segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Convergência na WEB - de rádio para TV

Estou observando este movimento e participando do reerguimento de uma rádio no RJ, a Rádio Livre AM 1440, fundada em 1940. Ela, como outras falidas, como a Mundial, estão se reerguendo e trazendo o AM para uma nova realidade. Como o governo nunca permitiu o AM-Stereo no Brasil, que traria uma qualidade espetacular e grande alcance e como rádio por satélite (XM) não tem previsão para funcionar aqui, o movimento, bem marcado pela Mundial é claro: a rádio AM está indo para a internet.

E vai para a web com qualidade de áudio perfeita. E vai para web com vídeo! Isso mesmo. Algumas rádios tem webcams e pela web vc pode "assistir" um programa, exigindo mudanças em termos de estúdio, roupa e comportamento dos profissionais. Também é possível colocar conteúdo de TV, profissional ou não, em streaming de rádio. Deixando claro: posso pegar uma entrevista de TV e quem tiver rádio ouve, quem tiver internet assiste. Outras estão com câmeras profissionais.

O uso de computador conectado para dar notícias ao vivo ou até pesquisar na hora temas e dados durante programas de debates está consolidado em todo o lugar, bem como a leitura de emails do ouvinte e a criação de blogs dos radialistas. Ou seja, um pacotão completo, moderno, barato, que está trazendo os bons profissionais, o pessoal das antigas que possui conteúdo para debater, de volta a ativa.

Tem um exemplo aqui - http://www.radiomundial.com.br/aovivo/ essa é a de SP, só áudio, mas muito boa.

http://www.mundial.am.br/ essa aqui é a do RJ, dando show - e há publicidade só para a web. Clips musicais costumam ser ilustrados com imagens no RJ. Vale a pena conferir e compreender este novo processo.

Abs plugados,
Roitberg

Pen Drive de 16GB com erro de disco cheio

Cara, imagino a sua decepção quando vc comprou uma pendrive de 16 gigas, achando que ela seria uma solução para vc e quando foi copiar uma arquivo grande, normalmente de vídeo, o Windows disse que o disco estava cheio, quando na verdade estava vazio... Que saco! Mas tem duas soluções.

Em primeiro lugar os fabricantes das pendrives não deixam claro, em lugar algum de suas embalagens ou seus sites que elas vêm formatadas para o sistema de arquivos FAT... A velha e ultrapassada FAT... Nas chaves com até 2 GB se usa FAT ou FAT16 para formatação e nas chaves acima de 2 GB se usa FAT32. Acontece que o sistema FAT32 permite arquivos com apenas 3.999 GB - não permite 4 GB. Logo, sua pendrive de 16G GB formatada como vem de fábrica, não permite que você grave arquivos com mais de 3.999 GB.

Desespero... Gastei dinheiro a toa. Ora, eu não queria exatamente é ter que usar o WINRAR ou WINZIP para dividir meus arquivos em pedaços de 4 GB para espalhá-los por DVDs... Essa é uma solução se vc não quiser mexer na formatação.

Mas se você, como eu, precisa colocar arquivos realmente grandes, até porque não faz muito sentido ter chaves enormes para arquivos pequenos, você precisa formatá-las com o sistema NTFS, que é o usado normalmente pelo Windows, de XP para cima. Ocorre que ao tentar usar o menu de formatação (com o outro botão do mouse) no Explorer ou ir lá nas FERRAMENTAS ADMINISTRATIVAS / CONFIGURAÇÃO DE DISCOS, não será mostrada para você a opção NTFS entre as formatações permitidas. Apenas encontrará FAT ou FAT32, o que já vimos que não adianta. Então, como fazer?

Super simples! Voltamos no tempo para uns 6 ou 7 anos atrás e lembramos como era para converter HDs de FAT para NTFS quando o Ruindows não reconhecia.

Abra EXECUTAR e digite Convert C: /FS:NTFS onde "C:" é a letra da sua Pen Drive... Não vá fazer isso com o C: senão você apaga tudo do seu HD! PRESTE ATENÇÃO! Tem que ter o espaço entre o "C:" e o "/FS:NTFS".

Em menos de um minuto sua pendrive de 8, 16 ou 32 GB está formatada corretamente e pronta para receber arquivos gigantes. Falam por aí, em "desgaste" da chave usando NTFS, mas acho que isso não faz sentido algum, pois não importa para o silício se vai levar meia hora para gravar 9 GB direto ou em três partes...


quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Coca-Cola na Praia de Tel Aviv


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Enjoy Coke in a Synagogue


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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Quantas Dúzia vai levá doná...


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Numa lojinha chinesa de imãs no centro da cidade (RJ)

tuKola a Coca-Cola de Cuba Normal e Diet 2008


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Finalmente consegui colocar minhas mãos nestas latinhas depois de 10 anos de tentativas. Acabaram de chegar de Cuba. TuKola significa "Tua Cola". Agora imagine a alternativa de marketing: "CuKola";... Acho que não ia dar... O sabor é de Pepsi aguada.

