domingo, 29 de junho de 2014

DOIS TIROS MATARAM 60 MILHÕES DE PESSOAS

Num dia quente de junho, dois tiros foram disparados no centro da cidade de Sarajevo. Um homem e uma mulher caíram mortalmente feridos em sua carruagem. Em poucas semanas uma guerra engolfou praticamente o mundo inteiro e redefiniu o mapa e a ordem social na Europa, deixando uma marca indelével na história da humanidade.

Os impérios que foram sacudidos e derrubados na Primeira Guerra Mundial, estão para trás, apenas nos livros. Mas as forças que tornaram o conflito possível, forças como nacionalismo, disputas econômicas, alianças complexas entre países, e receio de uma potencial agressão russa, estão vivas hoje como estavam há 100 anos atrás. E as implicações destas tendências para o futuro continuam tão profundas quanto antes. A carta islâmica daquela época era o decadente Império Turco-Otomano, que controlava Jerusalém já por 400 anos. A carta islâmica atual é um EIIL e ISIS, considerados radicais demais pela Al-Qaeda, tanto que ao mesmo tempo em que aglutinam desertores da empreitada criada por Bin Laden, são atacados pelas forças formais do grupo.

No dia 28 de junho de 2014, o Arquiduque Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro e sua esposa, a Duquesa de Hohemberg, foram assassinados durante um trajeto em Sarajevo, por Gavrilo Princip, um dos membros de um grupo de seis terroristas assassinos suicidas enviados para a missão. Foram lançadas bombas que falharam e Princip resolveu atirar nos herdeiros do trono. Eram cinco sérvios e um muçulmano da Bósnia, cujos territórios estavam ocupados pelos austro-húngaros. A repressão foi brutal e países começaram a se alinhar, enviar tropas e lutar uns contra os outros a partir de tratados assinados anteriormente e posteriormente ao início da guerra.

A existência da Primeira Guerra Mundial levou a Alemanha a enviar para a Rússia, Kerensky, Lenin e outros revolucionários maximalistas (posteriormente comunistas) que se abrigavam exilados em seu território, com a finalidade de realizar uma revolução e remover as tropas russas da Frente Oriental, permitindo as potências centrais se concentrarem na guerra contra a Europa Ocidental. Isso ocorreu em outubro de 1917 e deu origem ao comunismo de estado com a União Soviética.

A união entre soviéticos e alemães imperiais, depois alemães nazistas só é rompida quando Hitler decide invadira a União Soviética em 22 de junho de 1941, data curiosamente próxima ao 28 de junho que marca o início da Primeira Guerra Mundial.

Aqueles dois tiros, na verdade, mataram pelo lado da Entente (consideramos os aliados: França, Inglaterra, Bélgica, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Itália, Rússia, Portugal, Japão, Brasil e outros), entre 4,8 e 6,3 milhões de soldados, 777 mil civis (ações militares e crimes de guerra), 2,5 milhões de civis de fome e doenças. Além disso, em torno de 12 milhões de soldados foram feridos. Não se sabe quantos vieram a falecer dos ferimentos nos anos seguintes.

Pelo lado das Potência Centrais (Áustria, Hungria, Alemanha, Turquia e outros), foram mortos entre 3,4 e 4,3 milhões de soldados, 1,6 milhões de civis em ações militares e crimes de guerra, cerca de 2,2 milhões de civis de fome e doenças, além de 8,5 milhões de soldados feridos. No bojo da Primeira Guerra Mundial, o Império Turco-Otomano decidiu praticar o genocídio da população cristã-ortodoxa armênia que habitava seu território, como estratégia pública e publicada, na época, de reação contra as tropas "cristãs" da Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia que atacavam o Império não só na Palestina como no litoral da Turquia. Turcos e alemães, inclusive soldados judeus de ambos participaram da defesa e derrota na Palestina, onde Jerusalém passou ao domínio "cristão", pelas tropas inglesas, incluindo unidades judaicas, pela primeira vez desde a última Cruzada derrotada na região.

O total do conflito é de 19.589.982 mortos e 23.674.204 feridos. Apesar de assustador, é menos da metade dos mais de 50 milhões de mortos na Segunda Guerra Mundial.

A Primeira Guerra Mundial, foi amplamente documentada em mapas, fotos, artes, caricaturas e textos pela mídia brasileira diária e semanal.

Mas não foi só o combate e a doença provocada pelas trincheiras que matou durante esta guerra. Em 4 março de 1918 foram detectados os primeiros casos da Gripe Espanhola, uma Influenza A subtipo H1N1 em Fort Riley, no Kansas. No dia 11, os primeiros casos foram registrados no Queens, em Nova Iorque e em abril, as tropas francesas, britânicas e americanas, em portos franceses começaram a cair. Em maio a Grécia, Portugal e Espanha foram atingidas. Em junho os Países Baixos e a Suécia. Todos os exércitos no conflito contraíram a doença e os comboios marítimos as levaram para todo o mundo. 80% das mortes da marinha norte-americana foram por esta gripe e 98% das mortes na marinha brasileira, também.

Até hoje não se sabe o que a causou. Vários cientistas acreditam que as condições terríveis das trincheiras europeias propiciaram uma mutação do vírus da Influenza, para algo devastador com uma taxa de mortalidade de 8%. A primeira fase da Gripe terminou em agosto de 1918. Mas o inverno no hemisfério norte trouxe um novo avanço que terminou em janeiro de 1919. Uma quarta etapa da gripe começa em fevereiro e termina em maio de 1919. Metade da população do mundo contraiu o vírus e 40 milhões de pessoas morreram. Isto eleva o total de mortos devido à Primeira Guerra Mundial à cerca de 59,5 milhões de pessoas.

Na segunda onda, em setembro de 1918, retorna ao Brasil o navio Demerara que é apontado como o portador do vírus. A epidemia atinge nossa nação e deixa 300.000 mortos, entre eles o presidente da república, Rodrigues Alves.

Em nossos cemitérios, inclusive os judaicos, a linha "1919" é especificamente longa, mostrando que os judeus foram vítimas da pandemia de forma semelhantes aos outros grupos étnicos.

Talvez você não saiba de nada disso. Então, é provável que nunca tenha ouvido falar da participação dos judeus na Primeira Guerra Mundial, que considero "A Guerra dos Judeus", pois foi a única em que judeus mataram-se nacionalisticamente defendendo seus países de origem ou de naturalização (principalmente das Américas e Oceania). Há uma matéria bastante completa sobre esta questão em http://roitblog.blogspot.com.br/2013/12/1914-1918-guerra-dos-judeus.html

terça-feira, 17 de junho de 2014

Considerações sobre o sequestro na Cisjordânia



Considerações sobre o sequestro na Judeia e Samaria de Eyal Yifrah, 19 anos, de Elad; Naftali Frenkel, 16, de Nof Ayalon e Gil-Ad Shayer, 16, de Talmon (fotos abaixo), são os três rapazes desaparecidos desde a quinta-feira dia 12 de junho.



1) FATO: Algumas fontes de mídia israelense e blogueiros, estão atribuindo a culpa pelo sequestro às vítimas por elas terem pedido carona. Tais comentários estão espalhados por todo o espectro político, não se concentrando neste ou naquele. 

RESPOSTA: (1) É um absurdo completo. A iniciativa do sequestro é dos seus perpetradores, jamais das vítimas. (2) Mas o jornal Haaretz publicou uma matéria onde alunos a yeshiva de onde dois dos sequestrados saíram, afirmaram é que política clara da escola a proibição dos alunos pegarem caronas, sobn pena de expulsão.

