quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sociedade Beneficente Israelita Achi Hezer - 1913


O RIO JUDEU QUE O POVO ESQUECEU

19 de setembro de 1913
- Fundada a Sociedade Beneficente Achi Hezer, na rua Visconde de Itaúna 113 (praça Onze) com biblioteca e teatro amador. Foi a primeira grande entidade local de amparo aos imigrantes.

Achi Ezer, em hebraico, significa "Ajuda ao Meu Irmão". Há várias instituições judaicas com este nome, ainda hoje em diversos países.
Em 1920 se tornou a Sociedade Beneficente Israelita e Amparo aos Imigrantes - Relief, provavelmente no mesmo endereço na praça Onze. Esta é bem mais conhecida. No final dos anos 1920 se mudou para São Cristóvão 189 (este número nunca existiu - arrisco-me a dizer que foi no 59), depois rua Joaquim Palhares, onde funcionava também um curso de português para os imigrantes.

diploma da sociedade israelita Achi Ezer fundada em 1913 full

Há pouca informação sobre ela e os historiadores contemporâneos a denominaram incorretamente de "Achiezer" como se fosse o nome de alguém. A data de fundação com a qual se vinha trabalhando até hoje era 1916, e também estava errada. O Diploma não preenchido quer era o título de sócio da Achi Hezer, coloca a história em seu devido lugar.
E como sempre, apenas esbarrei nele procurando outra coisa.

Será que alguém consegue encontrar outros diplomas destes nas coisas dos avós ou bisavós? Em 1913 havia entre 3 a 4 mil judeus no RJ, então o grupo que se associou deve ter sido bem restrito.

© 2014 - José Roitberg - jornalista e historiador

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O homicídio do rapaz negro e gay

O homicídio do rapaz negro e gay em SP parece estar sendo comprado. Surgiu um diário do garoto de onde a mãe, negra e pobre, afirma que ele queria se matar. Não há como entrar nesta seara do crime hediondo de uma forma moderna.

Nem o Walcyr, o Carrasco, usou como personagem: gay arranca todos os seus dentes, se espanca e depois se mata.  Vou de Nelson, o Rodrigues ao qual mando um beijo além túmulo e sei que ele vai cuspir de volta...

"A VIDA COMO ELA NÃO É
por José Roitberg.

Rapaz pobre. Achava que era bonito. Imaginava que o amariam. Coisa de juventude, alçar voos e imaginar que há futuro. A realidade é dura. Falta comida, falta dinheiro. Aquela roupa não dá. Aquele tênis não dá. Usa é a calça velha, o calçado puído. A cueca, pelo menos, lavada pela mãe.

E levado pela onda, levado pelo consumo o rapaz pobre fica deprimido. Sem as coisas que o dinheiro compra, nem o amor chega de graça. E quando chega é desgraçado. Vem de supetão. Vai de repente. Fica o garoto pobre. Fica a depressão.

As letras sempre foram gratuitas e seu terrível diário mostra quem é. Belo dia acorda após jornada de labuta e percebe que de bela nem a vida nem ele. Tomado de uma verdade devastadora olha-se no espelho e desfere o primeiro soco. Dói, mas não pia. O lábio sangra, mas se cala. Mais um soco. Outro soco. Dentes começam a cair. É tão fácil. Como ninguém fez isso antes. 'Sou feio.' E porrada. 'Sou feio.' E porrada. Vão-se os dentes fica a mente, fica o corpo magro que era feio e agora é desfigurado. O corpo precisa ficar igual ao rosto. E soco, soco, canelada na porta, joelhada na mesa.

Ninguém ouve. E se houve alguém, ninguém ligou. São os ruídos da vida em comunidade. Soco, canelada, chute. Não há mais rosto, não há mais corpo. Só há vida, mas nada vale. Então correr. Passa veloz pela mãe que vê a novela de Carrasco. Quase derruba a porta, mas não importa.

Ganha a rua e corre, corre, corre. Ninguém liga. Ninguém olha. Mais um garoto negro machucado correndo. Deve ser drogado. Deve ter apanhado do traficante. No fim ninguém dá a mínima como ninguém deu no começo. E corre, corre, corre. Chega a um viaduto. É noite. Luzes brancas, luzes vermelhas, pele negra, sangue vermelho, dor. 'Chega!'