Tarmac-Crush


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Só o caos cria formas tão belas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vem aí latas MacDonalds no Brasil

Furo de reportagem no Brasil, o MacDonalds vai lançar uma série promocional de 7 latas de refrigerantes personalizados. E é tudo Coca-Cola. Colecionadores! Preparem-se!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sua edição em vídeo está lenta? Anti-Virus

sony vegas adobe premiere avid liquid media composer movie maker fina cut

Na boa? Os anti-vírus são um lixo. Imagine se vc deixou seu programa no default, padrão, e ele está vasculhando todos os arquivos ao abrir e fechar? Isso significa scanear os temporários de renderização, os arquivos finais editados etc. Para que? Seu software de edição vai introduzir um vírus num arquivo avi que vc está gerando? Claro que não.

Então a primeira coisa que vc tem que fazer com AVG, Avast, Norto, Macafee ou qualquer outro anti-virus é entender onde nas configurações avançadas fica a aba EXCEÇÕES / EXCEPTIONS. Nas aba vc vai poder dizer oa programa quais diretórios ele NÃO DEVE SCANEAR.

Antes de implementar isto você deve perder um tempo e mandar seu anti-vírus varrer TODOS os arquivos do computador, só apra ter certeza.

Na lista de exceções, coloque o diretório "arquivos de programas" ou o que vc usar. Pronto. Todos os programas vão abrir muito mais rápido, pois oa anti-vírus varrem por padrão cada programa que for aberto, cada biblioteca de comandos, extensões, enfim tudo. Se vc não quiser usar esse expediente para todos os programas, então crie uma entrada de exceção para cada pasta de programa que vc queira abrir mais rápido.

Se vc coloca seus vídeos na pasta "meus vídeos", crie uma regra de exceção para ela também. E mais uma regra para as pastas que os programas de edição usam para seus rascunhos e renderização. Vc vai ver que tudo vai rodar muito mais rápido.

A única pasta que vc não deve excluir é a pasta raiz "C:" senão vc exclui tudo e as pastas "system" e "system32", onde os vermes preferem atacar.

A forma correta para uma ilha de edição é não estar conectada na Internet. Isso retira da memória um monte de programas e serviços que atrasam o funcionamento. Por vezes as coisas ficam lentas pelo computador estar baixando atualizações automáticas, coisa que vc não quer. Mas isso é cada vez menos óbvio.

Em algumas empresas de edição encontrei servidores que se conectam à Internet e as ilhas que se conectam ao servidor central, mas que não tem acesso à Internet. É outra forma segura. Vc senta numa máquina a parte para baixar o que for preciso de forma segura, salva no diretório de sua ilha e lá da ilha usa o material.

O correto é uma ilha de edição não usar anti-vírus, anti-spyware, nada disso. O computador deve ser o mais limpo e puro para a função possível.

Agora, cuidado com as pen-drives de clientes que podem vir com vírus...

sábado, 18 de outubro de 2008

Explorer dá erro ao entrar em diretório - Explorer não abre pasta

De repente isso pode acontecer com vc. Ao navegar pelo Explorer do XP ao entrar em uma pasta com arquivos .mpg ou .mpeg ocorre um erro, o Explorer trava ou dá um crash e você  consegue acessar os arquivo daquela pasta,mas precisa fechar o Explorer de forma forçada. O curioso é que ao navegar na mesma pasta por qualquer Open ou Abrir ou Importar de qualquer outro programa isso não ocorre e tudo está acessível. Vendo as FAQs nota-se esse problema desde 2005, portanto da época do SP1  e não há uma solução oficial. Em alguns foruns sobre vídeo há uma suspeita de que tal falha, o Explorer não abrir uma pasta, ocorre associada à instalação do codec DivX. Como instalei o codec na versão atual 6.80.xx e na anterior, de uns meses atrás, em máquinas diferentes, observo que isso pode estar certo pois parece que as máquinas apresentaram o problema de crash no Explorer XP SP3 após a intalação do DivX,

Mas o DivX é importante e necessário para mim. Nos foruns, há pessoas que disseram ter desinstalado o DivX e o problema continuou. Portanto, ninguém tem certeza sobre isso.

Na resposta final em http://www.bleepingcomputer.com/forums/lofiversion/index.php/t42868.html de 2006 o autor disse ter encontrado uma solução muito simples. Acabei de aplicar na máquina em que estou digitando e tudo parece ter se corrigido. Alguma coisa foi instalada e colocou no registro um comando de abertura do Shell, parece que apenas para mostrar as propriedades dos arquivos e isso dá o pau. Siga a rotina simples e note que isso pode - apesar de eu não ter encontrado documentado - acontecer com outras extensões de arquivos e o procedimento poderá ser o mesmo.

1 - Execute o REGEDIT da linha de comando EXECUTAR  do menu INICIAR.

2 - Vá até a chave HKEY_CLASSES_ROOT\.mpeg

3 - Ela deve ter 4 subchaves e uma delas é a SHELLEX, clique nela para selecioná-la

4 - Com o outro botão do mouse clique e escolha EXPORTAR - vc faz um bkp da SHELLEX e se der uma zebra é só ir no comando IMPORTAR da aba ARQUIVO do REGEDIT e restaurar essa chave, portanto a coisa é segura.

5 - Delete, apague ou exlua a SHELLEX inteira.

