quinta-feira, 22 de março de 2012

Executivo da FIERJ quer virar a mesa

Uma noite para lembrar

por José Roitberg - jornalista

Ontem, dia 21 de março de 2012 aconteceu a mais curiosa reunião do Conselho Deliberativo da FIERJ, pelo menos ao longo da minha história comunitária. Eu não gosto de falar nisso, mas é necessário qualificar a minha opinião. Fui assessor de 3 presidentes: Osias por quatro anos, Sergio por dois anos e Léa por um ano. Neste meio tempo, fui eleito Conselheiro com duas grandes votações, não continuando por opção própria. Tive a vivência de atuar profundamente em três eleições da FIERJ em duas transições de presidências e viver, o dia-a-dia dos problemas da instituição, das entidades federadas e da Comunidade, por muitas vezes não sendo possível que os problemas fossem resolvidos, algo sempre frustrante.

Mas para ontem o Executivo da FIERJ, encabeçado pela sua presidente Sarita Schaffel, solicitou ao Conselho Deliberativo a inclusão da apresentação da "Proposta de novo modelo de Governança da FIERJ." Já havíamos antecipado alguns pontos e muitos leitores achavam que estávamos "chutando" ou tentando "macular" o processo. Mas era verdade. Não toda a verdade, mas só uma pequena parte dela. Ao fazer minhas perguntas na reunião, deixei absolutamente claro que além de estar lá como Zé, pessoa física, estava lá como jornalista e iria descrever o que aconteceu na reunião para a Comunidade.

Vamos direto ao ponto e depois  começamos a explicar. A presidência da FIERJ solicitou ao Conselho Deliberativo que se dissolva, que aprove uma mudança estatutária radical rapidamente antes da eleição do dia 26 de agosto reduzindo seus membros eleitos pelo voto direto pelas pessoas simples da Comunidade Judaica de 52 para "até" 6 somente, e que entregue o Conselho Deliberativo para os presidentes de "até" 30 instituições federadas entre as 64 que existem listadas. Este é o cerne. O resto é composto por detalhes mais ou menos inadequados.

Muita ênfase foi dada para a necessidade dessa aprovação ser rápida e veloz, querendo os proponentes do Executivo que a reunião de ontem já contasse como uma das três que o prazo legal estatutário exige. Proposta corretamente não aceita pela presidente do Conselho, a sra Claudia Hochman e também não aceita pelo ex-presidente Sergio Niskier. Foi nomeada uma comissão do Conselho para estudar a proposta e apresentar suas conclusões. Só para constar o atual estatuto da FIERJ saiu do cartório com sua aprovação há cerca de 30 dias somente.

Há uma inversão completa do processo democrático. O Executivo esqueceu que ele é subordinado às decisões do Deliberativo. Deliberar e executar, parlamento e presidente.  É isso que nos garantiu desde o início dos anos 1980 uma democracia muito além da democracia geral no Brasil. O Executivo pode pedir ao Deliberativo o que ele quiser. E pode ser derrotado e rejeitado pelo voto. Ou se assim os conselheiros quiserem, sair-se vencedor. 

No momento não sou Conselheiro da FIERJ, mas sou membro nomeado (pelo Conselho, sem oposição) do Comitê Eleitoral. E quando um Executivo pede a dissolução de um Deliberativo, através de um voto de suicídio coletivo, precisa estar preparado para, ao invés disso, receber uma votação de impedimento, de impeachment daqui a 30 dias em nova reunião do Conselho. Esse é o caminho natural na política para quem pretende buscar um rumo fora da democracia: vá embora! Ou se preferir enfrente o voto de impedimento e culpe o Conselho, mas vai embora. Isso é o que eu, pessoalmente e individualmente entendo por debate democrático, por voto, por representação popular. A decisão que será tomada em meu nome e em seu nome é deles e não minha. Vou respeitar essa decisão, mas não implica respeitar o que se afigura pela frente.