2) FATO: Um dos garotos conseguiu telefonar para a polícia às 22h25. O operador da linha de emergência achou que era trote. O alerta de sequestro só foi iniciado às 3 da manhã, quando um dos pais chegou à central de polícia para avisar do desaparecimento de seu filho. 

RESPOSTA: (1) A polícia está sendo duramente criticada por não ter levado a sério o telefonema, e se defendeu declarando que 50% das ligações para o número 100, são trotes. (2) É pouco provável que terroristas que sequestrem vítimas, não as revistem e não percebam que uma delas tem um telefone, mas aconteceu. (3) É improvável que uma vítima de sequestro em um carro junto aos sequestradores consiga pegar seu telefone, discar, esperar atender, falar uma frase, até ser interrompido, mas aconteceu: isso indica que esta vítima não estava imobilizada, ou vigiada no momento em que usou o telefone. (4) Tendo havido uma ligação de celular, há um registro de triangulação das torres de telefonia, portanto, o Estado sabe onde ocorreu tal ligação e o momento preciso dela. (5) Os ortodoxos em Israel costumam usar telefones celulares simples, sem acesso à internet, gps etc. Alguns são chamados até de celular kosher. Estes dispositivos não permitem a facilidade de localização pela polícia que um smartphone oferece.

3) FATO: A carona é uma instituição nacional em Israel e as vítimas agiram conforme todas as outras milhares ou dezenas de milhares de pessoas agem diariamente. 

RESPOSTA: (1) O sequestro ocorreu no cruzamento de Gush Etzion, na rodovia 60, ao sul de Belém (Bethlehem), em área prdominantemte judaica. Entre Jerusalém e Hebron, e para as colônias judaicas principais da Judeia e Samaria, há estradas só para israelenses e estradas só para palestinos. São fisicamente separadas. (2) É praticamente impossível que um carro com placas árabes esteja circulando por estrada para israelenses. (4) É praticamente impossível que jovens judeus entrem em carro com placa árabe para carona de forma espontânea. (5) O que nos leva a inferir que entraram um carro com placa israelense. (6) Mas um indicador de que os três foram obrigados a entrar a força em um carro é o fato de cada um ter um destino diferente. Um ia para Elad e outro para Nof Ayalon, ambas em território israelense (para o noroeste) acessadas pelas rodovia 38. A terceira vítima ia para Talmon, ao nordeste, acessada pela rodovia 60.

 
4) FATO: O índice de furto de carros em Israel é alto e pode surpreender as pessoas desavisadas. O índice de recuperação de carros furtados em Israel é baixo, apesar das mínimas dimensões do país. Portanto, se inúmeros carros podem ser furtados, com alerta constando na polícia e sumirem, então um carro furtado, ou não, com passageiros, pode igualmente sumir. 

RESPOSTA: É difícil compreender para onde são levados os carros furtados em Israel, com todo o tipo de controle de estradas. Assim, uma célula terrorista dispor de um veículo furtado com placas israelenses, ou dispor apenas das placas e colocar em seu carro, ou usar um carro israelense não furtado de um colaborador árabe Israelense, são possibilidades relativamente simples e já ocorreram antes.

5) FATO: Segundo a polícia de Israel os terroristas tiveram cerca de 5 horas de vantagem até o alerta. 

RESPOSTA: (1) na verdade teriam mais se o rapaz não tivesse telefonado a polícia, o que foi algo imprevisto na ação. Mas pensaram que teriam menos, devido ao telefonema. Em 5 horas, partindo de onde estavam, num carro com placa israelense, podem ter chegado a qualquer ponto de Israel, como Haifa, ou as cidades predominantemente árabes. Assim a busca na Judeia e Samaria, pode ser algo como a do avião da Malásia: concentrar esforços onde o objetivo não está. (2) Se pensaram que o telefonema abortaria o plano, podem ser se desfeito das vítimas. Um carro queimado foi encontrado em área palestina ao sudoeste de Hevron (no sentido inverso ao que as vítimas iriam originalmente), na localidade de Dura, mas a polícia de Israel não divulgou nenhum detalhe sobre este veículo.

6) FATO: A mídia em Israel trabalha sob censura militar e policial. Os dados publicados são apenas os liberados oficialmente, tanto que a notícia pública do sequestro ocorreu apenas muito tempo depois, com hora marcada para entrar no ar. Até o momento só se fala na busca pelos três jovens. 

RESPOSTA: Não se deve menosprezar terroristas e inteligência operacional deles. Segundo informações de hoje (terça dia 17 de junho) a polícia de Israel afirma que desde 2003 foram impedidos 68 sequestros em moldes semelhantes, mas a não divulgação destas ações deixou de sensibilizar a população para se precaver. Os alertas de anos e anos do perigo de sequestro acabam sendo como a história de "é o lobo..." e ninguém dá a mínima para eles. Procurar os três jovens juntos é uma burrice operacional. Caso permaneçam vivos, estarão em três cativeiros diferentes, muito distantes entre si.

7) FATO: Este sequestro ocorre durante uma ofensiva geral da Al Qaida. A luta entre três facções na Síria; o avanço rápido do ISIS no Iraque; os combates no Yemen; os bombardeios do exército paquistanês ao norte de seus próprio país; o grande sequestro e ataques sangrentos do Boko Haram na Nigéria; o ataque mortal à bomba no Quênia (por enquanto). 

REPOSTA: num caso onde existe gente que desapareceu numa estrada, apontar um "culpado" é precipitado. Sabemos que existe Al Qaeda operando em Gaza, onde ocorreram conflitos armados com o Hamas, e não há porque deixar de considerar que haja Al Qaeda na Judeia e Samaria. O recrutamento básico da Al Qaeda é pela Internet oficialmente ou por pessoas que se convertem à ideologia messiânica do grupo radical, criam sua célula e passam a operar independentemente ou não. para ser da Al Qaeda, ninguém precisa ir a um lugar e treinar. Basta se converter. A grande maioria das pessoas não sabe que no islã existe a conversão interna entre os diversos ramos representativos da religião e que um sujeito que hoje é xiita, amanhã pode estar empunhando a bandeira negra o messias islâmico e que um sujeito que hoje é sunita, amanhã pode ser xiita, como vem ocorrendo na Faixa de Gaza, e foi o que aconteceu com os palestinos do Sul do Líbano, que basicamente se tornaram o Hezbollah xiita. A Jihad Islâmica (que é atualmente o braço da Al Qaeda na região, assumiu publicamente o sequestro, mas o governo israelense, não "concordou" com essa declaração.

8) FATO: As diversas facções políticas no jogo do Oriente Médio estão aproveitando o caso endurecer suas próprias agendas. 

