terça-feira, 28 de maio de 2013

CATOLICISMO E GANÂNCIA

Se você mora no Rio de Janeiro, percebeu que os preços nos supermercados aumentaram na última semana e os preços de salgados e refrigerantes tiveram uma raquetada para cima de cerca de 12%, inexplicavelmente na terceira semana de maio totalmente fora da estabilidade que costuma existir entre fevereiro e novembro.

Temos coisas como um "joelho" em Copacabana custar 3,90 ou um kibe ou esfiha nas tradicionais lojas árabes do Largo do Machado estarem a absurdos 4 reais cada: 1 kibe + 1 esfiha + 1 lata de Coca = R$ 12,00. Por este valor se como refeições comerciais completas em vários pontos da cidade.

No caso, a lata de refrigerante a 4 reais está sendo vendida com uma margem injustificada de uns 240% (duzentos e quarenta mesmo). Note que há hotéis e restaurantes que cobram por uma lata, 5 ou 6 reais ou mais, desde meados do ano passado! Faça a conta: 2 dólares uma lata de refrigerante. Segundo a revista Business Week, a lata de Coca-Cola custa 1 dólar em Nova Iorque, 62 centavos de dólar em Buenos Aires, 77 centavos em Londres, 44 centavos em Xangai e 1,44 dólares em Moscou. Portanto, estamos vendo uma margem completamente abusiva no Rio de Janeiro.

Ontem a noite eu entendi essa onda de aumentos - preços que permanecerão neste patamar, dando um vislumbre do que teremos em nossa cidade na Copa e nas Olimpíadas, apesar no número de pessoas que virão à cidade nos eventos esportivos ser uma fração em relação aos jovens peregrinos, mas o poder aquisitivo será imensamente maior.

Acontece que o sindicato do setor de venda de produtos alimentícios está visitando e alertando todos os comércios do setor de alimentação para o fato de que os peregrinos católicos, que começarão a chegar à cidade receberão, cada um, dois vales refeição de 15 reais por dia. Estão instando o comércio a preparar pratos e combos de até 15 reais, ou de preferência neste valor exato, para alimentar cerca 2 milhões de pessoas por dia.

E o que péssimo comerciante faz? Fica ganancioso. Descobre que haverá uma injeção OBRIGATÓRIA de pelo menos uns 60 milhões de reais por dia no setor de alimentação do Rio de Janeiro, enquanto durar o Encontro Mundial da Juventude Católica. Ao invés e criar os tais combos, desalinha e aumenta seus preços individuais para o valor do vale. Veremos mais aumentos. A demanda é certa, este volume enorme de dinheiro vai circular no setor e NÃO IMPORTA quais preços serão praticados: os 2 milhões de pessoas irão comer.

Só que eu e você não recebemos tickets do Estado ou da Santa Sé e estamos sujeitos a este mesmo abuso do setor de alimentação. O fé dos outros vai nos dar indigestão.

José Roitberg - jornalista

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Por Que Você Devia Ter Medo da China?

Quando se tenta entender os números chineses, a cabeça das pessoas entra em parafuso. Mal dá para visualizar o tamanho de sua população, sete vezes maior que a brasileira. Ainda no início dos anos 1990, o grande economista sir John Kenneth Galbraith, já falecido, disse que se cada chinês precisasse comer apenas mais um ovo POR ANO, seria necessário alimentar as galinhas com toda a produção de grãos da Austrália. Só um ovo a mais per capita... Hoje a agência Reuters divulga um número que nos deveria fazer refletir sobre a demanda e sobre o esgotamento de recursos naturais. É o seguinte. Perceba que seu carro (se vc tiver um) pesa em torno de 1,3 toneladas (médio).

O Brasil, reconhecido mundialmente por sua siderurgia, produziu no total de suas 29 usinas, 2,991 milhões de toneladas de aço no mês de abril. Eu sei que ninguém consegue visualizar isso. Mas imagine que durante a Segunda Guerra Mundial, em 60 meses os EUA construíram 40 milhões de toneladas em navios mercantes (5.777 navios, sem contar o militares e a taxa de afundamento pelos submarinos alemães e japoneses foi quase de um navio afundado para cada lançado). Isso equivale a pouco mais de 13 meses da produção brasileira atual.

Já a China, vem produzindo em maio a média incrível de 2,193 milhões de toneladas de aço POR DIA !!! Entenda: 20 dias da produção de aço apenas das 70 principais usinas siderúrgicas chinesas (há mais) seriam suficientes para alimentar o enorme esforço dos Estados Unidos inteiros ao longo de 5 anos em economia de guerra com o máximo da mobilização econômica possível!