Jamais um presidente da FIERJ, mesmo os fortíssimos, optou por desafiar o voto de umas 140 pessoas (eleitos, representantes de entidades, consultivos, nomeados) e imaginar que 2/3 deles o apoiariam e simplesmente iriam embora. A Sra Sarita Schaffel optou por esse erro político grave. Só que ela não se pronunciou. Ela apenas apresentou quem ia apresentar o projeto. Mesmo quando o debate foi aberto após a exposição do projeto, sua opção foi a terceirização da função de presidente para o Sr Marcel Sappir, que não é nem foi Conselheiro, não é nem foi diretor da FIERJ, é um elemento externo à estrutura política comunitária que faz parte do grupo engajado por Sami Goldstein, Diretor Coordenador de Planejamento da FIERJ.

Então, de forma muito clara: uma pessoa que não faz parte da direção Comunitária, que não faz parte da política judaica em nosso estado, pede, em nome da presidente da FIERJ que os conselheiros peguem seus chapéus e vão embora. Isso é inédito e causou perplexidade.

Mas o que mais o sr Marcel Sappir disse e deixou bem claro em sua exposição do projeto que parecia ser algo do tipo: "como ele é o que expõe isto e está absolutamente integrado ao projeto, é nossa escolha para o cargo remunerado de Diretor Executivo." Bem Marcel disse que sim, estava pedindo para o Conselho votar por sua dissolução.

Marcel disse que um dos elementos entendidos nas mais de 280 horas de trabalho no projeto era que as federadas não frequentavam o Conselho ocupando suas cadeiras individuais e permanentes por que os membros eleitos do Conselho não tinham "capacidade" para compreender as questões levantadas e as necessidades das federadas e discutir estes assuntos.

Marcel também disse que outro dos motivos que complica a ação do Conselho é o voto. Segundo ele, o voto não é uma coisa adequada nas decisões, que precisam ser por consenso. Acho que vou mandar essa frase para Hugo Cháves. E para obter consenso, segundo ele, é preciso haver menos pessoas deliberando. Ainda segundo Marcel, o novo Conselho proposto vai deliberar por consenso. Isso me assusta. Por outro lado me tranquiliza, pois ao ser derrotado o projeto, Marcel, Samy e Sarita, poderão colocar mais uma linha no conceito deles de como o voto é prejudicial na tomada de decisões. Estou aqui incluindo a Sarita porque ao terceirizar o discurso que deveria ser dela, implicitamente concorda com ele. Ou será que não concorda e por isso nada falou?

Este novo futuro improvável Conselho seria composto por uma armadilha gramatical. "Até 30 entidades federadas". Ora 10 é até 30. 5 é até 30. 1 é até 30. E se forem 4 entidades federadas, como é em São Paulo, a fórmula dos 20 % de conselheiros eleitos diretamente resulta em um redondo zero.

Segundo as palavras de Samy, ratificadas na apresentação e nas respostas aos questionamentos feitos à presidência, e respondidos por Marcel, a solução para os "problemas" da FIERJ e da Comunidade é entregar sua direção e sua tomada de decisão aos presidentes de federadas escolhidas entre eles próprios. Marcel disse que isso "não é um golpe", palavras dele.

Ainda ao iniciar sua apresentação, Marcel descreveu a presidência da FIERJ como um "regime de escravidão", palavras dele. Que o presidente tem que se dedicar integralmente e abdicar de sua vida particular e comercial. A solução para isso seria a contratação de um Diretor Executivo "e seu staff" conforme organograma mostrado na apresentação que aliviariam as tarefas de presidente que poderia ser, por exemplo, "um empresário de renome."

Ao longo dos anos eu estive com, participei de entrevistas e conversei com inúmeros políticos e integrantes de cargos públicos, prefeito, secretários municipais e estaduais, deputados, vereadores, senadores, presidentes de tribunais e juízes, gente da ONU, presidentes de entidades dirigentes e antigos presidentes de federações, aliás, todos os que estão por aí, desde o Eliezer Burlá. Cargo público político não é "escravidão!" É abnegação e serviço público. Em função, essa gente toda trabalha muito além do que se pode imaginar, 7 dias por semana, dormindo 4 ou 5 horas por noite, quando dá. Isso é o NORMAL. Isso é o que o serviço público em nível de direção e liderança EXIGE. Mas ninguém é obrigado a fazer estes trabalhos. Faz quem que. As pessoas se candidatam e são eleitas para os cargos e não julgadas e condenadas ao serviço público. Se não consegue fazer o trabalho - eu não conseguiria - saia. Vá embora. Pagar para alguém fazer o que você não consegue fazer e com o dinheiro dos outros é uma terceirização estranha. E essa "escravidão atual" possui em sua estrutura sete vice presidentes, portanto o desenho da FIERJ prevê a distribuição dessa carga "escrava" por oito pessoas.