6 - Repita isso para a chave HKEY_CLASSES_ROOT\.mpg e tudo deverá voltar ao normal.

sábado, 9 de agosto de 2008

Texto só com a Letra P

(autor desconhecido - se alguém souber, avise)

A RIQUEZA DA LÍNGUA PORTUGUESA
A ÚNICA LÍNGUA NO MUNDO QUE NOS PERMITE FAZER UM TEXTO ASSIM:


"Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas  para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, pois Padre Pafúncio pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas. Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.

Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, pois pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.

Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precatar-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo... Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos.

Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes.

- Paris! Paris! - proferiu Pedro Paulo - parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, Papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para Papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai 

Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu:

- Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias?

- Papai - proferiu Pedro Paulo - pinto porque permitiste, porém preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro!Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, Papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito. Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.

Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios.

Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo, pereceu pintando..." Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Homenagem a Três

Mais um texto interessante sobre o uso de nossa língua. Lamentavelmente, mais uma anônimo... Não tem título. Sugiro: "Homenagem a Três"

Texto supostamente escrito por um aluno de Letras da Universidade Federal e Pernambuco (UFPE), que teria vencido um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa. Mas "discordo da concordância" nominal logo na terceira linha entre "o artigo" "era novinha".... Quanta criatividade... Eu já tirava um ponto aí. Seria mais simples escrever "E artigo era bem definida, novinha"... Tem outros errinhos...

Abs,
Roitberg

"Homenagem a Três"
 
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino,  singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num  transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum
de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo O edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal.

Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

sábado, 21 de junho de 2008

O caso suiço do hino alemão

(*) José Roitberg

Nesta última semana a BBC disparou para mundo uma matéria que acabou tendo uma repercussão mínima. No jogo da Eurocopa entre Alemanha e Áustria, a TV SRG da Suíça legendou o hino alemão com "Deutschland, Deutschland ueber alles" (Alemanha, Alemanha acima de tudo) utilizando toda a sua primeira estrofe. É bom lembrar que alemão é uma das línguas utilizadas na Suíça.

Em sua superficialidade, a BBC disse que o hino alemão estava em desuso desde do fim da Segunda Guerra. Todo mundo copiou e colou países a fora. A SRG atribuiu o erro a dois jovens editores esportivos de sua subsidiária responsável pelas legendas. Culpe o estagiário... Aí tinha coisa...

Nós não aprendemos o hino alemão no Brasil. Grande parte de nossa população que decora tudo quanto é música popular, não sabe nem o nosso próprio hino, uma verdadeira opereta. O hino alemão também não se aprende em lugar nenhum, exceto na Alemanha e seus núcleos de imigrantes. Na minha visão simplista, sempre que ouvia o hino alemão antes de jogos ou nas vitórias de Schumacher na Fórmula 1 eu me sentia desconfortável. Nunca entendi por quê o hino, um símbolo nazista, tinha sido mantido até hoje. Mal sabia da bizarra verdade. Nada que um bom motivo como este não me levasse a pesquisar.

De nazista, o hino não tem nada! É apenas mais uma percepeção distorcida da história que não nos ensinaram nas escolas. "Alemanha, Alemanha acima de tudo; Acima de qualquer coisa no mundo..." A melodia, que quem conhece música clássica alguma vez na vida estranhou ao ouvir num disco de Haydn (seria este compositor nazi??) foi escrita pelo grande Joseph Haydn em 1797 como um hino de aniversário para o imperador (kaiser) austríaco Franz II. Era conhecida por "Gott erhalte Franz den Kaiser" (Deus salve o Kaiser Franz). Na Áustria se fala alemão.

A letra símbolo das imensas concentrações de tropas nazistas no estádio olímpico de Berlim e em outra partes da Alemanha, foi escrita por August Heinrich Hoffmann von Fallersleben em 1841, contemporâneo de Karl Marx, praticamente um século antes da Segunda Guerra Mundial, quando ele morava em Heligoland, na época conquistada sob domínio inglês. Ainda nem havia Alemanha como país: eram os Estados Germânicos.

Há um grande número de países onde músicas pré-existentes foram escolhidas como hinos. Bem diferente do Brasil com hino composto para tal finalidade. Só como exemplos: Estados Unidos, Israel e... Alemanha... O "Das Lied der Deutschen" (O Hino dos Alemães) foi escolhido como hino da Alemanha na República de Weimar, em 1922, quatro anos após a derrota na Primeira Guerra Mundial. Tinha duas estrofes. O NSDAP - Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista, cantava apenas a primeira estrofe: essa, da confusão desta semana.

A segunda estrofe foi descartada pois é: "As mulheres alemãs, a lealdade alemã, o vinho alemão, a música alemã; vão reter em todo o mundo seus belos laços; e inspirarnos a nobres gestos durante toda nossa vida." Se você assistir novamente o Grande Ditador, de Chaplin, verá praticamente este texto na última parte do filme quando os pensamentos do personagem vagueiam pelos campos... Bem curioso isso... Creio que todos concordamos que nazistas cantando essa estrofe seria completamente fora de contexto mesmo.

Portanto, o hino reduzido à primeira estrofe passou a ser um dos hinos alemães junto com o "Horst-Wessel-Lied" (Hino de Horst Wessel - popularizado com o nome do autor, originalmente definido com Die Fahne Hoch - A Bandeira Está no Alto". E foi cantado assim, apenas a primeira estrofe, até fim do Terceiro Reich em 1945.