REPOSTA: (1) O governo de Israel anunciou ontem (segunda dia 16 de junho) que iria acabar com toda a infraestrutura do Hamas na Judeia e Samaria, declaração absurda de se fazer contra um grupo que se supõe tenha três reféns. Prende um monte de gente do Hamas (mais de 200 até o momento, inclusive suas lideranças políticas eleitas). (2) As lideranças religiosas israelense lançam uma campanha mundial de rezas e orações pelo bem estar e libertação dos sequestrados, que tem um desempenho ótimo em Jerusalém, com 25.000 pessoas no Muro das Lamentações e pífio em Tel Aviv onde apenas 250 pessoas oraram publicamente pelos jovens. Judeus do mundo inteiro aderem ao pedido conjunto de ambos rabinos-chefes e assim tem a certeza de que estão fazendo parte da solução divina. (3) O Hamas vibra com o sequestro mas afirma que não é o autor. Aproveita as prisões para lançar foguetes contra Israel de forma "justificada". (4) A Fatah declara publicamente que a união com o Hamas será rompida, caso o grupo de Gaza seja de fato o responsável pelo sequestro. O que seria interessante para Abbas. (5) O Secretário Geral da ONU declarou que não tem "provas concretas" de que tenha havido o sequestro dos três rapazes na Judeia e Samaria.

domingo, 13 de abril de 2014

OS TRAIDORES DE JESUS CRISTO

Domingo antes da Páscoa. Domingo de Ramos. O que lemos? "Papa pede a católicos que reflitam se são fieis a Jesus ou traidores... pediu para que os católicos se questionem se são como os que traíram Jesus Cristo ou foram corajosos e fieis a Ele até o final...'Sou como Judas, capaz de trair Jesus, ou sou como os discípulos que não entendem nada, que dormiam enquanto que o Senhor sofria? Minha vida está adormecida?', indagou o papa argentino. Esta é a pergunta que será impressa em todos os sermões padronizados da Páscoa. Você não deve saber, mas a CNBB imprime e distribui tais sermões para que em todas as igrejas no Brasil seja lida a mesma coisa, homogênea e em uníssono.

Nossas lideranças comunitárias judaicas beijadoras do anel o mais rápido que podem, vão se calar, achando que com isso liberam a Comunidade Judaica de "sofrer antissemitismo." São incapazes de compreender que isso já é o antissemitismo, anual, com data marcada, toda santa Páscoa... Ou seja, são judeus que ainda se calam e se acovardam perante a Inquisição que nunca parou de nos destruir, e nunca conseguiu terminar o serviço.

O "bom Francisco, hermano", se saiu um bom Papa, alinhado com o que há de mais podre da doutrina católica, mesmo que tal podridão tenha sido banida pelo Concílio Vaticano Segundo, em 28 de outubro de 1965 (sessenta e cinco). Naquele momento, após três anos de reuniões duríssimas, começando com um Papa e terminando com outro (Paulo VI), o Vaticano REMOVEU A CULPA COLETIVA DOS JUDEUS PELA MORTE DE JESUS. Não há mais nenhum clérigo adulto daquela época em função relevante, que esteja vivo. Os cardeais e bispos de hoje são os padres recém formados e nomeados naquele período.

Uma das outras decisões daquele Concílio é mais bizarra ainda. Ela diz que todos os homens tem direito à liberdade de escolha e religião, desde que adotem a religião católica. Eu não estou inventando isso. Eles é que aprovaram isso...

E a decisão do próprio Vaticano, em remover a culpa coletiva, parece ter sido implementada apenas pelos judeus que militam no tal Diálogo Judaico Cristão, caixa-preta, cujas discussões jamais foram publicadas e suas decisões, se houveram, jamais foram implementadas. É um diálogo entre cegos e surdos. Entre oprimidos (os judeus como um todo e não suas lideranças) e opressores (o clero católico, e não o povo como um todo).

Será que Francisco o primeiro, foi tão diferente assim do bento Ratzinger, alemão, membro da Juventude Hitlerista (até porque todos eram obrigados a ser), prefeito da CONGREGAÇÃO DA DOUTRINA DA FÉ (que ninguém é obrigado a ser), e nada mais é que o escritório da Inquisição que nunca foi encerrada? Ratzinger, na primeira páscoa papal dele afirmava nas capas de milhares de jornais "Judas é imundo." Judas, eu, você, os judeus. A consolidação da culpa coletiva. Ao final de seu pontificado publicou um livro que surpreendeu o mundo, contendo um capítulo onde explicava porque os judeus não eram culpados coletivamente pela morte de Jesus. O mundo se estarreceu por uns dias e ninguém mais lembrava que a decisão tinha sido publicada mais de 50 anos antes.

2006 JUDAS É IMUNDO

Ratzinger se limitou a Judas. Francisco expandiu para todos os outros judeus que ou traíram Jesus ou "dormiram" e nada fizeram porque "não entendem nada." Nós ainda somos os judeus que não entendem nada! Nós ainda somos os judeus traidores! Nós ainda somos os judeus que precisam aceitar Jesus para sermos "salvos." A Igreja pode falar que muda, mas não muda: grita em alto e bom som - JUDEUS IMUNDOS, JUDEUS TRAIDORES, JUDEUS INCAPAZES DE ENTENDER!!!

Na Idade Média esta lógica vaticana foi definida como: os seres humanos são capazes de entender; os judeus não são capazes de entender; então os judeus não são seres humanos; o que não é ser humano, ou é animal, ou é demoníaco; portanto mata-los é como matar animais ou matar o demônio. E assim foi feito, por uns mil anos em ações pontuais ou em programas amplos e abrangentes, sempre apoiados através das mídias de cada época.

Judas Iscariotes é um personagem introduzido na teologia católica (na montagem da religião católica), uns 350 anos após os episódios com Jesus. Após o Concílio de Nicéia (em Bizâncio, onde floresceram os primeiro 300 e pouco anos de cristianismo - o cristianismo nunca floresceu na Judeia), o Imperador romano Constantino, sucedido por Teodósio, decide abandonar o politeísmo e abraçar o monoteísmo. Sua decisão recai sobre o culto da Jesus, o Kristo grego, o Messias redentor de pecados e salvador. Mas Constantino não pretendia despender 40 anos de deserto para queimar duas gerações e começar do zero. Impõe ao Império a fé que até então perseguia. Mas como afirmar: nosso governador matou Jesus na cruz e vamos adotar a fé nele. Não dava. Roma e os judeus tiveram décadas de guerras abertas. Era o grande inimigo derrotado recente romano. Como qualquer propaganda padrão de vilanização, a história é reescrita para culpar os judeus, pela morte de Jesus, colocando Pilatos, como o gente boa romano que lavou as mãos.
Na revolta de Spartacus, os romanos crucificaram os derrotados na taxa de um a cada 100 metros de estrada, desde dentro da ilha da Sicília, até Roma. Não se faz uma ideia correta de quantas centenas de milhares de pessoas de todas as partes foram crucificadas pelo Império Roma, cuja cruz era o principal símbolo de poder pois significava a morte terrível e exposição do corpo por dias a fio. Como transformar o símbolo da morte no símbolo da vida? Ah... Constantino diz que sonha com ele de foram positiva e como é um imperador-deus, o que ele sonha ou diz é a verdade incontestável.

Lavar as mãos fazia parte do início dos ritos de qualquer julgamento Romano. Pilatos não fez diferente. O que sucedeu o Império Romano foi a Igreja Católica Apostólica Romana (não por estar em Roma - até porque não estava -, mas por ser o próprio império). A figura do Papa, substituiu a figura do César, imperador divindade. Reescrevendo a história, o Império Romano decidiu deixar para lá, o fato de Pilatos ter crucificado cerca de 10.000 judeus e essênios, durante sua governança - só é lembrado por três - e também o fato dos diversos reis (impostos pelos romanos) de nome Herodes, não terem sido judeus (era uma família de idumeus) e serem intencionalmente confundidos uns com os outros na teologia. O do momento de Jesus era tão gente boa que matou o pai a parte da família, para assumir o trono... Pilatos foi o único governador romano a ser preso. Foi julgado em Damasco, onde o Senado se reuniu e condenado ao exílio na Gália, Norte da França, onde seu nome desapareceu para sempre. Sua condenação foi por ter feito cair a arrecadação de impostos da Judeia, matando 10.000 pagadores de impostos. Este foi o crime de Pôncio Pilatos...