Todos estão esquecendo que a FIERJ é a representação política dos judeus no Rio de Janeiro. Ela não é a representação em nome das entidades (cada uma faz o que quer e se expressa como quer). Os temas da FIERJ são temas abrangentes: segurança comunitária, combate ao antissemitismo, imagem positiva da Comunidade, alianças políticas em nosso benefício a todos os níveis, alianças políticas com grupos de defesa dos direitos humanos, representação oficial da Comunidade nos mais variados fóruns e eventos políticos e sociais, e por aí vai. É o estatuto.

Em 1947, quando foi criada, era a FSIRJ - Federação das Sociedades Isrealitas do RJ (capital federal). Então era e federação das entidades e não das pessoas. Em poucos anos, sua primeira reforma estatutária, a trouxe para representação da Comunidade como um todo e não apenas das entidades ou sociedades. Voltar ao início? Pode? Deve?

A FIERJ não existe para regular atividades de federadas, para se imiscuir na educação e religião, nem no funcionamento de entidades assistenciais. Na exposição de Samy e depois de Marcel pareceu claro que eles imaginam uma FIERJ como facilitadora de viabilidade econômica de projetos futuros que ainda não existem (não de projetos atuais). Dizem que a existência de um Diretor Executivo encastelado ao longo das presidências eleitas fará com que os projetos que não existem se tornem projetos permanentes.

Sinceramente não vejo falta de projetos desde que entrei na FIERJ. Vejo sim a falta quase total do apoio das federadas à FIERJ. Projetos que deveriam ser permanentes como o Cadastro Comunitário, tem a RECUSA por escrito das entidades em fornecer seus cadastros individuais para serem compartilhados entre todas elas mesmas! Na apresentação a solução que as "federadas" deram é que se contrate uma empresa que fique encarregada deste cadastro "fora da FIERJ, pois não se pode confiar na federação." A mesma história absurda da terceirização e certamente um repasse de verba para a empresa de alguém conhecido de algo que poderia ser feito como parte do trabalho dos funcionários da FIERJ, como sempre foi, aliás.

Por mais que tenha se tentado, não existe a possibilidade ideológica de criar um fórum de discussão entre as sinagogas. Elas nunca aceitaram se reunir para discutir seus problemas, suas soluções, uma agenda comum a todas. Todas tem seus projetos individuais ao longo do tempo.

Marcel disse que voltou a existir o Vaad a Chinuch, o fórum das escolas, segundo ele muito bem sucedido. O original foi criado pelo Ronaldo Gomlevsky em seu primeiro mandato, cumprindo promessa de campanha e minha mãe o dirigiu por vários anos entre a década de 1980 e 1990. Coube e a mim e à Claudia a remoção apressada de sua biblioteca para a desmobilização do imóvel retomado pelo... Shormer Hatzair... Então é gozado ouvir do Marcel que o Vaad antigo, com enorme e relevante biblioteca de temas judaicos, sala de estudos e aulas, computadores, secretária e DIRETORA EXECUTIVA, ficou melhor como está hoje, sem os custos de sede, manutenção e salários. Percebeu: o projeto que pretende estabelecer cargos e salários executivos na FIERJ usa como exemplo de sucesso a reformatação do Vaad a Chinuch que tinha esta estrutura profissional e agora, sem ela, está ótimo.

Há outra armadilha aqui. Este Diretor Executivo seria contratado "por valor de mercado", uma pessoa com experiência. Bem, não há ninguém com experiência neste tipo de função, já que ela não existe. E "valor de mercado" seria o que? Como um diretor executivo de rede de pastelarias ou diretor executivo da Globo? A escolha do nome é dos tais 30 presidentes de federadas ouro.