E flutua. Vê os carros passando por baixo. Visão poética. Ninguém jamais viu. Só ele viu. Pensa na mãe. Pensa no amor. Pensa no gozo. Um estalo. Não entende o que aconteceu. Não pensa mais em nada."

domingo, 5 de janeiro de 2014

Osborne 1 o Pai dos Notebooks

Você já existia em 1981? Os microcomputadores já. Um dos mais impressionantes da época era o Osborne, portátil. Bastava fechar a tampa onde ficava o teclado e arrasta-lo para cima e para baixo. No centro do painel vemos uma tela de fósforo verde com 3 polegadas o que era similar ao HP da época. De cada lado, aquelas gavetas estranhas são duas unidades de disco flexível de 5 1/2 polegadas. Há várias grades de ventilação e conectores frontais para geek de 1981 ligar seus periféricos. Os conectores, são de padrões a muito falecidos: IEE 484 e RS-232C.

Os discos ainda eram de face simples e podiam armazenar 100 kb cada um. Não havia fisco rígido. A memória RAM era de espantosos 64 kb, o máximo para a época. Havia computadores IBM de médio porte que usavam unidades de memória de 4 kb do tamanho de uma geladeira atual - ainda ficariam anos em uso -, então 64 kb ali dentro era espantoso. A CPU era a famosa e esquecia Z80A, que 10 anos depois serviria apenas como controladora do teclado do PC da IBM.

O software era completo. Havia CP/M, sistema operacional e CBASIC-2 para programação; Mailmarge para montar e ordenar malas diretas; Supercalc, que nã é tão diferente assim do atual Excel (sua evolução) e Wordstar, um processador de textos espetacular, que ainda usamos, evoluído, como Word. Nenhum destes softwares eram da Microsoft. Essa máquina foi o sonho de consumo de milhões de pessoas que queriam um computador. Mas 1.795 dólares em 1981, dava para comprar carro zero nos EUA, um Maverick por exemplo.

Note como a indústria dos "notebooks", dos quais este foi o primeiro operacional, apesar de estar mais para um "filebook", estabeleceu um preço mágico que se mantém para as máquinas topo de linha, que são sempre lançadas pouco abaixo dos 2.000 dólares, não interessa o que venha dentro. É o que as pessoas estão satisfeitas em pagar.


Anúncio de lançamento do Osborne em 18 de maio de 1981

Mas eu não estou trazendo isso, só porque o anúncio é velho. Ocorre que é mais um avanço que os judeus deram ao mundo. Arthur Osborne (1939-2003) não era judeu e vendeu sua editora para a McGraw-Hill, em 1979, decidido a criar um computador barato e portátil, coisa que não existia e que continuaria não existindo por muitos anos depois do lançamento o Osborne 1. Contratou Lee Felsenstein (nascido em 1945), este sim o judeu dessa estória, que projetou a máquina. O pacote completo foi desenhado para caber debaixo de uma poltrona de avião.

Nos primeiros 8 meses, foram vendidas 11.000 unidades, o que rendeu a MicroPro International, a empresa que criou o Wordstar, 50.600 dólares (4.60 por cópia). Mais 50.000 máquinas foram encomendadas e tinham uma taxa de falha e não funcionamento elevada, de 10 a 15%, exigindo a troca, que era feita.
Durante meses a venda se manteve na faixa das 10.000 unidades por mês e a Osborne rapidamente passou de seus originais 2 funcionários, para 3.000, com um faturamento de 73 milhões de dólares nos primeiros 12 meses.

Em 1982, o Osborne 1 passou a rodar o banco de dados dBase II, hoje o Access e as vendas explodiram exigindo a produção de 500 unidades dia, o controle de qualidade diminuiu. E é exatamente quando a IBM entra no mercado com o PC que era mais veloz e mais avançado, mas não era portátil. A Compaq surge com um portátil totalmente compatível com o IBM PC.

