemitério. Por exemplo, estes túmulos que se veem em cimento esverdeado, já se trata de trabalho de preservação da gestão de Jayme Salomão.
Em relação aos túmulos de crianças há algumas curiosidades. Em quase nenhum há a inscrição definindo-o como sepultura perpétua, mas não foram exumados. A maioria deles é simples indicando uma origem pobre, como o que está à minha direita na foto e o outro túmulo rente ao chão, mais para a esquerda. Mas há túmulos de crianças de famílias com posses, como este em primeiro plano, com uma coluna de mármore partida e flores caídas, uma indicação universal para todas as religiões, de morte com pouca idade. Mais atrás vemos um túmulo bem alto com urna (para a alma) e uma grande estrela de david em mármore, túmulo caro até para os padrões atuais. O anjo é de um túmulo de protestante.
Naquele período histórico os judeus preservavam muito suas culturas cemiteriais dos países de origem, então podemos afirmar, quase com certeza, de que os túmulos rente a chão são de crianças de origem árabe e os outros de europeus, mesmo que sejam sefaradim.
Nas outras fotos, temos o túmulo judaico de número geral 3 da ala de acatólicos do Caju. É um daqueles casos deve nos fazer pensar sobre a propalada "pobreza geral" dos imigrantes judeus, algo que não considero como realidade, apesar de metade de minha família ter vivido com trabalhos muito aviltantes por vários anos na Argentina, Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte e outra parte com todos os homens trabalhando como Klienteltchics no Rio de Janeiro.
O túmulo do jovem Mauricio Scharfman z'l, dá a tradução do termo 'matzeiva', que é monumento, o sentido da palavra. Nasceu em 1851 na desconhecida Berlad, na Moldávia e faleceu no Rio de Janeiro, cinco dias antes de completar 28 anos, em 1879, ainda no Império Brasileiro, ainda na época da escravidão. Ao contrário de outros túmulos judaicos destes período no Brasil, há um lado do monumento perfeitamente escrito em português e outro em yídiche, com o símbolo dos coanim. Geralmente, nesta época, são túmulos em alemão e yídishe. A arte do monumento tem elementos curiosamente góticos e pouco encontrados em túmulos judaicos.
A família Scharfman ainda existe no Brasil e assim podemos notar que estão entre os primeiros imigrantes da Europa Oriental. Humildemente peço desculpas à família e espero que considerem esta pequena matéria como um resgate de sua memória familiar em benefício da história dos judeus no Rio de Janeiro.
Quando vou ao São Francisco Xavier digo um kadish coletivo para os mais de 2.000 judeus de lá. Certamente isso ajuda.
@ 2015 José Roitberg – jornalista e pesquisador, membro da ABEC
Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
Rio Antigo e História do Rio de Janeiro
Lista de comunidades no Facebook e páginas de dicadas a História do Rio de Janeiro, fotos antigas do Rio de Janeiro. É uma coleção surpreendente.
Antigamente - http://fotolog.terra.com.br/antigamente1:1479 - Lyscia Braga
As Histórias dos Monumentos do Rio - http://ashistoriasdosmonumentosdorio.blogspot.com.br/ - Vera Lucia Dias Oliveira
Augusto Malta Revival - https://www.facebook.com/augustomaltarevival - Marcello Cavalcanti
Carioca da Gema 1 - http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema - Roberto Tumminelli Cardoso Fontes
Carioca da Gema 2 - http://fotolog.terra.com.br/carioca_da_gema_2 - Roberto Tumminelli Cardoso Fontes
Cascadura Caminhos do Suburbio - https://www.facebook.com/CascaduraCaminhosDoSuburbio?fref=ts - Raphael Bellem
Cidades Brasileira: Memorias sem papel - https://www.facebook.com/groups/168096043378654/?fref=ts - Olinio Coelho
Coisa Lúdica - http://fotolog.terra.com.br/cartepostale - Milu Maria
Coluna Patrimônio - http://www.rioecultura.com.br/coluna_patrimonio/coluna_patrimonio.asp?patrim_cod=99 - Leo Ladeira