Na época de Jesus, os judeus não tinham sobrenomes. A maioria dos sobrenomes judaicos só começa a consolidar em meados do século 18. Os romanos tinham. Mas os teólogos de Niceia parece que não entenderam isso muito bem e criaram um Judas com sobrenome: Iscariotes. Segundo os historiadores israelenses atuais, Judah Ish Ha Irot (Judeu Homem das Cidades) era uma designação pejorativa para um um judeu qualquer do qual não se conhecia o nome. Durante ainda muitos séculos antes e depois, viver nas cidades era algo ruim e viver nos campos era algo bom. Como Zé Ninguém, Zé Mané, ou John Doe. Quando se cria um nome como "um judeu qualquer", essa coisa se torna "qualquer judeu", com o tempo.

Ainda dentro da montagem teológica católica, Jesus chamava-se, em aramaico, Yeshua Bar Yossef. E quando Pilatos pede ao povo judeu, improvavelmente reunido num julgamento romano, a escolher quem deveria ser salvo, o povo escolhe (segundo a teologia) Barrabás, que nada mais é que Bar Abba, o Filho do Pai. E só tem um "filho do pai" nesta estória toda, que é Jesus. O povo escolheu a vida de Jesus o judeu, e a teologia declara que nós ladrões escolhemos o ladrão Barrabás.

Não havia apóstolos cristãos nesta história. Todos eram judeus. Jesus jamais se declarou como messias, e a teologia de 30 a 150 anos após a sua morte criou toda a mitologia em torno de sua vinda e passagem pela terra. Por cerca de 100 anos após a morte de Jesus, não havia culto monoteísta diferente do culto judaico. Não havia igrejas, apenas sinagogas e guerra cruel contra os romanos.

A teologia é tão contundente que lhe cria o nascimento de Jesus a partir de um ventre virgem de uma judia, Miriam, para que seu caráter divino fosse aceito pelos politeístas romanos e gregos, já que praticamente todos os semi-deuses e alguns deuses destas crenças nasceram de forma exatamente igual, mais de 300 anos antes: um deus, gera um filho em um ventre humano normal, e dele nasce um semi-deus grego e romano. A repetição teológica de José e Miriam não é coincidência também.

Ainda assim, toda a crença católica e cristã ortodoxa ou cristã evangélica não se baseia no que Jesus fez ou deixou de fazer: se baseia em sua ressurreição, vencendo a morte. Portanto, caso Jesus não tivesse sido executado, não teria "ressuscitado" e não haveria religião católica nem haveria cristãos no mundo.

Então se você acredita na culpa coletiva, agradeça aos judeus. Mas se você não acredita na culpa coletiva, continue sendo um bom católico e um bom cristão, pois como em qualquer religião o grupamento político, as lideranças é que põe tudo a perder.

Se alguém traiu Jesus, foram os romanos que varreram da história o projeto Reino de Deus, um projeto judaico.

© José Roitberg - jornalista e pesquisador - 2014

domingo, 30 de março de 2014

Clube dos Cabiras? Clube o quê mesmo?

O Rio Judeu Que o Povo Esqueceu

Como uma associação de jovens judeus que teve grande representatividade entre 1939 e 1955, com 2.000 sócios, some sem deixar rastros? Quem a frequentava com 20 anos de idade em 1955, hoje tem 78, portanto, há cabirenses quietos por aí. Alguns, certamente ativistas de outras instituições. Esperamos que este artigo os tire da zona de conforto e os permita trazer novas memórias e quem sabe, fotos, carteirinhas, estórias legais.

 

Definições equivocadas em livros anteriores

Quase tudo que abordamos nesta coluna parte dos erros publicados anteriormente pelos historiadores e tornados verdade através de sua replicação histórica em teses de mestrado e doutorado. Com o Clube dos Cabiras, não é diferente. O jornalista Henrique Weltmam, definiu na página 51 de seu livro "A História dos Judeus no Rio de Janeiro", que o Cabiras "surgiu em 1929 a partir de uma dissidência do Clube Juventude Israelita (Iuguend Bund)", criado em 1919 e terminado em 1929.

Esta é a história que recebemos e contamos até hoje: os jovens de esquerda teriam saído do ambiente sionista e foram cuidar de seus rumos e interesses. O ano de 1929 é até emblemático, mas estranho para isso. Além de termos crise econômica, é o ano dos grandes ataques contra judeus na Palestina, que aglutinaram a Comunidade.

Em seu livro "Paisagem Estrangeira", a professora e historiadora Fania Frydman situa o Cabiras na Rua Álvaro Alvim 21 (edifício Regina, existente até hoje), mas o clube, de fato ficava defronte, no número 24, onde há um prédio mais moderno, conforme consta em notas publicadas nos jornais chamando para eventos entre 1948 e 1955. Fania nos conta que em 1941 uma cisão do Cabiras formou o Grêmio Cadima (Avante) que se reunia no Hotel Elite. Quanto ao Cabiras, dá informação diferente da de Weltman. A origem teria sido um cisão de esquerda do Iidishe Iugend Haim (Grêmio Juventude Israelita). Mas este funcionou apenas entre 1928 e 1934 na rua Hadock Lobo 142. E nada mais havia sobre os Cabiras. Ambos clubes "Iugend" eram iidishistas e segundo sabemos, praticamente todos os iidishistas tinham uma alinhamento de esquerda.


Viu outras matérias e veio nos procurar

Eis que surge, o sr. David German, com seus 95 anos de idade e nos procura, por ter lido os primeiros artigos desta coluna. E David afirma: "Eu fundei o Cabiras, posso de contar tudo!" Nós o recebemos, juntamente com dra. Esther Libergot, química, ativista do clube no pós-guerra, e gravamos em vídeo o depoimento dos dois.

David se formou em odontologia e foi dentista por 60 anos. Inicialmente ele frequentava as atividades para jovens judeus na Bené Herzl, fundada em 1921, a instalada em 1929 na Rua Conselheiro Josino 14, há 50 metros de onde anos depois, em 1932 se inauguraria o Grande Templo Israelita. O prédio foi planejado pelos judeus sefaraditas para ser um Centro Judaico, com pequena sinagoga, salões, salas para reuniões e outras atividades.

Muitos "clubes" e instituições judaicas tiveram como endereço o número 14, inclusive a Federação das Sociedades Israelitas do Rio de Janeiro (atual FIERJ), de 1947.

David, que passou pela história da Comunidade Judaica dos anos 1930 até hoje, concorda que nossos historiadores "agiram politicamente e sectariamente" ao escrever suas versões do que deveria ser uma só história.

1939 e não 1929…

O Cabiras foi fundado em 30 de janeiro de 1939, dez anos depois da data aceita até hoje. Caso contrário, nosso querido David teria sido diretor aos 12 anos de idade, e teria hoje 115 anos...

O nome "Cabiras" é um dos mistérios comunitários. Seria uma corruptela de "guiborim (heróis em hebraico)", como pretendem uns? Como ficava na Bené Herzl teria algo a ver com uma região do norte da Turquia que leva este nome?

David German é categórico ao afirmar que ele e mais quatro amigos se juntaram e resolveram criar um clube judaico "porque naquela época, parece que não havia nenhum."

Havia a BIBSA - Biblioteca Sholem Aleichem, na Praça Onze, fundada sionista em 1915, mas já completamente comunista em 1939. E não era um clube para jovens. Os outros clubes, como vimos deixaram de existir anos antes.

Ao longo do século 19 e nos primeiros 60 anos do 20, o Rio de Janeiro teve centenas de clubes por afinidade em todo seu espectro social.