E nessa proposta toda, mantida a eleição direta para presidente da FIERJ quem poderia se candidatar? Hoje, democraticamente, qualquer pessoa. Todos os nossos grandes presidentes foram "quaisquer pessoas", menos o primeiro o grande cientista Fritz Feigl que a dirigiu em seus primeiros onze anos. No formato proposto, há duas alternativas básicas. Na primeira apenas alguém que tenha sido membro do Conselho (do novo) "nos dois anos anteriores", portanto, quase com certeza, um presidente de entidade. Mesmo assim ele, para ter direito a ser candidato, teria que contar com a concordância de 12 destes até 30 presidentes de entidades. A outra opção é ser "qualquer um" desde que tenha a concordância de 18 dos 30 presidentes de entidades. Assim, tudo indica que será "entre eles" apenas. Note que as outras 34 entidades existentes e as que vierem a existir estão absolutamente alijadas do processo de eleição, decisão e governança. Por uma questão de ordem, Léa foi presidente do Froein Farain e Sarita, da Wizzo.

Quem decidiu que este formato é o bom? Não se sabe. É um projeto coletivo. Mas uma coisa foi deixada muito clara por Marcel Sappir "todas as pessoas relevantes foram ouvidas", mas também, "ouvimos os últimos 3 presidentes, Léa, Sérgio e Osias, não tendo havido tempo para ouvir a todos". Esquecem-se eles que Stryjer, Naum, Cymbal, Gomlevsky e até mesmo Burlá são membros do Conselho consultivo e provavelmente se colocariam contra o projeto se tivessem sido ouvidos. Mas ainda serão, pois eles tem aquele direito horrível ao voto democrático na Assembleia de reforma estatutária e deverão exercer este direito. Não quero dizer com isso que Osias, Sérgio e Léa, são favoráveis ao projeto. Pela minha conversa lá, Sérgio e Léa não parecem ser favoráveis. Osias não estava, mas esperamos que ele se pronuncie em breve.

Sendo absolutamente franco com você que lê, quero agradecer ao Paulo Maltz, vice-presidente da FIERJ, por ter me oferecido imediatamente uma cópia do projeto completo apresentado. Achei que isso foi uma ação digna e especificamente democrática. Mas eu não vou agir como os jornalistas que eu critico, scaneando o projeto e o divulgand, apesar dele ter sido entregue a mim com esta autorização implícita, jap que sou abertamente jornalista. Essa divulgação é dever da presidência da FIERJ através de seu próprio informativo. O projeto não é sigiloso, é absolutamente público então, que se publique.

Matematicamente  temos no voto 52 conselheiros que talvez não pretendam cometer suicídio, 34 entidades votantes que serão excluídas em definitivo da tomada de decisão comunitária e certamente da consideração pelo Executivo (como efeito colateral, não espero outra coisa que não o pedido de desfiliação destas 34 entidades, caso o projeto seja aprovado, pois o projeto cria uma oposição óbvia entre quem fica e quem sai), 8 ex-presidentes da FIERJ, membros do Conselho Fiscal entre as "até" 30 entidades que permanecerão na nova estrutura, algumas que certamente não concordam com nada disso, como ficou claro ontem, na reunião do Conselho que é para ser lembrada.

O meu papel como jornalista judeu comunitário, eu fiz.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Bomba A não está no Irã

Em janeiro de 2008 eu estava em Jerusalém em um curso. Passamos alguns dias na Universidade de Jerusalém e um dos temas abordados foi exatamente o ataque ao Irã. Era o momento exato da última eleição e a discussão era: quem é melhor para liderar o país no ataque ao Irã? Tzipi ou Bibi? Todos tinham a certeza de que era Bibi, e este deve ter sido um fator determinante para a vitória dele. Só que o mandato está na reta final e o ataque não saiu.