Conversas Cariocas - https://www.facebook.com/ConversasCariocas - Rafael Gota
Flavio M - http://www.flickr.com/photos/flaviorio/ - Flavio Sertã Furtado Mendonça
Copacabana Demolida - https://www.facebook.com/CopacabanaDemolida?fref=ts - Claudia Mesquita
foi um Rio que passou - http://www.rioquepassou.com.br/2013/08/30/igreja-de-sao-cristovao-1916/ - Andre Decourt
Fragmentos georreferenciados da nossa história - https://frags.wiki Halley e Ana Cristina
Fotos do Rio de Janeiro Antigo - https://www.facebook.com/pages/Fotos-do-Rio-de-Janeiro-Antigo/420285374730071?fref=ts - Luiz Gustavo
Fotopaint - http://fotolog.terra.com.br/fotopaint:774 - Luiz Francisco Moniz Figueira
História das Barcas RJ - https://www.facebook.com/barcashistoria/ - Victor Grinbaum, Atilio Flegner e José Roitberg
Itaboraí Antigo - https://www.facebook.com/itaborai.antigo - Rodrigo Lucio
Jornais Antigos do Rio de Janeiro - https://www.facebook.com/jornais.rio - Tiago Bandeira e Rafael Mendes
Literatura e Rio de Janeiro - http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com.br/ - Ivo Korytowski
Mapas Antigos do Rio - www.facebook.com/mapasantigosdorio - Eduardo Botti
Memória de São Gonçalo - www.facebook.com/memoriasg - Luciano Campos Tardock
Memórias do Arcebispado Carioca - https://www.facebook.com/memoriasdoarcebispadocarioca - Eraldo De Souza Leão Filho
Memórias do Futebol Carioca - http://www.facebook.com/MFCarioca - Raphael Belem e Tiago Bandeira
Memorias do Suburbio Carioca - https://www.facebook.com/riosuburbio?fref=ts - Tiago Bandeira
Olhar Nictheroy - https://www.facebook.com/OlharNictheroy?fref=nf - Luiz Marcello Gomes Ribeiro
Olhos de Ver - https://www.facebook.com/pages/Olhos-de-Ver-Patrim%C3%B4nio-Hist%C3%B3rico-Rio-de-Janeiro/413946725361803?fref=ts - Leo Ladeira
Ônibus Antigos do Rio de Janeiro - https://www.facebook.com/OnibusAntigosRio - Rafael Mendes
O Rio de Janeiro Que não Vivi - https://www.facebook.com/ORioDeJaneiroQueNaoVivi?fref=ts - Bruno Chaves
Palácio Monroe - Crônica da demolição (filme) - https://www.facebook.com/palaciomonroe/ Eduardo Ades
Panoramio - http://www.panoramio.com/user/3970987 - Raul Félix de Sousa
Papélia - https://www.facebook.com/Papelia - Stella Tuttolomondo
Rio Antigo Social CLube - https://www.facebook.com/RioAntigoSocialClube - Renato Fernandes
Rio, City of splendour - https://picasaweb.google.com/109916640496448521543/RioCityOfSplendour?noredirect=1 - Nickolas Nogueira
Rio Comprido - Um Bairro de Passado, Presente e Futuro? - https://http://www.facebook.com/groups/196503143784235/ - Sheila Castello
Rio de Janeiro Desaparecido - https://www.facebook.com/riodejaneiro.desaparecido?fref=ts - Cau Barata
Rio que Foi Notícia e Virou História -https://www.facebook.com/FotosDoRioAntigoQueVirouHistoria/ - José Roitberg
RJ450 http://www.vejario.com.br/blogs/rj450/ - Rafael Sento Sé
Saiba História: http://saibahistoria.blogspot.com/ Adinalzir Pereira Lamego
Saudades do Rio - http://luizd.rio.fotoblog.uol.com.br - Luiz Darcy
S.O.S. Patrimônio - https://www.facebook.com/groups/712997072095070/ - Sheila Castello - Adua Nesi - André Ferreira - Kiki Simone Reis - Marconi Andrade
Tanguá Antigo - https://www.facebook.com/Tangua.Antigo - Rodrigo Lucio
Vale das Videiras - Petrópolis - RJ - https://www.facebook.com/valedasvideiras - Stella Tuttolomondo
Zona Sul Casas e Prédios Antigos -https://www.facebook.com/ZonaSulCasasePrediosAntigos - Rafael Bokor
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
Como acelerar os cartões de memória de tablets
Em nossa luta contr regulamentações expúrias como a que limita em 4GB o tamanho dos vídeos devido a formatação FAT 32 dos cartões de memória imposta pela Aple que não aceitou utilizar a formatação NTSF sem limite de tamanho de arquivos do Windows, acabamos perdendo muito tempo com cartões de memória em tablets e telefones.