Os nomes sugeridos foram: Clube da Juventude Judaica Brasileira, Clube dos Judeus do Brasil, que David se lembre, além de outros. A escolha do nome ficou para a reunião seguinte, no voto. "Cheguei em casa e comecei a folhear a 'História da Literatura Universal', vi lá uma estória dos gregos com um asterisco. Fui lá e vi 'cabiras' em hebraico 'cabirim', poderosos, fortes etc. Cabiras... Bom, isso soa bem. Levei na reunião seguinte. Dei lá o nome do Clube dos Cabiras. Ah.. Pegou! É esse!" O nome foi mantido e foi um sucesso até o desaparecimento do clube entre 1955 e 1956.

Na verdade, os Cabiras gregos eram considerados como "o princípio de todas as coisas, o símbolo da geração", teriam dado origem aos deuses.

Pelo que David se recorda, além dele, fundaram o clube: David Lerner, Hoinef (não se recorda o primeiro nome), Marconi Nudelman e duas moças das quais também não lembra o nome. Todos oriundos do Colédio Sholem Aleichem. David German era o mais velho entre eles e sempre gostou das atividades sociais e teatro. Foi produtor e diretor do grupo de teatro do clube. Foram várias peças e a que o marcou foi "Jankel Boile" em 5 atos falados em íidiche só pelos jovens amadores do Cabiras: "falavam, mas não sabiam o que estavam falando e cantando. Havia dança de camponeses, uma peça mesmo. Alguns tinham uma ideia do que era. Mas a plateia, formada pelos pais, entendia o que era dito," arremata David. Precisou de três meses de ensaios. As apresentações aconteciam em teatros alugados e não no salão da Bené Herzl. Normalmente as peças tinham apenas duas apresentações devido ao custo do aluguel dos teatros. Apenas duas peças foram produzidas em íidiche, as outras eram em português. Boa parte delas era teatro infantil.

cabiras web 1Elenco da peça “Não Consultes Médico”, encenada pelo grupo de teatro do Cabiras. O elenco está sentado e da direita para a esquerda temos a diretoria dos anos iniciais: David German (com charuto), Max Goldkorn, Isaac Jaimovich, Abraão, Jaime Tiomno, Jaques Gutemberg e Marconi Nudelman. 

Como David Guerman era da direção do Cabiras e frequentava ativamente aquela região, ele pôde nos dar um testemunho precioso sobre a interação entre sefaraditas e ashkenazitas, separados por 50 metros, veja: "A parte da juventude, social, que estava no Bené Herzl não tinha nada a ver com as festividades judaicas. Ali era só dos sefaraditas, onde eles rezavam etc. O Clube dos Cabiras alugava a sede do Bené Herzl para as atividades dançantes, palestras, conferências e tudo mais em dias certos do mês."

cabiras web 4,
Planta do segundo piso da Rua Conselheiro Josino 14, Bené Herzl

A planta original deste prédio ainda existe sabemos que a sinagoga de uso diário ficava à esquerda de quem subia as escadas com apenas 15 metros quadrados. Oposta a ela, do outro lado da escada um espaço semelhante designado como "buffet". A pequena sinagoga se justifica, pois as outras sinagogas sefaraditas estavam em plena atividade em várias partes da cidade. A Shel Guemilut, naquele momento histórico ficava na rua Francisco Muratori 33 (de 1935 a 1949 - o prédio ainda existe) a cerca de 15 minutos de caminhada da Bené Herzl.

O salão de festas possuía 155 metros quadrados com quatro colunas centrais quatro pequenas janelas laterais e três grandes janelas frontais com 2 metros de largura para uma. É neste salão que foram dadas dezenas e dezenas de palestras e conferências. É neste espaço que aconteceram vários bailes por ano até 1947 e onde vários casais judeus se conheceram e se beijaram pela primeira vez. Nas festas judaicas, segundo David, se colocava cadeiras no salão e ele se transformava todo em sinagoga. A função de um clube de jovens judeus de oferecer um local onde casais judeus pudessem se formar, foi plenamente satisfeita pelo Cabiras.

cabiras web 5Rua Conselheiro Josino 14, Bené Herzl alguns dias antes de sua inauguração

Os jovens judeus foram se associando. O Cabiras chegou a ter 2.000 sócios jovens judeus que iam lá para dançar e para festividades. As palestras literárias eram de alto nível, com jornalistas, escritores, senadores, palestrantes de várias partes do mundo, "mas ia pouca gente." As festas mais importantes eram de reveillon e carnaval, sempre lotadas. Paralelamente havia o Clube das Damas Israelitas (sefaradi, criado em 1929 no número 14, também) que fazia o mesmo tipo de festas e muitas delas, beneficentes. "Eu acredito que naquela época o Cabiras era o único clube onde só tinha jovens judeus", disse David. Era comum que os jovens participassem dos bailes em vários clubes.

Inicialmente as festas eram todas no número 14, mas rapidamente os bailes principais de Carnaval precisaram de espaços maiores e o enorme salão do Botafogo, era alugado anualmente. Nos anos 1950 até mesmo o grandioso espaço do High Life seria usado para o carnaval dos Cabiras. O clube também promovia concursos de dança, e David venceu um deles com sua partner (parceira), Lygia Hazan, mãe de nosso Ronaldo Gomlevky e colunista da Menorah.

Cultura, dança, diversão e alienação

O clube foi criado nas vésperas da Segunda Guerra Mundial e era de se esperar que uma associação que reunisse este número enorme de judeus para a comunidade dos anos 1940, talvez quase todos os jovens que havia, tivesse um papel destacado durante a guerra, que suas palestras, pelo menos levassem a entender o que acontecia com os judeus, mas não foi o que aconteceu. Naquele momento a Comunidade judaica tinha tamanho semelhante ao atual. Mesmo nos dias de hoje, vemos as instituições culturais judaicas com suas fortes agendas de palestras dissociadas das ameaças aos judeus e ao Estado de Israel. São coisas que não se discutem, preferindo seus dirigentes, as amenidades da literatura, da poesia, da sociologia, da música e do teatro, coisa que os cabirenses fizeram até após a guerra.

Não há nos jornais notícias sobre o clube. Mas há dezenas de publicações de notas de divulgação de suas principais conferências, assim sabemos que enquanto os judeus eram trucidados na Europa Central, nosso jovens judeus recebiam muita literatura, música e teatro, e pouca política e situação mundial. Havia times de vôlei, basquete, ping-pong e outros esportes disputando campeonatos com outras quatro instituições judaicas.

Como historiador não me cabe julgar. Como jornalista me cabe. E nunca se sabe o que será encontrado pela frente. Então julgue você. Em 20 de dezembro de 1942, o Diário de Notícias em suas página 16, traz uma nota: "A festa esportiva do Clube dos Cabiras - O clube dos Cabiras, ora sob a ação da nova diretoria, vem, cada vez mais, ampliando suas atividades nos setores esportivo e social. Concretizando o programa traçado para mês corrente a agremiação da rua Conselheiro Josino promoverá, na manhã de hoje, em um pitoresco local da Gávea, um churrasco-dançante, sendo que antes serão realizados jogos de basquetebol, voleibol, além de provas de natação em uma praia próxima ao local da original festa. Um ônibus especialmente fretado, partirá do Hotel Leblon, às 8 horas da manhã, conduzindo a caravana de cabirenses ao recanto gaveano, escolhido para o churrasco." David acabou de ler esta nota. Provavelmente lembrou-se desta atividade e certamente sabe onde eu vou chegar.