Os estoques começaram a acumular e o preço caiu 500 dólares no final de 1982 e despencou para 995 dólares em julho de 1983, apenas dois anos após o lançamento. E a empresa faliu. Foi o primeiro grande aviso de que as coisas são velozes demais para cima e para baixo no mercado da microinformática pessoal e que não é possível criar um computador e passar a vende-lo indefinidamente. Ele tem que evoluir o tempo todo.

A micro informática tem história. Lee Felsenstein já tinha projetado e construído outro computador antes do Osborne e continuou na ativa. Em 2003, desenvolveu sistemas de telecomunicações para levar celulares e internet para aldeias remotos pelo mundo a fora, foi nomeado "Pioneer of the Electronic Frontier".

© José Roitberg 2014 - jornalista e historiador

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Cerveja Way Cream Porter ???

Vc passou num supermercado hoje, dia 3 de janeiro em Copacabana? Viu os espaços vazios? Sem sorvetes, sem refrigerantes em lata que não fossem zero, sem qualquer garrafa d'água, faltando iogurtes, sem sucos, poucos leites...

Parece que uma horda de gafanhotos passou por Copacabana e os mercados se programaram mal. Tivessem dobro de estoque, talvez tivessem tido o dobro de vendas. As cervejas baratas também deixaram de existir e essa aqui me chamou a atenção.

Way, vê se isso é nome de cerveja, ainda mais se definindo com "cream porter"... Rotulo pintado em silkscreen...

Atrás, uma explicação dizendo que é preta, cremosa, encorpada com aveia, como as cervejas do século 18 feitas para serem levadas em viagens e expedições.

Com uma propaganda destas, merece ser comprada. E é uma cream porter adocicada perfeita que deixa a superprecificada Guiness irlandesa no chinelo.

Como qualquer cream porter, precisa estar bem gelada e servida em copo para a espuma cremosa subir. No copo é perfeita, do gargalo não vale um tostão furado.

Se vc gosta das pretinhas arrisque This Way e confie nos cervejeiros da Chácara Atubá em Pinhais, SC. Eles sabem o que estão fazendo. Vou tomar a segunda.

http://www.waybeer.com.br/qual-a-sua-way/

© José Roitberg - jornalista e historiador

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Plutão não foi extinto… Para uns…

Nestes últimos dias do ano somos bombardeados com empulhação astrológica e mística fajuta. É duro de aturar. Você não sabe, mas os astrólogos se apropriam das coisas e as definem como ancestrais, milenares e além, para justificar suas teses. Recentemente ouvi uma das principais astrólogas do Brasil fazer previsões muito complicadas para Israel, Brasil e o mundo, não para 2014, mas para 2024. Perguntada se 2024 era um marco importante, ela disse: "Claro que é! É quando o Planeta Plutão entra da constelação de..." E do alto de uma falácia de alegar que a astrologia tem 10.000 anos "muito bem documentados". Mas não tem uma revistinha mensal que lhes mostre a realidade. Tal astróloga define como o ser humano olhando para as estrelas, a astrologia e não a astronomia.

É óbvio que para ela e outros astrólogos, os seres humanos andavam de cabeça baixa e não olhavam para as estrelas além do emblemático 10.000 anos atrás. Aliás, estavam os humanos ainda na Idade da Pedra. Nem sabiam que a Terra era um planeta, muito menos que se chamava Terra. Todo o início do período bíblico, Abraão, Monte Sinai, Moisés, Conquista de Canaã ainda era na Idade do Bronze. Não se tinha chegado nem ao ferro ainda (pelo menos no Ocidente). O mundo terminava ali no horizonte marítimo e os judeus deviam ter tanta certeza disso, que jamais construíram embarcações para testar esta tese que nos atormentou até as últimas décadas do século 15.

Plutão é considerado pelos astrólogos como o exemplo ancestral que define mudanças terríveis. Então se astrólogos horrorizados com as minhas blasfêmias me leem, fiquem sabendo: PLUTÃO NÃO É MAIS UM PLANETA !!! Então parem de dizer que "o planeta Plutão isto e aquilo". Sequer existia o então considerado planeta Plutão em 1929 !!! Ele foi descoberto em 1930, não por astrólogos, mas por astrônomos. E não se chamava Plutão! Era o "Planeta X". O observatório que o descobriu fez um concurso e recebeu mais de 1.000 nomes, sendo escolhido o enviado por uma menina de 11 anos chamada Venetia Burney, que gostava de mitologia e achava legal o nome do Deus do Submundo do politeísmo romano.