Certamente você já deve ter carregado vídeo de 2 ou 3 gigas em seu tablet. Quando maior é a resolução de sua tela, mais vc vai querer um vídeo de alta qualidade e o arquivo será maior. Esta limitação anacrônica do uso da FAT 32 chegou até o padrão de cartõs SDHC, mas atualmente todos os cartões de fato velozes e de alta capacidade são SDHX e isto faz toda a diferença.
Para as câmeras fotográficas, é tecnicamente impossível o uso de cartões de memória fomatados como NTSC. Para garantir que os cartões possam ser lidos em equipamentos da Aple, todos os fabricantes OBRIGAM os consumidores, sem alertá-los, a utilizar baixa velocidade, mesmo nos cartões mais velozes do mercado. Não seria mais correto o software das câmeras perguntar se vc vai usar Aple ou não? Quem quer a maça que espere na fila. Quem deixa de lado esta Ferrari com motor de Fusca que voe com o NTSF, mas NENHUM fabricante pensa assim.
Estes padrões são absurdamente antigos e deveriam ser descartados para novos equipamentos. O FAT 32 foi uma revolução de 20 anos atrás com a introdução do Windows 95… Mas apenas no Service Pack 2. A exFAT foi intruzida em 2006 no Windows CE 6.0, portanto são um lixo tecnológico com o qual somos obrigados a conviver.
Existe um padrão de formatação intermediário chamado exFAT (Extended Fat) que torna um hD externo, por exemplo, compatível com Aple e M$, muito mai veloz que só para Aple e muito mais lento que só para M$. Nos testes que publiquei em outra postagem, concluímos que no padrão FAT 32 um HD externo USB 3.0 grava a 10 MB/s, com exFAT chega a 40 MB/s e com NTFS vai a 78 MB/s. O mesmo computador, mesmo hd, mesma tomada etc. Sò muda a formatação do HD.
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Gravação em cartão Kingston Classe 10 formatado originalmente com FAT 32, pela USB 3.0
Como estou com um tablet ICC que roda Windows 8.1, sendo um belo quadra-core, e rodando qualquer tipoe tamanho de arquivo de vídeo pois uso o VLC completo, e não o VLC APP para smartphone ou WIndows 8 que deixa muito fazer, decidi formatar um cartão MicroSDHC de 16 Gigas classe 10 da Kingston com NTFS.
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Gravação no mesmo cartão formatado com NTFS, pela USB 3.0
Parece maluquice né? Pois bem. Por enquanto, está funcionando. Enfiei 11 GB de vídeos em uns 15 minutos lá para dentro dele, e um filme com mais de 4 GB entrou sem problema algum. A velocidade de gravação do cartão é variável. Ela inicia muito rápido e vai perdendo velocidade ao longo do arquivo, ainda assim é um foguete. Enfiei o cartão no tablet e os arquivos são lidos sem qualquer problema.
Aconselho a todos que estão utilizando cartões de altíssima capacidade para fotos e vídeos a comprar um leitor de cartões USB 3.0 – aconselho o Kingston Media Reader 3.0 que le desde microSD a CF. Maior mão na roda.
Depois vou tentar em uns smartphones e ver o que acontece.
Para tablets e telefones a situação é outra.