O número chinês é totalmente incompreensível. Imagine a prospecção de minério de ferro e carvão mensal do Brasil, com o seu transporte, sendo a movimentação diária na China? A logística é inimaginável. E a logística de distribuição do aço produzido é mais alucinada ainda, e tudo funciona.

O esgotamento dos recursos naturais tende a ser assustador. A cada 22 dias, a China consome os recursos naturais para produção de aço que o Brasil consome em um ano. Ou seja, são consumidos recursos equivalentes a quase 17 anos brasileiros em um ano chinês. Isso numa conta muito por alto. E sem consideração ecológica alguma, apenas esta indústria chinesa polui em UM ano, muito mais que as siderúrgicas brasileiras em 20 ou 25 anos.

O quanto a Terra tem para dar à economia chinesa ser o que é? Por outro lado, leve em conta que mais de 60% da área da China (todo o centro no mapa) é desértica, não há população, não há cidades ou estradas, e o subsolo dessa região imensa do deserto de Gobi e adjacências, mal começou a ser arranhado.

José Roitberg - jornalista

quarta-feira, 8 de maio de 2013

GYMNASIO HEBREU BRASILEIRO MAGUEN DAVID em 1929

A primeira escola judaica fundada no Rio de Janeiro foi a Maguen David em 1922. Ao longo do tempo seu nome foi mudando para Gymnasio Hebreu Brasileiro Maguen David, Ginásio Hebreu Brasileiro, razão social com a qual foi extinto no início da década de 1970. Em 1963, o nome ainda existia como Escola Primária Maguen David.
1929-GINÁSIO-HEBREU-BRASILEIRO-MAGUEN-DAVID

Encontramos uma matéria de 1929, com esta foto acima e finalmente ficamos sabendo que ele se localizava na rua Barão de Ubá 89, portanto, pertinho de onde seria estabelecida a sinagoga Krasnik em 1937 no número 201, o que nos mostra a existência de uma comunidade israelita naquele entorno que era logo a primeira parte da Tijuca após do final do espaço que numa denominação ampla era o bairro Praça Onze. Precisamos imaginar que possuía alunos moradores na Praça Onze também.
De gravata borboleta temos o presidente desde 1928, Adolpho Jaimovitch comerciante bem sucedido da rua do Catete, a Mobiliária Primor, e mais jovem o diretor, Edelmann.
A matéria diz que a escola era mantida por 200 sócios contribuintes e por mensalidades de alunos, mas que todas as crianças judias que não podiam pagar, podiam frequentar a escola. Em 1928 antes de Jaimovitch assumir, havia 70 alunos. Em março de 1929 a escola contava com 17 professores e 270 alunos. Aulas das 8h30 às 15h30.
Jaimovitch nos diz que tinham acabado de criar o grupo escoteiro, portanto sabemos agora que o Grupo Escoteiro Maguen David surgiu no início de 1929 nas dependências da escola.
© 2013 – José Roitberg – jornalista e pesquisador
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terça-feira, 16 de abril de 2013

Iom Haatzmaut - O Dia do Perdão

Israel aos 65 anos! Que data não redonda para comemorar. O sonho sionista se realizou. Israel se constituiu uma nação moderna arrancada dos pântanos e desertos. Tudo floriu. Em todos os lugares se plantou e tudo deu. Seus bosques tem mais vida, e a vida em seu seio, mais amores. De pé, anda sobre berço ancestral. Anda de cabeça erguida, anda com orgulho de seu povo, anda admirado por seus vizinhos.

Israel aos 65 anos é uma democracia que respondeu à Questão Judaica. Uma nação onde os judeus podem ser judeus, sempre que quiserem, sem temer serem espancados, roubados e assassinados apenas por se manterem firmes com a primeira religião monoteísta. Israel aos 65 é orgulho entre as nações, com povo respeitado pelos vizinhos. Com comércio alavancado com seus maiores clientes para produtos agrícolas e tecnológicos: Egito, Jordânia, Líbano e Síria. Israel aos 65 anos é reconhecido como um benfeitor da região, como um país que favoreceu o desenvolvimento espetacular dos países vizinhos, tão avançados tecnologicamente quanto Israel.