Nunca houve mapa astral com Plutão antes de 1930! O mesmo para os outros planetas a medida em que foram descobertos. Muito menos Plutão se refere a uma realidade do submundo, mas apenas a inocência de uma menininha.

Aposto qualquer coisa que nenhum astrólogo jamais previu a descoberta de Plutão e que jamais previram que Plutão não seria mais um planeta.

Astrólogos e All !!! Feliz Ano Novo, com a certeza de que o Planeta X, nunca mais irá amaldiçoar a humanidade e nunca mais irá "influenciar profundas mudanças". A astrologia antes da descoberta dos planetas e na época da Terra Plana devia ser muito ridícula...

© José Roitberg 2013 - jornalista e historiador

SNOWDEN, NSA AND YOU

Lá pelo início dos anos 2000 se falava num serviço de monitoramento global de comunicações telefônica e de emails chamado Echelon. A maioria achava que era ficção científica ou que era impossível. Mas vimos que é possível, está sendo feito e dentro da lei. Por que dentro da lei? Porque you, você, permite o monitoramento, por aceitar termos de instalação de softwares gratuitos topo de linha para seus computador e para o seu smartphone (APPs).

Se parar para ler as notas de instalação das principais APPs gratuitas, como Mapas, WhatsApp, Facebook, Twitter, Google Talk, Instagram, lerá que ANTES de vc a instalar, é apresentado ao que ela vai monitorar. Até mesmo APPs de desconhecidos acessam informações privadas. Invariavelmente monitoram: seu livro de endereços, seus torpedos enviados e recebidos, suas chamadas telefônicas, sua localização física (sem a qual os mapas e o GPS não funcionam, e os check-ins nos locais também não), seus emails enviados e recebidos, seus posts. Precisa de mais alguma coisa para monitorar alguém ou a todas as pessoas? Diga você. Foi você quem autorizou cada uma delas. Você não tem direito algum de reclamar estar sendo monitorado ou achar que isto é um absurdo.

Lá pela trigésima página do contrato do WhatsApp, temos em letras maiúsculas: "VOCÊ CONCORDA QUE O USO DO SERVIÇO DO WHATSAPP CORRE INTEIRAMENTE POR SUA PRÓPRIA CONTA E RISCO... e segue por mais alguns parágrafos.

Quando caímos para o computador, temos a praga que é o Gmail, Hotmail, Yahoomail e este Facebook, onde nos termos de adesão vc autorizou expressamente o seu próprio monitoramento. Ah... Mas vc só marcou caixinhas dizendo "ok" ou "eu concordo"... Vc assina um contrato de locação, de compra de carro, de empréstimo, sem ler? Creio que não. Então porque assina os contratos virtuais sem ler?

Conseguindo apenas boas informações pessoais e poucas profissionais com o Facebook, o sistema de monitoramento cria o Linkedin e passa a contar com dados profissionais profundos e o histórico profissional de mais de 1 bilhão de pessoas...

Mas pode até ser que vc afirme: "quando eu concordei, anos atrás, eu li e não tinha nada disso lá". Não se preocupe. Eu fiz a mesma coisa que você. Só que existe uma cláusula em todos estes contratos virtuais de super-serviços gratuitos que permite à empresa alterar cláusulas dos contratos quando elas bem entenderem. Google e Facebook sempre avisam aos clientes que "novas normas de privacidade em vigor" e permitem que vc saia fora ou concorde novamente. E é muito simples largar lá 4 GB de emails que vc nunca lerá novamente e ir embora. Mas ninguém vai.

"Novas normas de privacidade" significam novas normas de INVASÃO DE PRIVACIDADE. São normas a favor da empresa e dos sistemas de monitoramento e não normas a favor das pessoas. Aliás, você nunca parou para pensar porque estas coisas gigantescas são gratuitas? Nunca parou para pensar que empresa privada tem condições de oferecer 10 GB de espaço em disco para centenas de milhões de usuários? Vc consegue entender o número? É difícil mas vamos tentar.