Há um caso histórico registrado na Copa do Mundo de 1954. Adivinhe onde? Acertou: Suíça. Adivinhe quem ganhou? Acertou: Alemanha. Adivinhe que hino todo o estádio cantou? Claro: a primeira estrofe do "Das Lied der Deutschen" acompanhando a banda, para desespero da comissão alemã, da FIFA e dos organizadores. Não por serem nazistas, mas simplesmente por não saberem que não era mais o hino! Parece que não sabem até hoje. É o que ocorreu na semana que passou.

Dois anos antes, em 1952, a Alemanha criou uma terceira estrofe, conhecida por "Deutschlandlied" (Hino da Alemanha), mas com o sistema de mídia da época e o país lutando pela sua reconstrução, pouco ou nada se soube disso. O país ainda estava divido entre russos, americanos, ingleses e franceses. E se foi divulgado não ficou na memória dos povos. Portanto a confusão é simples: existem três estrofes com a mesma melodia.

Uma ficou na memória coletiva, uma foi descartada e outra é a válida.

Se tivessem mudado a melodia, nada disso teria ocorrido. Quem conhece apenas uma das estrofes acha que aquela é a correta. Desde 1952 o hino alemão é o que segue.

Einigkeit und Recht und Freiheit
Für das deutsche Vaterland!
Danach lasst uns alle streben
Brüderlich mit Herz und Hand!
Einigkeit und Recht und Freiheit
Sind des Glückes Unterpfand;
|: Blüh' im Glanze dieses Glückes,
Blühe, deutsches Vaterland. :|

(tradução livre)
Unidade e justiça e liberdade
Para a terra natal da Alemanha!
Para isto vamos todos nos esforçar
Irmanados com coração e as mãos!
Unidade e justiça e liberdade
São o que nos leva a um bom destino;
|: Floresça neste destino abençoado,
Floresça Alemanha nossa terra natal:|

Note que em 1952 com o país retalhado entre os Aliados, o hino pedia "unidade". Era praticamente subversivo...

É claro que isso é pedir demais da BBC ou das outras grandes mídias baseadas na banalização e superficialidade... Pelo menos eu, nunca mais vou mentalizar "Alemanha, Alemanha Acima de Tudo" nas competições esportivas com participação alemã e sim "Unidade e Justiça e Liberdade."

(*) José Roitberg - Diretor de Comunidade na TV - FIERJ

terça-feira, 10 de junho de 2008

Sua conexão do GMAIL caiu?

Já aconteceu com vc de digitar um texto longo no GMAIL e na hora de enviar aparecer uma mensagem dizendo que seu tempo de conexão se esgotou e que você deve se reconectar? O que fazer? Se você mandar salvar o draft ou rascunho a mensagem é a mesma. Deve copiar o texto do email sair do GMAIL, voltar abrir no email e colar o texto?

Não. Simplesmente abra nova sessão do GMAIL em outra janela ou aba (dependendo do seu browser) que a janela anterior, aquela que deu timeout volta a funcionar e é só clicar em enviar... Ufa!

Aliás, baixe e instale o FIREFOX 3R2 que está o bichi. Melhorou muito e está um foguete!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Como abrir arquivo .daa

Está cada vez mais frequente encontrar arquivos com a extensão ".daa" tanto através de Isohunts como de Rapishare. A maioria das pessoas foge deles achando que vai dar problema. Mas ".daa" é apenas uma extensão recente de ISOs, que são imagens montadas do conteúdo de um CD ou DVD. Como quase ninguém também entende o que são as ISOs e sua importância para envio de conteúdo gravável pela web, não espero que compreendam direito os .daa também.

Basta saber que funciona.

Mas o que vc precisa saber é que basta instalar um conversor/queimador deste formato (há pelo menos mais uns 20 além do ISO padrão) clicar em cima de seu .daa e simplesmente mandar gravar, seja em CD ou DVD, dependendo do tamanho do arquivo (o programa diz para vc qual será o tamanho final).

Note que mesmo um arquivo de 300 ou 500 MB pode ser gravado tranquilamente num DVD. Minha opinião pessoal é de que se deve abandonar os CDs, pois há DVDs de 16x a 70 centavos por aí e a velocidade de gravação e leitura são muito superiores aos ultrapassados CDs.

Bem, o programa que está sendo mais indicado e simples para lidar com .daa, .iso e um monte de outras extensões de imagens (inclusive .nrg do Nero) é o PowerISO. Ao instalar, desative o "virtual drive" no lado direito superior se vc não quiser criar um drive virtual em seu HD. Depois pode mudar isso a vontade nas configurações.

O programa se instalou em português, com bela tradução sem nem perguntar se queria. Parece ser muito bem feito e eficiente.

O primeiro .daa que mandei queimar tinha uns 360MB e o PowerISO nem perguntou se deveria gravar com compatibilidade máxima em DVD, que é gravar no mínimo 1GB: fez isso sozinho, o que é exatamente o que deveria fazer.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Registro.bre libera .com para pessoas físicas

Não acompanhei a discussão, mas há dois anos atrás fiz uma pesquisa em banco de dados com os endereços de emails de jornalistas e as URLS de contatos entre mídias e leitores. O banco era o da MaxPress de 2006.