Se você ficar brincando aí com a formatação de seus cartões e acabar não conseguindo ter acesso a eles pelas câmeras por algum erro de formatação FAT 32 do PC, então use o fomatador de cartões para padrão de fábrica oficial utilizado e recomendado por todos os fabricantes, desenvolvido pela SD Association (gratuito). Vá até o fim do contrato, aceite e será enviado para o download. Use e seu cartão ficará como veio de fábrica em instantes.
https://www.sdcard.org/downloads/formatter_4/eula_windows/index.html
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Como remover WMPNetworkSvc
Seu Windows inicia lento e devagar? Depois do desktop aparecer o led do HD fica aceso e você não consegue iniciar programa algum, mesmo que sua máquina seja rápida? Fique calmo, pois não é problema de hardware ou discos. É um serviço IMBECIL instalado por padrão pela Microsoft no Windows, coisa que ela não resolve desde o lançamento do Windows 7 e já vamos para o 10.
Este serviço, em princípio não serve para nada. Ele deveria fazer um compartilhamento de suas músicas e vídeos por sua rede interna de computadores. Agora me diga? Quem é que quer isso? Creio que ninguém.
Para fazer este compartilhamento o serviço fica varrendo seus hds a procura de arquivos e criando uma lista própria sabe-se lá onde. Apesar de usar pouquíssima CPU e memória, ele ocupa o barramento de acesso as hds impedindo que você use o computador corretamente até o serviço acabar. Ele roda em segundo plano e ninguém sabe o que está havendo.
Para ter certeza de que é isso que atravanca sua máquina, abra o Gerenciador de Tarefas, depois a aba Serviços e veja se o maldito está ‘executando’ como na imagem abaixo.
Se vc souber como interromper um serviço, nem precisa tentar pois o acesso é negado. Também não adianta usar o MSCONFIG e desmarcar a caixinha de iniciação do estorvo, pois ele reinicia sozinho. O mais perverso é que este serviço varre os hds a cada iniciação do WIndows. É um absurdo cortezia de Bill.´
Só há um jeito de detonar o WMPNetworkSvc e é muito simples e rápido. Vá em iniciar e digite “ prompt “ sem as aspas e espaços. Clique com o botão esquerdo no Prompt de Comando e mande Executar como Administrador (senão, não funciona).
Em seguida copie, cole (só com o mouse, o cntrl+v não funciona em DOS). Dê Enter em um de cada vez é claro.
sc stop "WMPNetworkSvc"
sc config "WMPNetworkSvc" start= disabled
Se você quiser remover, deletar de fato este serviço, use mais este comando.
sc delete "WMPNetworkSvc"
Espero ter ajudado alguém mais uma vez.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
História do Cais do Pharoux
Não costumo citar a Wiki, mas desta vez é mais simples. Apesar de ser conhecido como Cais Pharoux, seu nome inicial correto era Cais do Pharoux, do caso, do sr. Pharoux, construtor do primeiro hotel decente no Rio de Janeiro Imperial.
O EMPREENDEDOR
"Acostumados ao requinte e sofisticação próprios do Velho Mundo, a Corte Lusitana tivera de aguardar dois anos até que desembarcasse no Rio de Janeiro Louis Pharoux, o herói de Marselha, que lutara ao lado de Napoleão até que terminou por exilar-se nos trópicos para começar vida nova." (Bruno Accioly)
É bom lembrarmos que as primeiras décadas do século 19 foram consolidadoras da escravatura urbana no Rio de Janeiro e Louis Pharoux era proprietário de escravos. Ele sai do Brasil antes da difusão da fotografia.
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Hotel Pharoux, 1860 - Foto de R. H. Klumb (clique para ver maior)
O HOTEL
“Quando Mr. Pharoux chegou ao Rio de Janeiro, em 1816, era ainda bem moço. Vinha de França. Muito a esse Mr. Pharoux devemos. Muito. Devemos-lhe, por exemplo, a ideia da criação do primeiro hotel, com certo aspeto de grandeza e decoro, instalado entre nós, o erguido no prédio que existia no ângulo da Rua Clapp com a Praça Quinze, e que, em 1901, mostrava, em letras colossais, sobre a fachada, este letreiro: Casa de Saúde do Dr. Cata Preta. Era um imóvel de proporções avantajadas, olhando para o mar. Logrou Mr. Pharoux, entre nós, notável simpatia e larga popularidade. Rico e cansado, muito tempo, depois, vendeu o seu hotel. E foi morrer em França, isso pelo ano de 1868.” O nome do cais deve-se a este francês. (EDMUNDO, Luiz. O Rio de Janeiro do Meu Tempo. 2ª Edição, 1º Volume. Rio de Janeiro: Conquista. 1957)
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Desenho Hotel Pharoux, ainda não consegui atribuir a autoria, mas é ligeiramente diferente da construção verdadeira.