 

Em janeiro de 2008 se dizia que a linha final para o ataque era outubro de 2008, pois seria quando o Irã estaria em condições de fabricar a bomba. Bem, estamos em março de 2012 e nada realmente aconteceu. O ataque contra o reator nuclear da Síria, com tecnologia da Coreia do Norte foi em setembro de 2007. Impressionante como passou rápido este tempo. Ele também estava ao nível do solo - como o iraquiano na década de 80 -  e foi completamente arrasado em instantes. Foi cosntruído numa cidade de fronteira entre Síria e Turquia. Nunca ficou claro que outras instalações foram destruídas por que a Síria nem reclamou. A ONU confirmou que era um reator. E hoje, Cuba está cobrando da ONU sanções à Israel relacionadas com este ataque.

 

Mas reatores nucleares não são necessários para a produção de armas nucleares. O Egito, por exemplo, tem 3 ou 4 reatores nucleares ativos, o mais antigo desde antes da Guerra do Iom Kippur e nunca foram atacados ou o Egito acusado de nada. O que é preciso são as centrífugas de enriquecimento de urânio. Para entender de forma alegórica, imagine um tubo cheio de pó de urânio que é girado (o pó) em alta velocidade. As partículas mais pesadas, por ação da força centrífuga são jogadas contra a parede do tubo e capturadas. Elas são passadas para outro tubo, depois outro, depois outro - é o que se chama cascata. Em cada tudo se obtém átomos de urânio com um grau de enriquecimento maior, ou seja, mais pesados. Quanto mais pesado o isótopo de urânio, mais radioativo ele é. Para chegar ao grau de enriquecimento militar, um urânio que exploda, se precisa atingir 70%, o que significa 70% do volume em isótopos mais pesados e 30% do volume em "outros urânios". Isso é lento, caro e complicado. Para cada kg de pó de urânio (yellow cake) que entra numa centrífuga, algumas frações de grama, chegam lá no final com 70%, isso, se houver tecnologia suficiente para essa captura. Então, de forma leiga, é preciso ir juntando frações de grama todo dia até ter os kg necessários para uma bomba. E o Irã é bom nisso. Enquanto o Brasil possui, pelo que se sabe umas 30 ou 40 centrífugas que rodam 24 horas por dia, o Irã possui algo entre 5.000 e 10.000. E isso ocupa muito espaço. Um ataque a estas instalações não causa contaminação nuclear e é o alvo principal.


Quando a Kadafi desmobilizou o seu programa nuclear e o entregou aos EUA, lá estavam algumas centenas de centrífugas norte-coreanas. Só que estas centrífugas não estão na superfície. Estão enterradas em bunkers muito modernos. Tão modernos que o Irã chegou a divulgar o projeto deles e seu layout (verdadeiro ou não) para mostrar que é inútil tentar atacar. E o programa nuclear iraniano está espalhado em 100 locais conhecidos dentro do imenso território do Irã e certamente em mais um monte de locais secretos que nós não conhecemos mas é dever da CIA e do Mossad saberem onde e o que são.

 

Os caras são espertos. Não há um ponto a ser atacado que arrasará o programa nuclear iraniano. É preciso atacar um monte de alvos. Todos protegidos por artilharia anti-aérea de última geração e pela força aérea iraniana. Na verdade existe uma forma relativamente simples mas não especificamente precisa de encontrar os locais de alvos. Basta procurar as posições de artilharia antiaérea em locais insignificantes que não mereceriam ser protegidos. Mas andei dando uma fuçada nisto e vi pelo Google Earth que em tudo quanto é canto do Irã, existem pistas de pouco e posições de artilharia e mísseis antiaéreos. Hoje temos o Google que é muito superior aos satélites espiões até os anos 1980, portanto é algo válido de se obervar. Só que pelas fotos ninguém pode afirmar o que é uma posição verdadeira e o que é uma falsa, com um míssil de compensado, papelão e lona, por exemplo. Só par citar, durante muitos anos, os assustadores mísseis balísticos nucleares chineses mostrados nas paradas militares eram falsos e os analistas americanos quebravam a cabeça com a proliferação de modelos ano a ano.

 

Mas em 2008, em Israel, dizia-se na Universidade que os planos de ataque ao Irã estavam feitos há muito tempo e que faltava a coragem do governo de mandar seus pilotos para uma missão que resultaria em 50% ou mais de baixas. Judeus não são tidos a isso. Se fossem iranianos, mandariam para uma missão de 100% de baixas sem nenhuma dificuldade. Em 2008 eu afirmei lá que o problema das baixas era apenas político e de mídia, pois se perguntassem aos pilotos, todos seriam voluntários para missão, pois qualquer piloto de combate se considera "morto" assim que é efetivado na posição. Todos os israelenses, inclusive dois ex-pilotos de 67 e 73 concordaram.