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20 de dezembro de 1942: muita diversão durante o Holocausto

Em dezembro de 1942, já haviam sido trucidados à pauladas, golpes de barras de ferro, tiros, fogo, mortos pela fome, pelo frio e pelas doenças sem possibilidades de obter remédios, mais de 2 milhões de judeus na Europa, entre eles, muitos parentes dos judeus do Rio de Janeiro. Por anos os jornais vinham publicando o massacre de judeus e o extermínio de vilas inteiras. Poderiam ter pago uma nota de repúdio e apoio, mas nenhuma foi publicada de 1939 a 1945. Um churrasco-dançante naquele momento histórico é a demonstração de que a alienação dos problemas dos judeus que vemos hoje, havia ontem. Os filhos e netos seguem os pais.

Perguntei ao querido David o que os judeus faziam aqui durante do Holocausto ele inicialmente afirmou que não sabiam o que estava acontecendo. Confrontei-o com a informação de que tudo era publicado nos jornais, em português, quase que diariamente. E a comunidade lia? O discurso de David, muda: "Lamentava, provavelmente. O que você acha que faziam? Lamentavam entristecidamente o que faziam com os judeus. O que você acha que podiam fazer? Quando havia uma notícia mais contundente se lia no jornal e se discutia no clube e torcendo vivamente para que os soviéticos chegassem à Polônia e resolvessem a questão. Eu sentia muito e ficava revoltado com esta coisa. Mas quem é que não fica?"

As palestras sobre a temática da guerra que conhecemos hoje, são: "A questão racial no pós guerra" em agosto de 1943 pelo prof Artur Ramos, "A guerra de todas as raças"; em setembro de 1943 pelo ser Mario Martins; e "A ciência e o antissemitismo", em novembro de 1943 pelo emblemático Isaac Izecksohn. Em 1944 o Cabiras se incorpora à Liga de Defesa Nacional junto com outras dezenas de agremiações de jovens do Rio de Janeiro.

Clube da esquerda comunista, ou não?

O Cabiras tinha tendência esquerdista e teve problemas durante o Governo Vargas, exatamente quando foi fundado e cresceu. E David começou a nos explicar como isso funcionava. "Eu nunca tive cor política. Ah, são sionistas? Eu faço isso para eles. Ah, são comunistas, eu faço isso para eles. Para mim tanto faz um ou outro. Eu quero fazer o que eu gosto de fazer (teatro). Os sionistas são judeus, os esquerdistas são judeus, eu trabalho pros dois."

"O Clube dos Cabiras foi taxado como clube comunista, clube da esquerda. Alguns diretores é que levavam a coisa politicamente. Mas do ponto de vista social, associativo, ninguém sabia de nada. Tem baile? Tem. Tem conferência? Tem. Tem isso, tem aquilo. Não tinha uma mácula comunista em todas as atividades. Nunca!", afirmou David German e continua, "a cor que alguns comunistas da diretoria davam ao clube, não transparecia. Eu não vi nada. Eu não senti nada. Conheci até muitos sionistas. Todo baile que o clube dava, ia um tal de Zimmerman, judeu, da polícia, para fiscalizar. Para polícia nós éramos um clube comunista. O Zimmerman era designado para ver o que tinha de comunista nos bailes, mas não via nada. Eu conversava muito com ele, já faleceu, e era parente de meu cunhado. Eu passava perto dele e brincava: já viu alguma coisa ruim aí?"

Esther Libergot participou de nossa conversa e disse: "Havia muitos esquerdistas. Havia uma turma sionista que se preparava para ir para Israel e outra turma que ia ficar aqui. Nunca vi nenhuma ação comunista. Mas havia um sentimento." Ela conheceu o clube já depois da guerra na fase da rua Álvaro Alvim, foi na época em que ela entrou na universidade e havia um forte movimento estudantil stalinista que só acabou após o vigésimo congresso do Partido Comunista, quando ficou esclarecido para os jovens o que tinha havido de fato na União Soviética desde 1917, "toda aquela perseguição, toda a história do stalinismo, e aí a coisa mudou. O congresso comunista realmente impactou e houve um êxodo. As pessoas abandonam o comunismo. Esse pessoal que abandonou a ideologia decidiu formar uma comunidade melhor e partiram para criar a escola, o Eliezer Steimbarg. Vendo com uma perspectiva história os grandes autores, artistas e políticos que foram falar no Cabiras eram esquerdistas. Não me recordo de um sionista tendo ido falar lá. Era o outro lado do Colônia. Que simultaneamente atuava com muita intensidade, mas eu não sei, porque nunca fui. Mas todos frequentavam as festas do Cabiras."

"A juventude judaica era divida entre sionistas e progressistas. O Cabiras era o principal centro progressista. Havia reuniões conjuntas em que os grupos degladiavam-se. No Cabiras havia um grupo que levantava os braços a faziam a saudação à Stalin - Viva Stalin - e coisa e tal.", afirmou David. "99% dos sócios estavam pouco se lixando se os diretores eram esquerdistas ou não. Mas quem carregava o clube nas costas eram os comunistas." O clube admitia não-judeus como sócios, mas eram muito poucos, geralmente namorados e namoradas de sócios.

Para comemorar seus nove anos, o Cabiras se mudou e alugou o salão da sobreloja da Rua Álvaro Alvim, 24, onde viveria o período 1948-1955. Essa é a estória contada abertamente até hoje. Mas entrevistamos também o sr Isack Hazan, filho de Salomão Hazan z’l, fundador do Bené Herzl e seu presidente por muitos anos. Foi com Salomão que o Cabiras fez seu contrato de utilização da sede e foi Salomão Hazan que, em 1947, colocou o Cabiras para fora da Conselheiro Josino 14, devido às atividades comunistas de seus diretores que atraiam a atenção das autoridades de governo e da polícia.

Na Álvaro Alvim 24 o aluguel era mensal e o clube, por sua vez, sublocava seu salão para festas de outras associações e escolas. Antes, foi o salão de outra tradicional agremiação carioca, o "Clube dos 40." Uns dizem que embaixo havia um cinema, mas não conseguimos localizar cinema ou teatro algum com a aquele endereço.

Por que o Cabiras acabou?

Dissemos acima que o Cabiras foi um clube de jovens. E este é um dos motivos para ele ter acabado. Os jovens foram crescendo se inserindo em suas profissões, foram casando, tendo filhos e passaram a ser homens e mulheres: "deixaram de ser jovens e sócios do Cabiras."

Os diretores iniciais não tinham mais tempo para se dedicar ao clube e as novas lideranças do pós-guerra eram especificamente comunistas. As novas lideranças eram compostas por jovens inexperientes e compromisso com a esquerda é evidente pelo fato de boa parte das atividades do clube, a partir de 1946, passarem a ser publicadas no tabloide de esquerda 'Momento Feminino' e no jornal 'Tribuna Popular' que era praticamente o órgão de divulgação do Partido Comunista no Brasil.

Com a sede alugada na Rua Álvaro Alvim 24, o Cabiras montou uma grande biblioteca, inaugurada no dia 7 de maio de 1949, um sábado a noite e promoveu eventos para a doação de livros. No dia seguinte, dia 8 de maio, o Cabiras realizou uma seção solene, seguida de baile e muito chope para comemorar "O Dia da Vitória" e um ano da "Proclamação do Estado de Israel."

No pós-guerra, talvez uma das mais interessantes palestras tenha sido "O que eu vi no Oriente Médio", proferida pelo sr Edmar Morel em outubro de 1948. Em dezembro do mesmo ano, o Cabiras recebeu o senador Hamilton Nogueira para "O Brasil e o reconhecimento de Israel." Nota-se em sua agenda, exatamente o que David citou: a diretoria tinha o alinhamento político dela, mas realizaram vários eventos que poderiam ser considerados como sionistas, ou pelo menos de uma esquerda sionista, o que de fato existia naquele momento histórico.