A constatação é simples:

a) cerca de uns 3% dos jornalistas tinha um endereço pessoal "fulano.jor.br", ou "fulano.info.br" ou seja, nós mesmos não usamos a extensão para para jornalistas. Eu mesmo não tenho. Tentei ter, mas cada vez que dizia para alguém a pessoa perguntava: "como é que é? Ponto o quê? Isso existe?" Então desisti.

b) nenhuma empresa jornalística do database usava a extenção ".jor.br" algumas usavam "info.br"

c) cerca de 80% das mídias não possuíam um email de contato para o leitor falar com ela de uma forma simples e direta como: cartas@empresa.com, leitor@empresa.com ou contato@empresa.com. Uma parcela enorme usa provedores como yahoo, gmail, terra, uol etc e você jamais vai imaginar que um email para "editor do jornal-das-couves" é "editor.couves@terra.com.br...."

d) um número muito grande de jornalistas não usavam emails corporativos, optando por gmail, yahoo etc. Na minha avaliação isso é devido à rotatividade permitindo que o jornalista não perca seus contatos ao mudar de empresa.

Nesta questão da rotatividade há o inverso. Emails que deveriam ser fixos como editor, diretor, redator, repórter (seguido de suas seções) acaba sendo seguido pelo nome, sobrenome ou partes, de quem está ocupando o cargo naquele instante. Ao haver a rotação, perde-se o contato e é preciso refazer os bancos de dados e livros de endereços.

e) entre os jornais semanais, bi-semanais, quinzenais, mensais etc, cerca de 80% sequer possuía url própria com o nome da mídia ou nome da empresa optando por estar em provedores de terceiros com nomes diferentes de suas marcas ou razões sociais

A extensão ".com" deveria ser para atividades comerciais e ficou absolutamente banalizada. Essa "permissão" do Registro.br para pontocoms com nomes pessoais apenas marca a derrocada definitiva de ir no contrafluxo da falta de bom senso das pessoas, que preferem ser pontocoms do que pessoas. Basta ver  o www.hillaryclinton.com... É apenas uma banalização e sinceramente, pessoalmente acho uma porcaria.

Essa picaretagem e banalização levam a casos como desse meu email, realmente pretencioso de me declarar como "editorbr" apenas por que estava na fase beta do Gmail e ninguém tinha pego... Meu outro email particular também é picareta pois pude registrar meu sobrenome limpo "roitberg@gmail.com" deixando a todos os outros "roitbergs" do mundo (são  uma cacetada de famílias) o problema de criar emails com nomes compostos, como se eu fosse o único do mundo.

Se eu tivesse 30 pratas sobrando tinha logo registrado www.josedasilva.com.br e ferrava com centenas de milhares doutros Zés...

(obs: até o momento do envio deste email, o domínio acima esta liberado - é de quem chegar primeiro! eu não vou)

Aliás eu não sei porque as pessoas e empresas optam pelo ".com.br" se é muito mais simples, rápido e barato pegar um ".com" limpo. O Registro.br sequer aceita débito programado no vencimento com cartão de crédito. É um serviço péssimo que me enviou um boleto de pagamento vencido há 10 dias dizendo que um site ia ser retirado do ar (lá atrás, 10 dias antes) e junto, uma nota fiscal como se eu já tivesse pago...

Abs.com.br (este está registrado mas fora de uso)
Roitberg

domingo, 20 de abril de 2008

Pentium HT x DUAL CORE

http://www.intel.com/personal/desktop/dualcore/demo/popup/demo.htm

Se vc ainda não entende qual é a diferença entre processadores com capacidade HT e Dual Core, assista a demo oficial da Intel de 2005. É rapidinha.

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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Museu dos aparelhos e formatos de vídeo

Quer dar uma olhada em todos os formatos de vídeos do passado? Fitas e aparelhos conhecidos e absolutamente desconhecidos? Visite

http://www.totalrewind.org/

Do you want to take a look at old video formats and tape recorders?

Preservação de Fitas de Vídeo

http://www.amianet.org/resources/guides/fact_sheets.pdf

O documento acima é completo e fundamental não só para a preservação de fitas de vídeo nos mais diversos formatos - VHS, BETA, BETACAM, U-MATIC, BETAMAX, S-VHS, 8MM, Hi8, SMTPE e outras. Nele há históricos, lista de problemas, algumas soluções, armazenamento, período de vida etc. É um documento muito necessário nesta época de transição de fita para DVD. Não fala nada sobre o processo de cópia.

Você sabia que a durabilidade de uma fita de vídeo ERA de apenas 10 a 60 anos dependendo da qualidade e da manutenção? Agora vai dar para entender porque suas fitas de 15 ou 20 anos, que ficaram quietinhas no canto do armário se desmagnetizaram...

Discurso Sem verbos

Mais espetacular e inusitado que o Discurso Sem a Letra A, abaixo, temos este Discurso Sem Verbos. Parece impossível escrever tanto um quanto outro, mas isso nos mostra que nós, jornalistas e escritores atuais não conhecemos nossa língua. Difunda este texto pois é especificamente desconhecido e feito por um clérigo que também acabou esquecido em nossa história. Os sermões dele deviam ser muito interessantes.