 

E aí o tempo foi passando e o tempo é favorável aos dois lados. A cada instante que passa, os iranianos podem jogar mais uma pá de areia ou colocar mais um saco de cimento e a cada mês que passa, os armamentos ocidentais e sistemas de controle de alvos são aprimorados. O que se tem hoje de tecnologia stealth, de armas contra bunkers enterrados, de aviões robô com altíssima capacidade de cumprir missões e carregar armamento, de mísseis cruise evoluídos (inclusive stealth) etc é muito superior ao que havia em janeiro de 2008.

 

As bombas atuais contra bunkers que serão usadas no Irã e no Líbano tem alto poder de penetração vertical no solo e explodem lá embaixo provocando um tremor de terra usando as ondas de choque para destruir internamente o que estiver dentro dos bunkers. Como as explosões são subterrêneas pode-se contar com a certeza de ataques com explosivos convencionais e com explosivos nucleares. Não há porque deixar de usá-los nesta questão. Se é preciso arrasar um bunker, optar por uma carga de 1 ton (uma tonelada) de explosivo militar (que deve equivaler a umas 10 ton - 10 toneladas de tnt) ao invés de uma arma nuclear muito pequena (existem para artilharia desde os anos 1960 com 15 kt  - 15 kilotons - equivalente a 15 mil toneladas de tnt). Então, as armas existem.

 

Para levar estas armas até os alvos é preciso contar com os sistemas Stealth americanos. Os enormes bombardeiros B1 podem atacar o Irã decolando dos EUA, até mais fácil que atacar o Afeganistão. Fizeram isso centenas de vezes no Iraque. E também com o caças F-111, os novos F-35 e o monte de aviões robô que andam por aí, inclusive aquele que caiu no Irã e ninguém sabia sequer que existia. Note que estamos falando do que se sabe que existe. E no caso de Israel deve-se esperar um uso inusitado do que existe e tecnologias surpreendentes que ninguém conhecia.

 

À força aérea de Israel deve caber a função de combate com a força aérea iraniana, ataques ao solo contra posições de radar, centros de comando, unidades militares da Guarda Revolucionária, e principalmente o programa de foguetes e mísseis que não é enterrado. E também a parte mais complicada: o Hezbollah.

 

Hezbollah é parte integrante do tripé de governo da revolução iraniana. Não é um elemento libanês na questão. Guerra com o Hezbollah é guerra com o Irã e isso já aconteceu uma vez: são indissociáveis. A Síria xiita, ocupou o Líbano por 25 anos e depois foi substituída pelo Irã xiita através do Hezbollah.

 

Israel criou o único sistema antimísseis de curto alcance que funciona. Os EUA e soviéticos nunca conseguiram fazer. O Domo de Ferro funciona de fato, mas é caro (50 mil dólares o disparo), muito lento, apenas 20 foguetes por bateria, e, de forma não divulgada, de construção complicada e demorada: há apenas 3 em operação com uma quarta bateria programada para daqui há duas ou três semanas. Há pouco tempo atrás houve um erro no recarregamento de uma unidade e os foguetes caíram no chão: 1 milhão de dólares de prejuízo.

 

Israel deveria dar a prioridade da produção para estas baterias e seus foguetes. Mas não dá.  Se os EUA lançavam um navio cargueiro ao mar a cada 2 dias na segunda Guerra, qual é o problema de construir o Iron Dome de forma realmente veloz em linha de produção? O problema pode estar em sua ineficiência apesar de praticamente 90% de acerto nos disparos, como temos visto.

