quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PENA DE MORTE PARA TERRORISTAS EM ISRAEL É UM ERRO GRAVE E BIZARRO

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Na imagem horrível deste post, temos uma gravura germânica da Idade Média, mostrando como era a pena de decapitação na prisão de Ludwigsburg, pequena cidade ao norte de Stuttgard, que conta com um museu sobre tal prisão.


por José Roitberg

Começo logo dizendo que desta vez vou ELOGIAR os hareidim que mesmo estando na coalizão do governo que não aceitam, recusaram-se a votar a favor de uma nova lei que permitiria aplicar a pena de morte a terroristas que cometerem assassinatos em Israel.

Agora, em segundo lugar vou repudiar os hareidim pelo motivo que levou ao partido United Torah Judaism a se abster de votar com seus seis parlamentares. Não houve questão teológica ou geopolítica alguma, mas apenas uma queda de braço por que o ministro da defesa Avigdor Lieberman, apoia uma outra lei que permitiria supermercados ou mercados que quisessem de abrir aos sábados.

A primeira votação foi apertada, com 52 a 49 a favor da proposta do governo. Notes que a bancada governista possui 66 parlamentares. A legislação foi apresentada por Avigdor Lieberman, do partido Israel Beitenu (Israel é Nosso Lar).

POR QUE A PENA DE MORTE PARA TERRORISTAS HOMICIDAS SERIA UM ERRO GRAVE DA POLÍTICA ISRAELENSE?

O primeiro motivo mais óbvio e que está sendo descartado completamente pelo governo de Bibi Netanyhu é que morrer na ação de matar judeus É O DESEJO do terrorista. Ele só se torna mártir, com os favorecimentos divinos islâmicos a ele e aos parentes dele no Paraíso do Profeta se morrer! Portanto, executar o terrorista que não morreu na ação É COMPLETAR A MISSÃO DELE e retirá-lo da condição humilhante de estar preso pelos judeus e não ter sido capaz de realizar seu ataque conforme planejado, e elevá-lo a condição de mártir do islamismo sunita. Apenas esta definição deveria ser suficiente para sequer se pensar em criar tal lei.

O segundo motivo é tão óbvio quanto o primeiro e pode MOTIVAR UM AUMENTO DAS AÇÕES TERRORISTAS. A pena de morte DEVERIA desestimular os homicídios. Eu já fui muito a favor da pena de morte, mas já compreendi que em país algum onde ela é aplicada, desestimulou qualquer dos crimes onde ela possa ser o termo judicial final. Não há diminuição do número de homicídios dos EUA devido à pena de morte. Não há diminuição do tráfico de drogas para os países muçulmanos asiáticos devido à pena de morte. Não há diminuição da corrupção na China devido à perna de morte, com o agravante singular de ser cobrada financeiramente da família do executado o preço da bala que lhe foi disparada na nuca. E a pena de morte nunca foi fator deterrente do crime capital porque o criminoso sempre tem a certeza de que não será preso. Então a pena não o assusta. No caso do terrorismo islâmico sunita, não se pode assustar com a pena de morte quem deseja morrer. É preciso que ocidente compreenda a mente islâmica árabe sunita, especificamente. Funciona em outras condições CNTP. São diferentes mesmo, de nós. Nossas soluções não servem para eles. Ao definir que o terrorista homicida que sobreviver ao ataque será ou poderá ser excetuado após julgamento, apenas se dá INCENTIVO A NOVOS ATAQUES, com a certeza do martírio ritual antes, durante ou depois do ataque.

O finalmente o terceiro motivo. Eu tive amigos carcereiros em Israel. Fizeram o serviço militar e se voluntariaram para este trabalho horrível e necessário em qualquer sociedade. Um deles, é até um rapper de sucesso lá na Terra Santa. Conversei com ele e perguntei qual judeu gostaria de ser um carcereiro. Ele disse ser um deles, mas não conseguiu definir o motivo exato. Talvez tenha composto já uma letra a respeito disto. Então a terceira obviedade é: qual é o judeu que gostaria de ser mecier guillotin? Qual judeu que gostaria de ser o executor mór do Estado? Isto simplesmente NÃO COMBINA nem com a filosofia judaica, nem com o judaísmo religioso, nem com o momento atual da sociedade israelense e mundial.

Fôssemos nós como os jihadistas do Estado Islâmico, haveria fila de candidatos. Mas eu espero que a lei não seja aprovada e caso seja e entre em vigor, que nenhum judeu se candidate a ser executor judicial pelo Estado de Israel. Isto seria uma vergonha que existe em outros países, inclusive em países amigos e inimigos de Israel que não precisamos trazer para dentro do judaísmo do século 21.

Existem cada vez mais judeus nas mídias sociais e no mundo real clamando que 'nós' devemos ser iguais a 'eles'. Se enforcam no Irã, se cortam cabeças na Síria e no Iraque, se tem pena de morte no Egito, então nós temos o direito de fazer a mesma coisa.

Não temos não. Judeus não enviam seus rabinos para o cadafalso de forcas ao lado dos executados ou para as guilhotinas, mantendo Deus ao lado do punido. Isto simplesmente não faz parte do judaísmo e qualquer pessoa que pretenda que isso se torne parte do judaísmo é uma pessoa que perdeu suas raízes e sua coerência como ser humano. Seja um zé mané, seja um Avigdor Lieberman.