Sabemos por uma troca de acusações entre sócio e presidente, publicada no Diário de Notícias em 24 de outubro de 1949, que o presidente do Cabiras naquele momento era o dr. Nissin Castiel. Outro nome que sobrou nas publicações de notas é o de Isaac Faerchtein, secretário em 1942. Também em 1942, enceram a peça e Machado de Assis, "Não Consulte Médico", com Liuba Vatinyck, Florinha Libman, Arlete Saraiva e Lea Monteiro de Barros, no teatro Ginástico.

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Da peça Grine Felder (Campos Verdes) restaram duas fotos. Nesta, temos David sentado de óculos, Liuba Koifman e Simão Schweid.

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Na segunda, temos, da direita para a esquerda: Dina Moscovitch, Schlesinger (ensaiador), Bela Josef, Simão Schwied (sentado), Liuba Koifman, David German e Jaime Libergot (de pé). Atrás deles, as duas moças são as irmãs Golbenberg, Ruth e Frima, seguidas por Abrahão (com boné e barba) e um rapaz cujo nome se perdeu.

Numa nota publicada no Tirbuna Polular (22/jan/1945) podemos conhecer uma destas diretorias possivelmente "comunistas":

Presidente, dr Saul Chitmann; vice-pres, Francisco Schwartz; 1o sec, Jacob Crohmal; 2o sec, Joseph Alegua; 1o tes, dr Isaac Sterental; 2o tes, dr Jaime Grossman; dir social, Saul Steinschnaider; dir cultural, Bella Karacuchansky e dir esportivo, José Segal.

Como de tantos outros judeus, o sobrenome German também é um sobrenome que não existia. O pai de David, Haim Leib, veio da Rússia em 1914, e na imigração, com o sotaque deu o sobrenome Herman e ficou a cargo do oficial brasileiro declara-lo German e ele aceitar, também sem entender direito ou conhecer nosso alfabeto não cirílico. O pai da Esther Libergot foi soldado do exército russo por três anos na Primeira Guerra Mundial.

Mais uma vez conseguimos efetuar o resgate de outra entidade judaica importante em nossa história, mas que havia se transformado em “duas linhas” nos livros sobre a história dos judeus no Rio de Janeiro e esperamos que outras testemunhas de época nos procurem.

© José Roitberg - jornalista e pesquisador - Editora Menorah Ltda - 2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

Placa de vídeo NVIDIA GTX 650 TI BOOST

Algumas coisas que vc precisa saber. Em primeiro lugar trata-se de um equipamento excelente para quem trabalha com edição de vídeo a um custo mediano, entre 550 e 650 reais, no momento da redação deste texto, e variando muito com o dólar do dia. Nos EUA custa entre 120 e 140 dólares apenas. Não vou falar aqui do uso para vídeo games.

É uma placa voltada para o mercado de jogos, mas desempenha otimamente na edição de vídeo.

É claro que placas da família “700” e superiores são melhores e mais rápidas, mas para a mais básica delas, o valor da compra já triplica. A sugestão é sempre a mesma: compre a mais avançada que seu bolso suportar. Indo para a faixa em torno dos 900 reais vc deve comprar a GTX 670 que é consideravelmente superior

Há uma listagem completa com dados muito técnicos e o número de CUDA Cores de todas as placas da série 600, aqui: http://en.wikipedia.org/wiki/GeForce_600_Series

Existe uma diferença técnica muito grande entre os modelos 650, 650 TI e 650 TI Boost. Muda a arquitetura interna (a TI Boost é Kepler - como as placas QUADRO), muda o número de CUDA CORES (a TI Boost tem 768, o dobro da placa 650 “normal” que tem 384). CUDA Cores são os processadores de vídeo lá na placa. Se seu computador i7 tem 8 núcleos na CPU, esta placa tem 768. Se vc é novato na questão e nem consegue compreender como isto é possível, saiba que quase ninguém mais consegue também. As placas mais caras já possuem mais de 2.500 CUDA Cores aumentando o desempenho e incompreensão.

Neste link há uma lista das placas NVIDIA GEFORCE com arquitetura Kepler.

http://www.geforce.com/landing-page/graphics-cards-with-kepler-architecture

Por questão de preço, optei pelo modelo com apenas 1GB de DDR5, sendo encontrado no mercado o com 2GB. Outras placas de séries superiores podem ter até 8GB de DDR5. Há especiliastas que afirmam que mais memória na placa de vídeo significa mais velocidade de processamento e é mais desejável que mais CUDA Cores. Outros afirmam que mais CUDAs é melhor. Vc precisa escolher em quem quer confiar. Mas se comprar mais CUDAs e mais memória, não vai ter erro.

A 650 TI BOOST é o que os especialistas (coisa que eu não sou, eu sou usuário e tenho uma abordagem não técnica) recomendam como mínimo para editar em full hd obtendo uma velocidade de renderação boa. Vai trabalhar com 4K, mas aí fica mais lenta. Para full hd vc deve ir para placas superiores e para 4K mais ainda.

Na minha escolha tentei entender a diferença entre a família de chipset Quadro (comprada quase sem pensar por quem edita) e GTX. Li muito a respeito e descobri que a Quadro mínima recomendada para uso com Adobe Premiere CS6 Pro é da série 6000. Uma passada pelo mercado brasileira nos permite descobrir que estão nos empurrando séries 400, 500 e 600, todas com apenas algumas dezenas de CUDA Cores, totalmente ultrapassadas e afirmadamente (pela Adobe) não suportadas pela versão CS6. Mas o que tem de gente ainda aos trancos e barrancos com Premiere CS4 não é brincadeira. A estes, aviso que a versão CS 5.5 modificou radicalmente o programa, principalmente para Windows 64 bits e se vc não está com ela ou com a 6, está ERRADO e perdendo tempo e paciência. Aviso: os seus plugins da versão 4 e 5 não vão funcionar com a 5.5 e 6 (tenha certeza de que é assim). Entendi que há uma intenção dos fabricantes de plugins em vender novamente o que já lhe venderam, mas os preços estão baixando bem, vc compra direto pela internet, a maioria deles permite baixar versões de teste e vc pode comprar apenas os efeitos e transições individuais que quiser e não os pacotes todos, na maioria das vezes por cerca de 10 reais cada efeito ou transição. Então, não há desculpa para não comprar.

A MONTAGEM E INSTALAÇÃO

Antes da espetar sua placa nova, remova o driver de vídeo anterior, ainda mais se for um Catalyst da Radeon. O driver padrão do Windows assume durante a instalação sem maiores de dificuldades. Se vc estava acostumado com placas que davam o “boot” já pelos dois monitores, esta só assume os outros monitores após o driver entrar no Windows.