D. Antônio de Macedo Costa (Bahia, 1830-1891) estudou em Paris e doutorou-se em Roma. Teólogo notável, foi bispo no Pará e juntamente com D. Vital de Oliveira (bispo de Olinda) combateu a Maçonaria. Ambos foram presos e anistiados após um ano e meio.

José Roitberg - jornalista

DISCURSO SEM VERBOS
D. Antônio de Macedo Costa

Primeira regra de estilo, uma das principais e porventura a mais esquecida de todas: naturalidade por oposição a afetações ridículas.

Quanto no galarim da fama réu deste delito e quantos oradores, aliás dignos de encômios pelos dotes singulares de seu engenho e imaginação, responsáveis perante a crítica sisuda, pela falta de uma nobre simplicidade de estilo e boleio das frases.

Muita atenção, orador noviço, para este ponto capital.

Nada de ornatos supérfluos, apegados como parasitas ocos a cada palavra: miserável ouropel por cima de pensamentos muitas vezes ocos e sem solidez alguma, só para engano da vista de espíritos superficiais ou de mau gosto. Um brilho fosforescente e um deslumbramento passageiro, como o de um fogo de artifício, tal o único mérito desses campanudos oráculos do púlpito cristão.

Idéias porém sólidas e bem dosadas, ordem rigorosa de raciocínio, doutrinas exatas luculentamente expostas, isso nunca. Não assim Bossuet, os Bourdalouse, os Massilon e todos os outros grandes modelos da eloqüência do púlpito do grande século de Luís XIV.

Que nobre simplicidade! Que naturalidade sublime! Que opulenta sobriedade! Qual rio caudaloso por entre margens, ora severa e escarpadas, ora floridas e risonhas, mas sempre formosas de naturalidade, assim o pensamento desses famosos gênios, por entre a frase ora simples, ora mais ornada, sempre porém em relação com o assunto cheio de graças ingênuas, de louçainhas despretensiosas.

A cada um desses grandes gênios o seu merecimento próprio: a Bossuet sobretudo, em suas orações fúnebres, uma grandeza e majestade incomparáveis; ao nosso Vieira, apesar dos seus senões, uma sutileza, uma retentiva e uma fecundidade pasmosa; e assim os mais, cada qual com seus primores e as suas qualidades características, em todos porém a naturalidade e a simplicidade no seu último auge!

A frase sempre límpida, tersã, louçã; o estilo sempre acomodado ao pensamento, modestamente ataviado, sem arrebiques, sem enfeites pretensiosos e ridículos, sem todas essas lentejoulas tão em voga nas épocas de decadência literária.

Mas sobretudo no orador sagrado, no homem do Evangelho, no Ministro de Deus morto na Cruz, nada mais desairoso, em verdade, do que essas afetações de estilo! Ai! Onde aquele espírito dos varões apostólicos, onde aquela abnegação aos vãos ornatos da eloqüência do mundo?

Ministros do Altíssimo, culpados desta espécie de profanação da palavra santa! Desgraçados de vós por este abuso tão estranho dos dons de Deus e das graças do nosso divino ministério! Mas nem mais palavra! Sobre desvios como estes, só lágrimas e muitas lágrimas!"

Discurso Sem a Letra A

Caros colegas, em nossa discussão continuada sobre como escrever melhor cabe o texto abaixo. Ele ficou perdido durante anos em meu arquivo e o achei por acaso quando procurava por outra coisa. Creio que a maior parte das pessoas nunca ouviu falar dele, e acho que deveria ser de leitura obrigatória nas escolas de jornalismo.
O motivo de ser desconhecido é o fato de seu autor, Dr. Antônio Araújo Gomes de Sá, não ter a mínima importância na memória nacional. Ainda não pesquisei a fundo o que ele fez ou deixou de fazer. O texto é chamado de "Discurso Sem a Letra A" e foi proferido na posse de Gomes de Sá no Instituto Geográfico da Bahia em 1918.

O texto não apenas mostra a riqueza da língua portuguesa, mas também é o fim do duelo de duas mentes privilegiadas: foi o resultado de uma aposta entre Gomes de Sá e Ruy Barbosa. A fonte deste texto é sua publicação na desconhecida revista "Momento Policial ed 28" cuja página eu arranquei quando esperava num barbeiro, na década de 80 do século 20. Não sei se a revista ainda existe, nem sei a data de publicação: devia ter levado a revista inteira...

A gramática de 1918 foi mantida. O texto veio num bloco só sem parágrafos e tomei a liberdade de incluí-los para facilitar. Outras publicações conhecidas: revista Pulso de 29/06/1966. Boa leitura e divulguem essa pérola, principalmente para aqueles que dizem que sabem escrever...

José Roitberg - jornalista

Discurso Sem a Letra A

Dr. Antônio Araújo Gomes de Sá – Bahia - 1918

Meus ilustres e digníssimos consórcios; meus senhores.

Por mim, humilde membro que vou ser deste Instituto, eu vos direi sem orgulho em que me oculte: errou no que pretende, perdeu no que colime, esse que de mim muito esperou em prol deste luzido grêmio, que, sem o meu débil concurso, vive com brilho e vence com fulgor. 