Israel aos 65 anos mostrou aos muçulmanos que se os judeus podem viver numa democracia, eles também podem. O fervor da liberdade total de expressão judaica se alastrou por toda a região. A vontade dos judeus de se dedicar aos estudos, fez florescer uma universidade atrás da outra por todos os países do Oriente Médio. Os judeus, oprimidos por séculos, mostraram que um país que se dedica a educação consegue chegar lá e seus vizinhos copiaram suas soluções e também lá chegaram.

Israel aos 65 deu e vendeu toda a sua tecnologia de irrigação para os países do mundo e com isso aplacou a fome mundial através de gotinhas de água lançadas ao ar ou pingando no solo. Não há um governo sequer que não se curvou e agradeceu publicamente a criatividade dos judeus de Israel. E não há um ministério da saúde sequer que não adotou as curas criadas pelos judeus de Israel, pois é o caminho óbvio a ser seguido.

Israel aos 65 é um país de paz interna e externa. É um lugar onde os judeus de todas as correntes religiosas judaicas se respeitam e cooperam. A cada festa religiosa, a cada data fundamental para o judaísmo, aumentam as multidões multifacetadas clamando em conjunto a glória ao Senhor e a compreensão Dele sobre as pessoas. Nada é mais lindo que vermos todas as cores judaicas lado-a-lado, irmanadas nas festas de Purim a Bikurim que enchem ruas e avenidas. Nada mais solene que uma nação inteira contemplativa em 9 de Av. Nada mais justo que as trocas de rabinos entre comunidades e sinagogas durante Rosh Hashaná e Iom Kippur. A democracia de um Estado Judeu, a liberdade para ser judeu, permitiu a realização de grandes festas e cerimônias coletivas onde as lideranças de todas as correntes judaicas ficam de braços dados sob o mesmo teto ou sob o mesmo céu, nas dezenas de praças espalhadas pela nação, com esta finalidade. E nada mais lindo que a linha de um milhão de pessoas que se forma todo ano nos penhascos do litoral para o Tashlich em Rosh Hashaná. Aos 65 Israel entendeu que o Terceiro Templo foi construído, enorme, pujante, vivo, se estendendo de Eilat a Rosh Hanikra.

Israel aos 65 anos vive em paz. Não teme à ninguém. Não é ameaçado por ninguém. Israel aos 65 anos parece com Israel aos 130 anos tamanho foi o desenvolvimento tecnológico e social oferecido pelos bilhões de dólares anuais não mais necessários para as atividades militares. Israel aos 65 anos tem judeus mais felizes, judeus mais jovens e judeus menos soldados. A defesa contra o extermínio não é mais necessária. Sua população árabe há muito já mostrou aos outros árabes e muçulmanos as benesses judaicas e como se aproveitar bem dos judeus em simbiose, não em exclusão. A união interna de todas as correntes judaicas mostrou aos poderosíssimos muçulmanos que ambas religiões preveem a paz e que unidos alcançarão a riqueza e a prosperidade, enquanto desunidos apenas idealizam o Paraíso. Essa foi uma das lições religiosas mais importantes ditadas pelos judeus nos últimos anos e que transformou a face do planeta.

Israel aos 65 anos é a realização do sonho sionista. Praticamente todos os judeus do mundo estão lá. As outras soluções à Questão Judaica do século 19 ficaram bem para trás. A esquerda judaica que militou por mais de 100 anos para os judeus ou se assimilassem ou serem colocados em regiões autônomas judaicas DENTRO de cada um dos países, finalmente se dispersou e compreendeu que Israel é a região autônoma judaica ENTRE os países todos. Uma diferença gramatical e geográfica que fez toda a realidade.

Israel aos 65 anos é a realização do sonho de Theodor Herzl, que ainda no século 19, quando o mundo tentava criar novas relações de trabalho para os novos empregos que surgiam com a revolução industrial e de serviços, estabeleceu no seu fundamental "O Estado dos Judeus", o turno duplo de trabalho e 7 horas, consolidado pelas sete estrelas em sua proposta bandeira nacional. Não fosse isso, Israel não seria o que é hoje. Herzl propôs o sistema de trabalho que dobraria a capacidade de produção, dobraria o número de empregos e permitiria uma melhor qualidade de vida e educação da todas as pessoas. O sistema de trabalho de Herzl, implantado em Israel desde o primeiro imigrante sionista pisar na Terra Prometida. foi copiado por todos os países. Nele, o primeiro turno trabalha das 7 às 11h, tem livre (para estudar, se exercitar, resolver seu problemas, se alimentar, descansar) das 11 às 14h, volta a trabalhar das 14 às 17, enquanto o segundo turno completa o dia das 17 às 21h. Assim há dois salários por posição e 14 horas trabalhadas por dia no total. Um visionário! Mais um sucesso que os judeus deram ao mundo! Todo o desenvolvimento mundial foi multiplicado por dois desde que Israel mostrou que a solução de um jornalista do século 19 era melhor que a todos os economistas juntos.