 

O inimigo nunca é burro. Muito pelo contrário. Se eu tenho UMA bateria do Iron Dome defendendo Ashdot e ela só dispara 20 vezes antes de ser recarregada e de forma lenta, precisando de caminhão de apoio, guindaste etc, o que eu faço? Lanço 25 foguetes, perco 20, cinco atingem a cidade e depois eu tenho o tempo da recarga do Iron Dome para disparar quantos mísseis eu quiser, sem qualquer tipo de oposição. Mas em relação ao Hezbollah, estamos falando de dezenas de milhares de mísseis e isso deve ser verdadeiro. Não há sistema antimíssil que dê conta do recado, mesmo que a direção do ataque seja uma só: "vem de lá", não tem outra rota...


Fico imaginando uma linha de 5 unidades do Iron Dome alí acima de Naharia, com 100 foguetes prontos para serem disparados - num custo de 5 milhões de dólares - e o Hezbollah partir para um primeiro ataque com 500 Fajrs... Rapidinho a conta da recuperação dos danos pelos impactos dos foguetes será mais barata que o disparo do Iron Dome.


O ataque de Israel contra o Irã é um problema do Irã que não vai conseguir atingir Israel. Mas o ataque do Hezbollah contra Israel é um problema de Israel e a guerra será muito mais terrível que a anterior pois o Hezbollah está mais entrincheirado, seus bunkers e táticas de lançamento de mísseis foram aprimorados, e principalmente há um fator financeiro perverso: a defesa custa bilhões de dólares para Israel mas o ataque não custa nada para os palestinos ou para o Hezbollah que são simplesmente abastecidos com o que precisam.

 

E em minha visão é aí que está todo o erro da questão. Os mísseis iranianos e coreanos não chegaram ao Líbano e muito menos à Gaza por um portal mágico do Harry Potter... Foram levados para lá e não foram de navio, pois todos os que tentaram foram interceptados. Muito menos os enormes mísseis militares passaram pelos estreitos túneis de contrabando de Rafá. Estes mísseis não podem ser desmontados em parte menores, que mesmo assim ainda seriam muito grandes. Eles são podem ter entrado em caminhões. E para Gaza, os caminhões só podem ter vindo pelo Sinai, pelo Egito. E para chegar aos caminhões, os mísseis foram desembarcados em portos e aeroportos egípcios, contabilizados, armazenados e distribuídos. E não estamos falando de uma carga. Estamos falando de milhares e milhares de equipamentos militares Iranianos e Norte Coreanos que passaram pelo Egito com o apoio de Mubarak e depois do governo atual que é mais favorável ainda aos palestinos.

 

As pessoas precisam parar de imaginar que há outra rota desta imensa parafernália militar iraniana para Gaza que não seja com o apoio TOTAL do Egito! Ao norte a rota era Irã xiita, Síria xiita e Hezbollah xiita. Algum dia, após a próxima guerra, este governo que hoje está em Israel vai ter que explicar porque estas rotas de abastecimento de foguetes não foram atacadas de todas as formas possíveis. Se disserem que não podiam atacar em território egípcio, então pergunte: porque não abateram os caminhões com mísseis assim que cruzaram a ÚNICA entrada que há em Rafá? Eu tenho a certeza, e vc também de jamais ter ouvido uma notícia da IAF ter atacado um comboio com mísseis entrando em Gaza. Por que?


E como todo esse material de porte enorme, exigindo milhares de cargas de caminhões grandes para seu transporte, navios vindos da Coreia do Norte, aviões cargueiros militares etc, por que é que temos que acreditar que no meio dessa tralha toda não vieram armas nucleares prontas da Coreia do Norte? Os caras são bonzinhos? Vão vender os foguetes, mas não vão vender a bomba? 


Na boa, meu amigo. Se há bomba, ela está no Líbano, com o Hezbollah, que vai lançar sim e vai ser sobre Jerusalém pois aquilo lá não significa nada para os xiitas.


José Roitberg - jornalista

segunda-feira, 12 de março de 2012

Lute pela verdade na Wikipedia

Os que querem entrar na batalha pela verdade na Wikipedia tem uma nova arma. Acabei de encontrar (imagem em anexo) uma área de avaliação de credibilidade para os artigos, que pode ser preenchida rapidamente por qualquer pessoa. Não sei se aparece em qualquer verbete, nem vi isso há dois dias atrás. Se você não tinha outra arma para combater os mal intencionados, agora talvez queria se dedicar um pouco a limpar a Wikipedia.