Sim. Porque eu que neste momento vos dirijo um verbo simples e despretensioso, cumprindo somente o desejo de exprimir o sentimento de júbilo de que me possuo, por ser tido no vosso doce e utilíssimo convívio; no meu viver, quer como homem público, quer como eficiente de um tempo ido, sem dons que me nobilitem, sem luzes que me guiem no presente rumo do futuro; em pouco, em muito pouco mesmo, posso proteger o curso luminoso deste conjunto de homens eminentes, deste grêmio benemérito, por isso que, nem de leve, fulgem em mim resquícios de primor.
Fizestes, escolhendo-me em vosso consórcio, o que só costumo ver nos espíritos superiores e que, por isso mesmo, surtem seus vôos por sobre míseros preconceitos. Eis o motivo por que eu me deixei prender nos elos do vosso gentil convite, e deve dizer-vos, sincero, quem fui, quem sou e quem serei, vencendo o pórtico luminoso deste templo repleto de fulgores.

Quem fui? O débil rebento de um tronco bom, e sobretudo honesto, em cujo viver de espíritos eleitos, só virtudes vi florirem e vícios nem de longe pretenderem prender.

Eduquei-me sob o influxo do bem, e tive por complemento dos meus modestos e humildes genitores, um excelente mestre conhecido de todo vós, que tens disso entre vós erguido mil louvores, que nem lhe pode dizer o seu merecimento entre os velhos, entre os moços e entre os que recebem no presente o brilho do seu espírito seleto, fulgindo como um sol que incide-nos pequeninos cérebros, sequiosos de luz. Do colégio, de que conservo vivo o exemplo do bom e do honesto, fui vencer o tirocínio superior, onde, por muito feliz, entre docentes e condiscípulos, conservei desde o início, ouvindo Filinto, Leovigildo e Guerreiro, um nome sem deslizes, que desgosto me trouxesse, no meio de muitos estudiosos como eu. Tenho por mim neste recinto quem vos pode dizer se me exprimo correto neste ponto.

Depois, colhido o louro de um torneio vencido, penetrei o mundo de ilusões, supondo, ingênuo que fui, fluísse em meu viver, num eterno sorrir. Dentro em pouco, porém, vi que o sorriso nos moços nem sempre é prenúncio de um futuro venturoso e, sim, como prólogo de um sofrer contínuo, de um existir repleto de decepções e mil desgostos sem fim.

Sem que desperte dores no recesso de meu peito ferido, eu vos direi: fúnebre dobre de sinos, ouvido por mim, filho extremoso, pelo espírito desse que me deu o ser e que se foi rumo do céu, morrendo como um justo, entre outros golpes bem fundos, foi o primeiro que me fez sentir os negrores deste mundo em que vivemos. Sofri e sofri muito com o ter perdido meu excelente e nobre genitor. Superior porém eu fui, vencendo os óbices do sentimento, tendo, como tive e felizmente tenho, consorte e filhos, meus enlevos que me impelem, cheio de fé e de vigor, no trilho em que me vou conduzindo neste orbe, rico de dores e pobre, muito pobre mesmo, de momentos bons e felizes como este. Isto é que fui.

Que sou? Um pequenino servo de Têmis que fiz do Direito em si o ponto que em reside o imenso bem dos homens, e que Deus quis fosse tido por nós como virtude de virtudes, e que dele mesmo nos veio por intermédio do conhecimento que todos nós devemos ter direitos e deveres próprios, bem como dos de outrem.

Eu vos disse de princípio que tínheis feito de mim um juízo imerecido, escolhendo-me vosso consórcio. Disse e repito. Como o serdes gentis ergueste-me, um homem simples que sempre fui, nos estos de outro indivíduo, desejoso de ter nome e ter estudos que o elevem, que o dignifiquem, por meio dos conhecimentos científicos, vendo, ouvindo, lendo como se de cérebros sem luz seguissem sem temores, no intuito de vencer. Eis o que sou.

E o que serei? Se fui um zero, como vos disse, hoje sou um número dentre vós que no futuro hei de escrever com imenso orgulho todo meu por me sentir no vosso doce e superior convívio. Flui do meu ser um júbilo incontido, por me ver neste recinto, todo luz, todo belo, todo proveito, como se nesse templo se celebre sob os meus olhos o novo surgir de um sol no meu espírito, sequioso de lumes, que me excite o empenho de viver no centro puro em que me detendes com os fortes grilhões dos vossos profundos conhecimentos.

Tudo eu terei, recebendo de vosso ensino o que deixei de ter em outros tempos, quer porque o desleixo me tolhesse, quer porque inconsciente ou cego que estivesse. E venho beber convosco em fonte cujo espelho reflete os melhores dons contidos nesse sólido, no mesmo berço que Rui, o vinho científico me inebrie o intelecto, sorvendo-o em copos de ouro.

E venho com os olhos fitos nesse horizonte cheio de luz. E vendo os seus primores, sentindo-lhe os nobres feitos, noto que por isso mesmo, tudo menos eu concorre com seu brilho em benefício desse grêmio, cujos pórticos, neste momento, penetro como sócio. Sinto-me um homem diferente, sinto-me muito bem, como se de mim se fosse um outro eu e o próprio ressurgisse, revivesse sob o influxo poderoso de vossos fecundos empreendimentos.