10 GB são 10.000.000.000 de caracteres. Se a empresa tiver meros cem milhões de clientes, ela precisa ter espaço em disco para 10.000.000.000.000.000.000 de caracteres. O número é tão grande que ninguém sabe sequer pronunciar. E aí, na nossa ingenuidade achamos que dá para fazer isso tudo de graça sem ser o Estado. Que dá para fazer isso sendo empresa privada somente. Vou tentar colocar em termos mais simples: para cada cem milhões de clientes, precisa de 1 milhão de HDs de 1 Terabyte e um sistema simples para montar isso, os cabos, as fontes de alimentação as placas controladoras etc. Vc acha que isso é viável para a empresa privada ou está mais para um orçamento militar de segurança nacional?

Vc acha que uma empresa como a Google telefona lá para Seagate na Tailândia e diz: "Aí pessoal, tamos precisando de uns 50 milhões e hds de 2 tera. Quando vcs podem entregar? Dá para dar um desconto de 10%?"

Primeiro, monitoraram os emails e listas de amigos com o Gmail. Depois monitoraram informações pessoais de centenas de milhões de pessoas no Facebook. Informações estas que nenhum agente iria conseguir obter, mas que as pessoas disponibilizam para o sistema por conta própria. Depois o Face foi aprimorado para reconhecimento facial, e isto é a verdade, não mais ficção científica. Já experimentou colocar fotos de pessoas no Face? Já aparecem sugestões de nomes de quem está na foto. Muitas vezes de forma errada, muitas vezes de forma correta. E não é nenhum batalhão de agentes que cria os bancos de dados de identificação facial, mas eu, vc, e nossos amigos que "marcam" as fotos espontaneamente. Não tenha dúvidas de que o banco de dados de reconhecimento facial do Face é integrado à NSA para o controle de fronteiras americanas e identificação de suspeitos. Coisa se série de TV, mas muito real. Basta ver a velocidade com que foram identificados os dois terroristas da Maratona de Boston, que tinham perfis na rede social.

Por fim. O monitoramento mundial conta com you, com vc. Na figura abaixo temos as configurações do Google Chrome, sistema de browser utilizado por bilhões de pessoas no mundo. Na opção "privacidade", o padrão é que a caixa que permite o monitoramento esteja desmarcada. Sugiro que marque, e torça para não ser apenas um engodo. Até porque o termo "rastrear" é amplo demais para vc deixar a cargo da Google e da NSA.

Lembra do cartaz de recrutamento mais emblemático da Segunda Guerra Mundial com o coveiro Uncle Sam? "I Want You !" Hoje Uncle Sam diria "I Watch You ! "

como o google monitora sua navegação

@ José Roitberg 2013 - jornalista e historiador

domingo, 29 de dezembro de 2013

Movimento Sionista Betar no Brasil 1947-1961

Surgiram estas preciosas fotos do Movimento Sionista Betar, que ia além de um grupo juvenil em suas atividades no Rio de Janeiro.

Com o monopólio historiográfico judaico por pessoas da esquerda judaica o Betar no Brasil foi varrido da história como se nunca tivesse existido. Exatamente o mesmo que movimentos juvenis de esquerda (Shomer, Dror, Chazit, Ichud, Bund, Clube da Juventude Israelita, Iugen Heim, ASA, Frischman e tantos outros) fizeram com a memória dos jovens que não eram da esquerda e combateram no Gueto de Varsóvia.


Pavel Frenkel

O Betar estava no Gueto de Varsóvia e praticamente todos os seus integrantes foram mortos em combate ou logo depois. Assim sobrevivendo jovens da esquerda, somente, contaram a história como lhes convinha. O Betar formou o ZZW (ZIDOWSRY ZWIZAEK WOJKSOWY - União Militar Judaica). Seus comandantes foram Pavel Frenkel e Leon Rodal, mortos em combates contra os soldados nazistas em abril de 1943


Leon Rodal

O Betar também combateu nos levantes dos guetos de Vilna e Bialistok. Poucos dos que sobreviveram a estes dois combates se incorporaram a unidade partisans de guerrilha. Todavia os membros dos grupos do Betar nos vários países da Europa foram praticamente 100% exterminados no Holocausto.