Pela foto, podemos ver que no térreo havia cabines para banhistas com dísticos “banhos” em várias línguas. Uma série de anúncios comerciais de venda, desde barcos até batatas coloca como referência de localização, “em frente a casa” ou “hotel do sr. Pharoux”.
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Adolphe D´Hastrel - Praia D. Manuel Cais Pharoux 1841 - Litogravura Coleção Geyer/ Museu Imperial de Petrópolis, publicado na web por Renata Jardim em Fragmentos-Arqueologia Histórica no Rio de Janeiro (clique no link para conhecer o trabalho dela com mais detalhes sobre o hotel, e na foto para ver maior)
A localização do hotel, inaugurado em 1825 na Rua da Quitanda e transferido para Rua Fresca em 1838, fazia muito sentido, pois os viajantes podiam sair das longas viagens nos veleiros e ir descansar em terra firme logo ali na esquina. É uma época em que o Largo do Paço (Praça XV) era com piso de terra e lama. Defronte à este hotel e para a sua direita, havia uma praia de areia, denominada Praia Dom Manuel, cuja existência ainda é citada em documentos da capitania do portos em 1847. À esquerda havia a Praia do Peixe já tradicional entreposto de comércio de pescados.
O chafariz do Mestre Valentim, que existe até hoje (sem água) foi colocado ali, para oferecer abastecimento de água gratuito não só aos trabalhadores do cais como às próprias embarcações.
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O Cais do Pharoux, área de passageiros em 1918, podendo-se ver as pequenas lanchas que faziam o transbordo. Cartão postal colorizado no original.
CAIS E ESTAÇÃO DAS BARCAS
"O primeiro cais da cidade do Rio de Janeiro foi construído em 1779 pelo vice-rei D. Luis de Vasconcelos. O chafariz denominado de Mestre Valentim, construído no século XVIII, ficava à beira d’água para fornecer aos embarcados água doce, limpa e fresca. Escadarias paralelas, ao lado do chafariz, eram os locais de embarque e desembarque. Durante o século XIX, com a grande exportação de café brasileiro, o porto do Rio de Janeiro teve que adequar-se à mudanças necessárias ao aumento da carga brasileira que ia em direção a diversos países. Várias ilhotas e enseadas, comuns na costa do Rio de Janeiro, deram lugar, no início do século XX, a um porto mais moderno. O cais tomou o nome de Pharoux depois de ter sido chamado Cais da Praça do Carmo, quando ali se instalou o Hotel Pharoux.O dono do Hotel era um francês bonapartista que para o Rio de Janeiro emigrou. Os móveis franceses, os espelhos florentinos e a alvura das suas toalhas brancas faziam o estabelecimento do francês ser diferenciado dentro de uma cidade ainda desorganizada e suja, e o nome do Hotel passou a ser a denominação do local, que conhecemos por Praça XV." (Heloisa Meirelles - FIGUEIREDO, Cláudio. SANTOS, Núbia M. e LENZI, Maria Isabel. (org.)O Porto e a Cidade: o Rio de Janeiro entre 1565 e 1910.Rio de Janeiro: Casa da Palavra Produção Editorial, 2005.)
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Vista do Cais do Pharoux, área de passageiros em 1907. Pode-se ver o largo arruamento no que viria a ser a Praça XV para acesso de pessoas e bagagens. A iluminação deveria deixar o lugar bucólico a noite. Foto de A. Ribeiro.
"Da fusão da Companhia das Barcas Ferry com a Empresa de Obras Públicas do Brasil, organizou-se, em 1º de outubro de 1889, a Companhia Cantareira e Viação Fluminense, que passou a explorar o abastecimento d’água de Niterói, o serviço de bondes na mesma cidade (tração animal) e a navegação a vapor entre o Rio de Janeiro e a capital fluminense. Na administração do Visconde de Moraes (1903 a 1908), realizou a Cantareira grandes melhoramentos, como a construção de novos flutuantes para facilitar o embarque e desembarque dos passageiros; substituição das velhas barcas por outras mais rápidas e mais confortáveis; construção das novas estações do Cais Pharoux e da Praça Martim Afonso; eletrificação dos bondes de Niterói, etc." (DUNLOP, Charles Julius. Rio Antigo. 3ª Tiragem. Rio de Janeiro: Editora Rio Antigo e Gráfica Laemmert Ltda. 1963)
Parentes, amigos e curiosos, lotam a praça do Cais do Pharoux, para a partida de um transatlântico para a Europa. Publicado pela Fon-Fon em 29/jul/1911 em página dupla central.