Meu íntimo sentir, que os vossos sentidos percebem nos breves termos de meu singelo dizer, é tudo o que de sincero reside nos refolhos do meu peito, repleto desse mesmo vigor e nobre volições com que tendes erguido o Instituto Histórico, que de mim pode ter somente fogosos e efusivos elogios. Tendes nisso o meu futuro proceder.

Neste discurso, produto exclusivo de um esforço ingente que despendi, como noviço que sou de vosso culto, vede somente o desígnio que nutri de exprimir os meus sentimentos sem o emprego de um símbolo de todo preciso no modo de dizer e de escrever o que os nossos espíritos concebem e podem produzir.

Quis, tentei e consegui que me ouvísseis por minutos, sem que dissesse o primeiro signo com que se expõe os estilos. Revele-se-me o inepto intento. Perdoe-se-me o estulto propósito. No intuito que tive e bem vedes que o cumpri, louve-se menos em mim o esquisito escopo, que o meu ilustre e glorioso mestre Ernesto C. Ribeiro, que recebe de um seu discípulo, num excêntrico discurso, os meus íntimos encômios, pois dele eu só tenho tido luzes e conselhos com que pudesse ser recebido neste Instituto.

Ele, o emérito cultor do verbo que o celebrizou entre os profundos conhecedores do Português, que encontre no meu gesto o empenho que tive de querer ser-lhe gentil, dizendo-lhe, de público, o muito bem que lhe quero e o sincero respeito que lhe voto.

Consórcios. Sede indulgentes comigo. Recebei-me como se eu fosse um proscrito que buscou o recolhimento deste teto, em que vejo luzindo os espíritos nobres dos conselheiros Torres e muitos outros de escol; do mesmo modo que crio o desejo certo e imperecível de tudo empreender em prol deste Instituto, dos seus benefícios presentes e futuros, do seu brilho eterno, do seu progresso vencedor, do seu indefectível merecimento, do seu luzente fim, do seu destino vigoroso, conhecidos urbi et orbi como sobremodo úteis e por sempre proveitosos. Tenho concluído.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Tsunami in Rio 2 feb2008


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Condição meteorológica muito estranha no verão carioca.

Tsunami in Rio 1 feb2008


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Condição meteorológica muito estranha no verão carioca.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O fingerprint me PEGOU!

Estou eu tranqüilo enfiando mais um vídeo no Youtube em minha área profissional. Já passam de 450 vídeos de meu programa de TV por lá. Para uma ingrata surpresa, um dos vídeo recebeu uma mensagem "contém conteúdo pertencente a terceiros" com uma grande explicação do que fazer: pedir autorização, tirar do ar ou deixar. O que me pegou foi o sistema FINGERPRINT (impressão digital) que a Google está VENDENDO e eu só tinha ouvido falar.

Segundo a explicação, quem possui conteúdo com direitos autorais pode COMPRAR seu ingresso no Fingerprint. Ao ser localizado algo que use na web conteúdo deste CLIENTE, ele é avisado e pode tomar as medidas necessárias. No caso do YouTube o CLIENTE pode se dirigir a mim, não sei se ainda o fez pois não recebi nenhum email sobre o caso no perfil do YouTube me pedindo para retirar, me autorizando, me pedindo para pagar (caso em que retirarei o conteúdo) ou simplesmente BLOQUEANDO O VÍDEO EM MEU PERFIL até a situação se esclarecer.

Até aí, nada demais. Acho super correto. Mas... O autor só foi avisado, porque ele PAGOU PELO SERVIÇO DO FINGERPRINT. Meu conteúdo original, NÃO É PROTEGIDO, por que eu NÃO TENHO COMO PAGAR PELO FINGERPRINT, o que é uma injustiça completa.

Mas a ferramenta é fantástica, algo que precisamos na web. Fui pego por uma trilha de áudio em um vídeo. Como no vídeo renderizado não há informações do áudio de origem, somente do produto final, a única forma do FINGERPRINT fazer a relação é comparando áudios de arquivos dos clientes com o áudio de cada vídeo postado. Sequer há o nome da música nas tags ou título ou nome do arquivo. Isso é espetacular. Precisamos de ferramentas de busca de áudio e principalmente de busca de imagens semelhantes. Algo já está efetivamente funcionando.

O curioso disso tudo é que o autor CLIENTE sobre o qual eu estaria violando os direitos NÃO É o autor da trilha que usei, mas apenas o autor de uma das versões de trilha semelhante e não a versão que utilizei. Vou mantendo-os atualizados, caso a coisa vá para frente.

Abs,
Roitberg

sábado, 12 de janeiro de 2008

Viva o Lado Coca-Cola da Miséria


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Brazilian version - fake ad.

Foto de rua verdadeira, verdade nua e crua, anúncio fake.

Coca-Cola Sempre... Tenha uma Câmera"

Viva o Lado Coca-Cola da Miséria


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Fotos verdadeira tirada na rua do Catete perto da delegacia. Verdade dura, anúncio fake.

"Coca-Cola Sempre... Tenha uma Câmera"

Muito mais da Coca-Cola em http://jipemania.com/coke

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Newsyear 2007-2008 RJ


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