Iom a Haztmaut aos 65 anos é o Dia do Perdão. O dia em que os líderes mundiais pedem perdão pelos gloriosos massacres e perseguições movidas pelos seus antepassados contra os judeus e agradecem por todos os avanços nas relações de trabalho, nas ciência, na tecnologia, na medicina, na economia, na educação, que os judeus deram ao mundo.

José Roitberg - Jornalista, historiador e esquizofrênico

quarta-feira, 20 de março de 2013

Projeto original do Maracanã

Maracanã tinha judeu no projeto? Você sabia? Agora que estamos prestes a ver uma quarta fase do Maracanã inaugurada mas não finalizada, que tal resgatar os autores da obra original, jamais concluída? Em 1947 a prefeitura do Rio de Janeiro abriu concorrência pública para o projeto arquitetônico do estádio. O projeto vencedor foi de autoria da equipe de arquitetos formada por Waldir Ramos, Raphael Galvão, Miguel Feldman, Oscar Valdetaro, Orlando Azevedo, Pedro Paulo Bernardes Bastos e Antônio Dias Carneiro. A sua construção teve início dia 2 de agosto de 1948, na administração do prefeito Ângelo Mendes de Morais. Trabalharam na obra 1.500 homens, e nos meses finais este número elevou-se para 3.500. O engenheiro que iniciou os trabalhos foi Paulo Pinheiro Guedes. A Copa do Mundo de 1950 foi realizada com as obras ainda não concluídas. A rigor, estas só terminaram em 1965, mas longe da configuração do projeto. O parque aquático anexo a um estádio descoberto para tênis e o Estádio Célio de Barros, que também previa uma concha acústica para outros eventos nunca assumiram a configuração do projeto inicial que já determinava a demolição do Museu do Índio, não presente do canto esquerdo superior da maquete oficial. Quanto ao obelisco, nunca saberemos o que iria representar. Todo este complexo foi construído onde funcionou por décadas, o Derby Clube, a principal pista para corridas de cavalos na Capital Federal dos Estados Unidos do Brasil. Na foto temos os arquitetos Miguel Feldman (esq) e Antônio D. Carneiro diante da maquete do Maracanã, em 16/junho/1949. Foto da coleção de Branca Feldman.

Estadio-Municipal-Do-Rio-De-Janeiro-RPPC-Maxi-Postcard-1950-PROJETO-QUE-NUNCA-FOI-EXECUTADO

No final das contas, o parque aquático Maria Lenk foi construído no local da previsão original e o Célio de Barros, também, mas ambos fugindo totalmente as linhas harmoniosas do projeto original. Bem, hoje ambos foram destruídos. Abaixo, configuração do Google Earth em 2009 ou 2010, antes das obras para as Copas de 2013-14.

MARACANA 2010

quinta-feira, 14 de março de 2013

MULHERES DE TALIT - VIOLAÇÃO OU NOVA TRADIÇÃO?

Nestes dias tenho lido algumas posições muito fortes contra as 300 Mulheres do Muro que forçaram a barra e entraram na área feminina do Kotel, com talitot (xales de oração) para fazer as orações delas debaixo de agressões verbais e sopros do shofar dos hassidim e hareidim do lado masculino. Precisa ficar claro para todos que o uso do talit apenas pelo homem é tradição: não é legislação judaica (halachá). Um dos pontos focais da lei judaica é TRADICIONALMENTE TAMBÉM: "Se não está expressamente proibido, pode ser feito." Não há proibição da mulher usar o talit como não há obrigação do homem usar o talit.

Por acaso você já viu alguma sinagoga ou alguém no Kotel EXIGIR AOS HOMENS PRESENTES o uso do Talit? Isso não acontece porque essa é a forma correta de agir. Com a kipá ocorre a mesmíssima coisa. Não há nem obrigação nem proibição, tanto que no ramo reformista inteiro, os homens não usam a kipá. Sequer "cobrir a cabeça" (pela tonelada de motivos sugeridos pelos mais diversos rabinos) é uma obrigação, mas talvez seja nossa mais enfática tradição. E caso todos achassem isso especificamente válido, todos o fariam, mas estamos muito longe disto.