O edital para a construção do inicialmente denominado Cais do Paço foi publicada no Diário de Rio de Janeiro em 7 de julho de 1842. Este novo cais seria construído sobre toda a linha do litoral ali da região, da Praia Dom Manuel à do Peixe, passando pelo Paço. O hotel ficaria mais ou menos no meio.
Nesta foto oda barca Gragoatá vemos a indicação Cais do Pharoux abaixo do nome da embarcação.
Numa das fotos deste post, podemos observar que a linha da barca era para o "Cais do Pharoux" e não para a Praça XV. Durante décadas este cais, praticamente todo ele uma simples calçada de granito com cerca e escadas de granito indo até a água era a porta de entrada e saída de passageiros da cidade do Rio de Janeiro. Os navios ficavam ao largo e passageiros, bagagens e cargas faziam o transbordo em pequenas embarcações. Isto foi bastante documentado e podemos ver fotos de época.
Uma barcaça com sacas espera para ser descarregada enquanto um barco menor recebe baús de viagem de passageiros oceânicos na área de carga do Cais do Pharoux Cartão postal.
Atualmente a única pequena parte do Cais do Pharoux restante fica à esquerda da estação das barcas que ao longo dos anos foi ocupando cada vez mais a frente de toda a Praça XV, mas na praça Marechal Âncora, à direita da estação das barcas ainda existe uma grande extensão de cais, da mesma época histórica, com as escadas, os pontos de amarração dos barcos em ferro e sem cerca, pois era uma área destinada à carga.
USO MILITAR
No relatório anual do Ministério da Guerra de 1938 dá-se conta de um serviço de transporte militar denominado "Maruja", feito por lanchas com reboques, que duas vezes por dia saía do Cais Pharoux, uma para as Fortalezas de São João e Ilha da Lage, e a outra para a Fortaleza de Santa Cruz e Forte de São Luiz. Esse serviço Maruja também era responsável pela barca de transporte de água Marechal Hermes, também fazendo duas viagens diárias. No ano anterior, transportou 24.745 toneladas de água para estas unidades militares. Foi do Cais do Pharoux que partiram com despedidas emocionadas os brasileiros voluntários e estrangeiros reservistas que foram combater por seus países, ou pelos países de seus familiares logo no início da Primeira Guerra Mundial.
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Uma foto tradicional de embarque para as famílias que podiam pagar era tirada na descida das escadas do Cais do Pharoux. Esta mostra um grupo de reservistas franceses que embarcou para o campo de batalha logo no início da Grande Guerra em agosto de 1914. Nenhum deles foi identificado na foto, em matéria ou posteriormente. Não sabemos seus nomes, nem o que fizeram, nem quais deles morreram ou voltaram ao Brasil. Publicado na Revista da Semana de 17/ago/1914.
A GRANDE AVENIDA LITORÂNEA QUE NUNCA EXISTIU
"O Governo do Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914), sendo Ministro da Viação e Obras Públicas o Dr. Barbosa Gonçalves, pensou em dar complemento ao Cais com outro rumo: O prolongamento se faria pelo canal da Ilha das Cobras, Doca da Alfândega, Pharoux, até Ponta do Calabouço, extremidade oriental do antigo Arsenal de Guerra; o Arsenal de Marinha passaria para a Ilha das Cobras, aumentada de 60.000 m2; a Avenida do Cais emendaria, assim, com a Avenida Beira mar, em Santa Luzia, oferecendo um passeio de 12 km., desde Botafogo até a Ponta do Caju." (ROSA, Ferreira da. Rio de Janeiro em 1922-1924. Coleção Memória do Rio. Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.)