O Betar sempre foi acusado de ser “da direita fascista”, pelos militantes da esquerda já nos anos 1930 em Israel pelo fato de seu uniforme ter camisas de cor marrom-avermelhada escura. Os judeus de esquerda afirmavam que eram os 'camisas marrons' fascistas e nazistas. Mas convenhamos, as SA nazistas usavam marrom claro, quase bege, e os fascistas italianos usavam camisas pretas. Obviamente não interessa à propaganda judaica de esquerda que as camisas marrom-avermelhadas escuras foram criadas junto com o movimento na Latvia, em 1923, dois anos antes de Hitler escrever o Mein Kampf e sonhar com suas próprias camisas beges. Para o Betar o tom de marrom de suas camisas significava a terra de Israel.

Posteriormente, com a ascensão do nazismo o Betar fora da Alemanha passou a usar camisas brancas ou camisas azuis. Lembre que a imprensa era com fotos preto e brancas e a simples menção de "camisas marrons" era complicada por não ser possível ver os tons de marrom nas fotos. Na foto abaixo, uma manifestação de rua do Betar em Berlim, em 1934, já em pleno vigor da administração hitleriana. Podemos ver os jovens com camisas brancas e bandeira do movimento que unia a 'bandeira sionista' com uma menorá estilizada com a base como uma lâmina de punhal.

Betar na rua um Berlim em 1934


Mas a esquerda determina que tudo que não é esquerda é fascista. Apenas propaganda partidária. Assim, democratas são fascista, republicanos são fascistas, legalistas são fascistas, conservadores… Ah, estes são muito fascistas. É a visão da esquerda e é o que foi propagado por seus livros e ícones culturais.

Mas as pessoas do Betar aí estão, burgueses, democratas, pró-Israel, sionistas que foram embora, sionistas que ficaram.

O Betar não deixou sua história escrita no Brasil, nem na Europa, pois praticamente todos imigraram para Israel. Seus ícones são detestados pela esquerda judaica e pela direita religiosa ortodoxa judaica.


São Jabotinsky e Trumpeldor que desde antes da Primeira Guerra Mundial já pregavam que os judeus fossem capazes de se defender dos pogroms na Europa Oriental, enquanto a esquerda buscava e depois implementava sua revolução sanguinária e os religiosos implementavam a vontade de Deus para retirar dos cristãos ortodoxos do Império Russo e depois dos comunistas não tão ateus assim, a responsabilidade pela matança de judeus. Exatamente o que o Rabino Chefe Sefaradi, Ovadia Yossef z´l fez poucos anos atrás em relação aos nazistas. Nessa visão absurda da ortodoxia (mas não é uma visão geral), os que mataram judeus agiram movidos pelo “nosso Deus” para nos punir. Ah! Que se danem os que pensam assim e rezam para Deus mandar chuva todo ano…

Em março de 1920 oito judeus foram mortos num ataque árabe contra o povoado de Halsa, bem ao norte. Entre eles, Josef Trumpeldor fundador do movimento sionista russo Hejalutz. Entre 1919 e 1920, Halsa estava sob controle francês. Em dois meses, os árabes atacaram outras oito colônias de judeus. Esses ataques levaram os judeus a criarem a Haganá - Força de Defesa em junho. No ano seguinte os ataques árabes continuaram em áreas rurais e se iniciaram nas áreas urbanas, em Jaffa, Rehovot, Petah Tikva, Hadera, Haifa e Jerusalém, onde o bairro judeu foi duramente atacado e os árabes repelidos pela Haganá. Neste clima anti-judaico, os ingleses proíbem os judeus de entrar na "Tranjordânia."