WindForce-2X-Cooler-Applied-to-Gigabyte-GeForce-GTX-650-Ti-Boost

Comprei uma Gigabyte (acima), já que minha placa mãe é da mesma marca. A GTX 650 TI BOOST é ENORME, com dois coolers com rolamentos totalmente silenciosos. Encaixou de forma suave na placa mãe (slot PCI 3.0) e vem com cabo de alimentação de força. Estou usando uma fonte de 600 watts reais e não tive nenhum problema com a placa que em desempenho máximo pode consumir 450 watts. Este dado vem na documentação, mas os testes independentes na web apontam para 79 watts em “repouso” e apenas 231 watts em esforço máximo

Segundo o vendedor, eu não deveria instalar os divers que vinham no disco, mas deixar o Windows buscar os mais recente. O sistema fez isso com simplicidade e suavidade. Depois da instalação pelo Windows, o driver assumiu e já me apresentou a opção de baixar um driver mais recente direto do fabricante com opção em português. Tudo rápido e suave. Me foi recomendado baixar também o NVIDIA GEFORCE EXPERIENCE que parece se tratar de um controlador adaptativo que encontra todos os seus jogos e programas e aplica as configurações internas da placa mais eficientes para cada um. Isto está funcionando, mas explico mais abaixo.

Cada fabricante possui um encapsulamento e um sistema de resfriamento diferente. Você pode conectar duas placas (o cabo não vem junto). Aliás, todos os terminais da placa vem com tampinhas plásticas muito interessantes. Lembre-se que o consumo elétrico será dobrado.

conectando duas 650

O fabricante afirma que se pode usar 4 monitores, pois há 4 saídas traseiras. Isto não é verdade. O vendedor me alertou que não se pode usar as duas DVIs, pois elas são uma só com pinagens diferentes e montadas em paralelo (da para ver isso). Assim, use a DIV que tem aqueles 4 furinhos a mais junto ao pino posicionador, pois este tipo de DVI lhe dá sinal digital e analógico, enquanto a outra só dá analógico. Use um cabo DVI-HDMI e seu monitor recebe sinal digital. Conecte o outro monitor como HDMI-HDMI e tudo é identificado automaticamente. O terceiro monitor é para ser conectado com um “display port” e juro para você que nenhuma loja que vende cabos faz ideia do que seja. Parece que no Brasil ainda não há cabos display port ou conversores. Assim, se você precisar de dois monitores + um aparelho de TV, aí não sei como fazer. Há amigos que, devido a esta dificuldade em várias das placas muito modernas, passaram para um monitor de 24 polegadas para edição e uma TV HDMI para a saída da imagem. Mas com a 650 TI Boost vc tem saídas apenas em 1920 x 1080 para o computador. Outras placas superiores vão a mais de 2500 pixels o que dá uma folga para editar. Eu acho terrível editar tudo em uma tela de 1920. Tem gente que usa notebook, então é questão de preferência e costume.

E A VELOCIDADE? É MUITO SUPERIOR MESMO?

Eu utilizava desde 2012 um placa ATI RADEON com 1 GB DDR3 apenas 58 cores (OPEN CL e não CUDA). Basicamente editava com o Sony Vegas do 10 ao 12, deixando ao Adobe Premiere só a função de chroma key, por que neste ela é perfeita, enquanto no Vegas tão ruim quanto sempre foi da versão 5 do Premiere para baixo. Eu não editava um programa inteiro de TV no Premiere, devido ao tempo enorme de renderação. O Sony Vegas “entende” o sistema OPEN CL, mas não entende o CUDA (agora eu já sei). Portanto, se você utilizar Sony Vegas, vai jogar dinheiro fora em placas CUDA e deve ir fundo nas placas OPEN CL.

Existem especialistas que afirmam que as ATI RADEON OPEN CL são mais velozes para trabalhar no formato MPG2, mas como o OPEN CL não funciona no Adobe, então não vale nada se vc for usuário do programa.

Já o Premiere não enxerga a aceleração OPEN CL e faz todo o processamento pela CPU do computador. Mas a instalação de uma placa CUDA não garante que o Premiere vai enxergá-la. Incompreensivelmente (dito em todas as FAQs) a Adobe criou um sistema de fato idiota que exige que o “nome” de sua placa esteja numa linha de um arquivinho de texto vagabundo. Se não estiver, o Premiere não reconhece a placa e não habilita a aceleração gráfica. O uso da CPU para renderar pode chegar aos 98% no CS6 e aos 80% no CS5.5 sem que vc possa controlar isso. Ou seja, o computador fica quase impraticável para você usar outros aplicativos.

Apenas com o tutorial abaixo e a instalação automática proposta pelo autor, o Premiere irá reconhecer a placa e ativar o Mercury (que é o módulo acelerador do Premiere). Sugiro passar o link para todos os que comprarem qualquer destas placas NVDIA para edição de vídeo. Tem gente que não sabe disso e vai usar apenas as DDR5 e achar que ficou bem mais rápido e fica mesmo.

http://www.studio1productions.com/Articles/PremiereCS5-2.htm

O Mercury é ativado em PROJECT / PROJECT SETTINGS / GENERAL


mercury adobe


NO SONY VEGAS 12

Não houve qualquer ganho de velocidade, nem ao menos pela troca de 1 GB de DDR3 por 1 GB de DDR5. Foi decepcionante. Achei que ia virar um foguete. A atuação na edição, scrub de timeline ficaram mais velozes, mas a renderação continuou a mesma, indicando que nos encapsulamentos AVI é feita pela CPU do computador.

Apenas quando você quer salvar para um dos formatos MPEG4 é que existe a possibilidade, nas propriedades, de optar por renderação pela CPU, ou por OPEN CL ou por CUDA, se estiverem presentes. A renderação por CUDA nesta placa que é muito superior à OPEN CL anterior não ganhou nada em velocidade.

A Sony parece que não sabe alguns dos macetes. E como a base instalada de Vegas cresce assustadoramente no Brasil é bom saber o que funciona e o que não funciona com ele.

NO ADOBE PREMIERE 6

Resumo: virou um foguete! Para ter uma ideia, uma renderação em 1440 x 1080 com aplicação de fundo chroma key e aquelas correções básicas de cor de pele e preto levava 1h50m para um take de 60m. Agora leva 30 minutos, incluindo mudança de formato de MPG2 para AVI-DV em 720 x 480. Daí, dá para perceber o salto que se dá e com um suo de apenas uns 30% da CPU do computador.

O fechamento de um programa de TV de uma hora, com inserção de comerciais em diversos formatos originais e algumas transições, sem mudança de formato entre NTSC DV e sai NTSC DV caiu para irrisórios 6 minutos, numa taxa surpreendente de 10:1.

Renderações de umas 120 transições e fades na timeline (apertanto ENTER) levam uns 15 ou 20 segundos apenas. Este tipo de relato é mais objetivo que comparativo de barrinhas coloridas ou contagem de flops ou de qualquer coisa especificamente técnica.

Fiz um teste com um clip de 55 segundos em NTSC DV no qual alterei profundamente brilho e contraste, tornando a imagem inútil. Sabemos que são dois controles que demandam tempo na renderação. Como vc pode ligar ou desligar o Mercury, com ele desativado, só se garantindo nas DDR5 e CPU a renderação levou 13 segundos o que já é um desempenho espetacular. Com o Mercury ativado, levou apenas 4 segundos !!!

Portanto se você é usuário de PC e Adobe Premiere CS5.5 ou CS6 essa placa irá lhe poupar um tempo precioso. Abre-se um novo universo de possibilidades para inclusão de mais efeitos, mais correções, mais aprimoramento de vídeo e áudio.

ÍNDICE DE EXPERIÊNCIA DO WINDOWS 7

Como vc pode ver pelas imagens, o índice que era alto para jogos, mas não para elementos gráficos com a placa ATI Radeon Open CL, saltou para a classificação máxima com a NVIDIA 650 TI BOOST.

TAXAS DO COMPUTADOR ANTES DA 650 E DO SSD

TAXAS DO COMPUTADOR DEPOIS DA 650 E DO SSD

Espero ter sido útil para alguém.

© José Roitberg - jornalista e pesquisador - 2014