O TÚNEL PARA NITERÓI QUE NUNCA EXISTIU
Ainda em 1876, o engenheiro inglês Hamilton Bucknall veio ao Rio e encantou a corte imperial com um projeto espetacular: um túnel para trens ligando o Rio a Niterói. No projeto, a entrada seria exatamente no Cais do Pharoux desembocando em Gragoatá, em Niterói.
PRAÇA MARECHAL ÂNCORA
Com as obras da derrubada da Perimetral a Praça Marechal Âncora foi transformada em um imenso estacionamento público. Esta área de carga do Cais do Pharoux ficou largada desde que desativada o que a preservou.
Nas fotos podemos ver as escadas de acesso aos barcos com os degraus completamente desgastados por décadas de utilização.
É o único ponto da cidade onde houve a intenção de preservar o ultimo piso original de paralelepípdeos com os trilhos do bonde que contornava a Marechal Câmara junto ao cais.
Trilhos de bonde originais entre a Marechal Âncora e a Estação das Barcas. Fotos de José Roitberg 10/ago/2013
© 2015 - José Roitberg - jornalista e pesquisador
terça-feira, 15 de setembro de 2015
1986 - RIO ATERRADOR
Não é um projeto centenário. Tem apenas 29 anos mas podia ter modificado a Zona Sul e a relação do carioca com o mar. A matéria publicada pelo jornal O Globo em 20 de abril de 1986 iniciava assim: "Pode parecer uma ideia de algum cérebro delirante, mas o projeto existe e está em estudos".
Muitas pessoas sabem que houve projetos para aterrar a Lagoa Rodrigo de Freitas e até mesmo a Baia da Guanabara inteira e quase todos ignoram tudo que foi aterrado antes. Nossa cidade maravilhosa é aterradora (com o perdão desta formação gramatical curiosa). Só algumas: Glória, Flamengo, Botafogo, Calabouço, Beira Mar, Santos Dumond, Cais do Porto e Gamboa, Caju, Ramos, Ilha do Governador, Praia Vermelha, Urca, entorno do Lagoa, Praia de Copacabana, Lagoa do Boqueirão na Lapa, os mais diversos rios, montanhas derrubadas e removidas etc...
Pela imagem oficial do projeto percebe-se que os 700 metros da Praia do Arpoador seriam extintos e em seu lugar, seriam construídos nada menos que 10 km de praias. As Ilhas Cagarras passariam a ser montanhas urbanas emoldurando a área cultural do projeto.
O pretexto era "facilitar a navegação na entrada da baía" (se bem que ali não é entrada de nada...), mas a realidade era um projeto imobiliário gigante com conjuntos comerciais, bairros residenciais, parques, hotéis, cassinos e marinas. O projeto da Península Cidade-Jardim, lembrava o "Lago Ocean", do arquiteto Sérgio Bernardes, que deveria se localizar em frente ao Jardim de Allah, com uma marina de três andares subterrâneos, lojas, teatros, cinemas e estacionamentos. Obra vetada pela Feema.
Obviamente interessada, estava a Companhia Brasileira de Dragagem com um orçamento de 450 milhões de dólares para criar o grande banco de areia. O custo total do projeto chegaria praticamente a 1 bilhão de dólares (valor de 1986), mas os incorporadores afirmavam que o custeio viria da comercialização de 8 milhões de metros quadrados da Península, 66% da área total de 12 milhões. O desenho não faz jus à área real, duas vezes maior que a área construída de Leme, Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon e Lagoa juntos!
Teríamos uma Zona Sul três vezes maior do que é, e o Rei Netuno não iria protestar por perder um pedacinho insignificante do Atlântico.
Em minha modesta opinião, os dois projetos, Península e Lago Ocean, deveriam ter sido levado adiante e teríamos uma cidade bastante diferente da atual. Só a questão dos 10 km de praias oceânicas urbanas já seria um atrativo turístico inimaginável. Quem conhece outros locais de litoral como Miami e Fort Lauderdale, sabe que se avança sobre o mar com penínsulas e condomínios, sem ter uma Feema ou ambientalistas criticando a "poluição visual das praias" como no caso de ambos projetos embargados.
por José Roitberg - jornalista e pesquisador