Joseph Turmpeldor com uniforme
britânico em 1916
Em fevereiro de 1915 o comando britânico em Alexandria, no Egito, aprovou o plano de Zeev Jabotinsky e de Joseph Trumpeldor para criar uma tropa formado por judeus imigrantes russos que iriam participar da libertação da 'Palestina' do Império Otomano. O recrutamento começou pelos judeus que estavam no Egito e tinham sido expulsos da 'Palestina' pelos Otomanos em 1914 por serem russos, portanto inimigos na Primeira Guerra Mundial. O primeiro contingente foi de 650 soldados, dos quais 562 participaram da Batalha de Galipoli. Era uma unidade de transporte chamada de Zion Mule Corps. Eles se uniram em solo turco ao 9th Mule Corps da Índia, na tarefa complicada de abastecer de água as tropas da linha de frente de combate. Apenas 13 soldaos do Zion Mule Corps foram mortos. Trumpeldor, recebeu o posto de capitão e levou um tiro de fuzil no ombro, mas recusou a ser evacuado, continuando em suas funções. O ZMC foi desfeito em janeiro de 1916. No ano seguinte seria formada a unidade de combate conhecida por Legião Judaica, mas é assunto para outro artigo.


Zeev Jabotinsky com uniforme
britânico em 1917
Jabotinsky fundou o Betar homenageando Trumpeldor em 1923. Este é um ano emblemático, pois foi quando o Império Britânico promove a Primeira Partilha da Palestina do Mandato Britânico, criando oficialmente a Transjordânia e ampliando oficialmente a proibição de cidadãos judeus lá, já em vigor desde 1920. Portanto, na prática, o Estado Árabe segregado composto por mais de 70% do território da Palestina do Mandato.





As fotos abaixo não possuem legenda alguma. Não sabemos o nome sequer de uma pessoa nelas. Seria interessante se pudéssemos identificar algumas. Use os comentários.

Todas as fotos foram divulgadas pelo historiador militar Israel Blajberg

Fotos do Betar no Rio de Janeiro 1949 - 1961 - 7 FOTO DE ISRAEL BLAJBERG
Essa é uma foto inequívoca de um grupo do Betar antes de embarcar em navio italiano para Gênova, fazendo aliá (emigração para Israel). A rota pela Itália, depois embarcando em navio menor para Israel era a rota comum do final dos anos 1940 e da década de 1950 inteira. É no Porto do Rio.


Fotos do Betar no Rio de Janeiro 1949 - 1961 - 6 FOTO DE ISRAEL BLAJBERG
Parece outra foto de emigração de outro grupo em data mais recente


Fotos do Betar no Rio de Janeiro 1949 - 1961 - 5 FOTO DE ISRAEL BLAJBERG
Tirada no centro do RJ pelo menos a mulher que está à direita com o livro na mão é a que está na fila do centro da foto anterior com camisa quadriculada. Quem terá sido o elemento expurgado do grupo? E qual teria sido o motivo?


Fotos do Betar no Rio de Janeiro 1949 - 1961 - 4 FOTO DE ISRAEL BLAJBERG
Gente de todas as idades, num evento do Betar com a emblemática frase judaica, já caída no esquecimento: “no ano que vem, em Jerusalém”, sempre na esperança dos judeus de voltar a sua cidade mais sagrada. Notamos que não há um bibico do Betar no Museu Judaico. Será que alguém ainda guardou um?


Fotos do Betar no Rio de Janeiro 1949 - 1961 - 3 FOTO DE ISRAEL BLAJBERG
Está foto é provavelmente no campo do América onde a Comunidade Judaica realizava grandes festas como o Aniversário da Independência de Israel, e já muito antes disso, a esquecida festa de Bikurim, comemorando as colheitas em Israel. Vemos os adultos em ternos e os jovens com uniforme o Betar.


Fotos do Betar no Rio de Janeiro 1949 - 1961 - 2 FOTO DE ISRAEL BLAJBERG
Evidentemente é um evento. Pela faixa incipiente com o nome do Betar em hebraico, onde se lê claramente a ortografia “Beitar” podemos arriscar imaginar que poderia ser a foto de fundação do grupo no Brasil. Mas é só suposição. Pelos ladrilhos, aparenta ser um salão do Liceu Português, mais do que no Clube Ginástico Português, muito utilizado pela Comunidade, durante décadas, antes da construção da Hebraica. É notável que a reunião tenha ocorrido sob o retrato de Trumpeldor, fixado bem alto na parede.


Fotos do Betar no Rio de Janeiro 1949 - 1961 - 1 FOTO DE ISRAEL BLAJBERG
Aniversário da Independência de Israel em maio de 1961. É a única foto da qual podemos ter certeza da localização temporal


José Roitberg - jornalista e historiador