Mas as posições que me incomodam profundamente são das pessoas, algumas de fato obtusas e outras comprovadamente inteligentíssimas que afirmam "É uma tradição então TEM QUE SER CUMPRIDA!"

Estas pessoas não conseguem entender que tal tradição por ser afeita ao ramo judaico onde ela cresceu ou está, pode não ter nada a ver com outro ou outros ramos judaicos. Não temos centralização clerical ou teológica. Não existem vaticanos judaicos, papas judaicos, ou encíclicas judaicas. Deve ser pela nossa heterogeneidade que estão tentando acabar com nossa fé e não conseguem porque não há um ponto focal que derrube todos os ramos. Hoje, pode-se citar pelo menos umas 12 designações judaicas maiores que se afirmam ortodoxas ou se afirmam religiosas quase todas elas são teologicamente opostas e excludentes umas as outras. Isso não inclui o judeu não se define como religioso, mas apenas faz o que lhe permite sentir-se bem consigo mesmo dentro da religião. É um círculo de ramos onde um coloca a mão no ombro do que está a sua frente e diz: "você não é judeu...", mas é um círculo e não um reta!

A estas pessoas que IMAGINAM que tradição é algo PARA SER CUMPRIDO, peço um segundo de consideração a ideia absolutamente verdadeira de que nenhuma tradição COMEÇOU SEM SER EXATAMENTE A NOVIDADE CONTRAPOSTA ÀS TRADIÇÕES ANTERIORES! Isso é a mais nítida das verdades e é muito simples de compreender.

O que se vê atualmente como o estereótipo dos judeus de roupas pretas (nas mais diversas formas divididas por grupo) é apenas o formato hassídico, afeto aos que militam no ramo hassídico iniciado no século 18 como MODERNIDADE E OPOSIÇÃO, principalmente aos judeus de Vilna, e consolidado em meados do século 19 na Europa Oriental, exatamente quando na Europa Ocidental se consolidava a Reforma e o Liberalismo (coisas diferentes).

Estes grupos cresceram juntos. Foram contemporâneos em seu surgimento pelas necessidades localizadas. Mas quando são colocados juntos na mesma praça, defronte ao mesmo muro que é tanto de uns quanto de outros as diferenças ficam violentamente aparentes e em algum momento os ramos precisam compreender que são da mesma árvore e nenhum árvore possui galhos iguais e simétricos.

Dizem por aí e os religiosos escutam mais facilmente que a destruição do Segundo Templo e sua não reconstrução deve-se a cisão judaica, inicialmente a de 2.000 anos atrás e depois disso sua manutenção e modificação. Seria um conceito muito louco afirmar que a solução para tal cisão é a COMPREENSÃO E ACEITAÇÃO DO OUTRO e não a submissão do outro ao meu conceito. Creio que não haja para quem falar isso.

Quanto o leiteiro Tevie,no Um Violinista no Telhado diz: “Tradição? Não sei quando começou, mas é tradição”, ele está certo, mas era um leiteiro de shtetel. Você não é!

José Roitberg - jornalista

Cerveja vai voltar aos jogos de futebol

Que decisão antipatriótica da FERJ - Federação Futebol do Estado do Rio de Janeiro em liberar o consumo de cerveja nos jogos de futebol dentro dos estádios. Há uma pressão nacional amparada pela sociedade em reduzir o consumo estratosférico dessa droga denominada álcool no Brasil, com tolerância zero no trânsito. O torcedor já estava completamente acostumado ao álcool zero nos estádios e a mídia foi muito incisiva contra a FIFA quando ela EXIGIU o consumo de bebidas alcóolicas nos jogos da Copa das Confederações e do Mundo.

Nem FIFA nem FERJ agem no interesse das pessoas nem no interesse da sociedade. Agem apenas em interesse próprio que tem que ser completamente escuso.

O álcool foi banido dos estádios por ser fator determinante na violência de torcedores embriagados dentro do estádio, fora do estádio, nos transportes coletivos e nos carros particulares.

O cenário que deixamos de ver no Brasil retornará no Rio de Janeiro. Veremos mais brigas e brigas mais violentas, veremos atropelamentos de bêbados nas imediações dos estádios, veremos acidentes de trânsito causados por esse medida interna da FERJ.

Podre um país como o nosso que não possui INTENCIONALMENTE a figura do Promotor Público, do advogado pago pelo Estado para falar e dar início a ações pelo interesse óbvio da sociedade.

E como a maior parte da sociedade é consumidora de álcool, vai aplaudir essa decisão, porque sempre são os outros que morrem. A maioria está errada!

José Roitberg - jornalista